George Russell encontra-se no centro das atenções, mas não pela melhor razão. Após o Grande Prémio do Canadá, o piloto britânico da Mercedes fez uma declaração que não passou despercebida: admitiu que o título mundial está, neste momento, nas mãos do seu colega de equipa, Kimi Antonelli, deixando o próprio Christian Fittipaldi a criticar a postura de Russell, que considerou derrotista e pouco condizente com a mentalidade competitiva que se espera num piloto do seu calibre.
Num fim-de-semana marcado por batalhas intensas entre os dois jovens talentos da Mercedes, Russell mostrou a sua melhor forma ao conquistar a pole position e vencer a Sprint, resistindo a uma feroz luta com Antonelli. A tensão dentro da equipa foi visível, com Antonelli a manifestar alguma indignação e a pedir penalizações para o britânico, depois de um duelo ao limite entre ambos. A qualificação manteve a rivalidade acesa, com Russell a garantir a pole por apenas 0,068 segundos, numa batalha que prometia fogo na corrida principal.
No entanto, o desfecho foi dramático para Russell. Um problema catastrófico na bateria do seu W17 forçou-o a abandonar a prova, permitindo a Antonelli vencer com uma vantagem de 10,7 segundos sobre Lewis Hamilton e aumentar a sua liderança no campeonato para 43 pontos. Foi após este episódio que Russell deixou escapar uma frase que suscitou controvérsia: “Agora, é dele para perder. Tem muitos pontos de vantagem. É quase como se os deuses não quisessem que eu estivesse nesta luta.”
A declaração, que sugeria uma espécie de resignação, não caiu bem entre os especialistas. Christian Fittipaldi, antigo piloto de Fórmula 1, não hesitou em criticar o seu compatriota britânico no podcast Pelas Pistas: “Parece que está a desistir. ‘Agora, é o Kimi a perder. Tem muitos pontos de vantagem. Não tenho nada a perder’. Para mim, isso é uma rendição.”
Fittipaldi reforçou que a verdadeira pressão deve ser exercida na pista, com resultados, e não com palavras: “Colocar pressão significa entregar resultados. Falar só nos bastidores não chega. No Canadá, houve momentos em que pensei que Russell iria dar luta ao Antonelli, mas com esta declaração, parece que já não é assim.” O brasileiro compreendeu a frustração do piloto, mas insistiu que o comentário não foi adequado num momento tão decisivo da época.
A rivalidade entre Russell e Antonelli promete manter-se no centro das atenções até ao fim da temporada, com ambos os pilotos a quererem mostrar quem merece o título de campeão mundial. Mas, para que Russell volte a ter hipóteses reais, terá de ultrapassar não só os problemas técnicos, mas também a sua própria atitude. Afinal, numa luta tão renhida, desistir de forma antecipada pode ser o maior erro de todos.
