Oscar Piastri protagonizou um momento decisivo e polémico no Grande Prémio do Canadá, ao embater na lateral de Alex Albon na curva do hairpin, comprometendo uma corrida que prometia pontos preciosos para o jovem piloto australiano. Numa análise franca, Piastri revelou que a causa do acidente esteve diretamente ligada a um nível de aderência “como nunca tinha experimentado antes” – uma combinação traiçoeira que o apanhou desprevenido e que acabou por lhe custar caro, incluindo uma penalização de 10 segundos.
A corrida de Piastri começou já condicionada por uma escolha errada de pneus na partida, optando por inters quando a pista estava a secar rapidamente. Apesar da paragem logo na primeira volta para mudar pneus, o australiano tentou recuperar terreno, mas numa tentativa de ultrapassar, acabou por travar em demasia, bloqueando as rodas na entrada do hairpin e colidindo violentamente com o Williams de Alex Albon, que foi obrigado a abandonar a prova. “Achei que ia ser complicado, mas possível”, comentou Piastri sobre as suas aspirações de pontuar, “mas o nível de aderência na pista era completamente diferente do que alguma vez conduzi. Acabei por me enganar, e peço desculpa ao Alex e à Williams, porque não estava a tentar ultrapassá-lo. Simplesmente bloqueei as rodas e aconteceu.”
A decisão de iniciar a corrida com pneus intermédios foi um consenso dentro da equipa, com Piastri a afirmar que “foi uma decisão em grupo” e que ele próprio foi um dos que apoiou essa escolha, mesmo tendo quase implorado para mudar durante as voltas de formação. “Entre o hino nacional e entrar no carro, a pista ficou significativamente mais molhada e, dado o desafio de chegar à grelha, pensei que os inters, caso aquecessem, seriam a melhor opção. Depois a chuva parou, e aí já foi um pouco azar.” Apesar da mudança precoce para pneus slick, Piastri acredita que trocar os inters no final das voltas de formação pouco teria alterado a situação: “achámos que estávamos a fazer a coisa certa e mais segura.”
No campeonato, Piastri mantém-se na sexta posição, mas o início de temporada tem sido turbulento, com o GP do Canadá a evidenciar as dificuldades que ainda enfrenta. Ainda assim, o piloto da McLaren sublinhou alguns aspetos positivos retirados do fim-de-semana, nomeadamente a melhoria na qualificação, que demonstrou um progresso face a corridas anteriores. “Foi encorajador chegar um pouco mais perto nos treinos, temos trabalho para tornar o carro mais rápido, com certeza. Para mim, fora o incidente, senti que foi um fim-de-semana positivo em vários aspetos, mesmo que os resultados não tenham sido espetaculares. Sinto que evoluí em comparação com Miami, e há sempre pontos positivos para tirar, mesmo que sejam poucos.”
Este episódio no Canadá coloca Piastri, uma das grandes promessas do paddock, numa encruzilhada importante, onde terá de aprender rapidamente com os erros e gerir melhor a pressão nas corridas para transformar potencial em resultados concretos. A McLaren e o australiano têm ainda muito trabalho pela frente, mas se esta prova serviu para algo, foi para mostrar que o jovem talento está disposto a enfrentar os desafios de frente, mesmo quando a pista e as circunstâncias conspiram contra ele.




