Charles Leclerc viveu uma tarde turbulenta no Grande Prémio de Mónaco, numa prova que prometia ser memorável para o piloto da Ferrari, mas que acabou por se transformar num pesadelo. O monegasco foi forçado ao abandono na volta 64, depois de um embate contra o muro logo após a relargada atrás do carro de segurança, consequência de dificuldades nos travões que o têm atormentado nas últimas corridas. No entanto, a frustração de Leclerc começou a acumular-se bem antes desse momento crítico, logo após a entrada da Safety Car.
Na altura, Leclerc seguia em terceiro lugar, atrás de Lewis Hamilton, que estava a cumprir uma penalização de cinco segundos por excesso de velocidade na box. A Ferrari optou por chamar ambos os seus pilotos à box para troca de pneus na mesma volta, obrigando Leclerc a esperar não só pela paragem do colega, mas também pelo cumprimento da penalização de Hamilton. Esta decisão impediu o piloto da casa de tentar ultrapassar o sete vezes campeão, que estava penalizado, o que gerou uma clara insatisfação por parte do #16.
Recordando o cenário de 2022, quando Leclerc foi igualmente obrigado a aguardar atrás de Carlos Sainz na box, a situação voltou a provocar uma reacção irritada do piloto. O desagrado ficou patente na troca de palavras via rádio entre Leclerc e o seu engenheiro de pista, Bryan Bozzi, numa altura em que a equipa procurava gerir o momento sob a Safety Car.
Bozzi: “Modo Safety Car. Não ultrapasses a Safety Car, Charles, queremos esperar.”
Leclerc: “O que faço?”
Bozzi: “Box, box, box.”
Leclerc: “Mas o quê…”
Bozzi: “Temos de esperar.”
Leclerc: “Mas porra, por que estamos a fazer o pit stop? Porque não ficamos na pista?”
Leclerc: “Nem sei porque estou a ouvir isto. Honestamente, a esta altura… Sei que temos de melhorar, mas por amor da santa. Porque não me deixaste fora? Nem entendo a tua explicação.”
Este episódio ilustra bem a tensão e a frustração que rodearam o piloto da Ferrari durante a corrida que deveria ter sido um marco no seu ano. A decisão estratégica da equipa acabou por comprometer as hipóteses de Leclerc numa pista onde a ultrapassagem é notoriamente difícil, aumentando a pressão sobre o jovem monegasco e, eventualmente, contribuindo para o desfecho desastroso da sua prova.
O Grande Prémio de Mónaco 2024 ficará assim marcado pela dualidade entre o potencial de Leclerc e as dificuldades técnicas e estratégicas que continuam a condicionar o seu desempenho, numa prova que o piloto certamente quer esquecer, mas da qual terá de tirar lições para os próximos desafios.
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