Lewis Hamilton lança o desafio: Ferrari pode conquistar o GP de Mónaco e rivalizar de igual para igual com a Mercedes nas ruas de Monte Carlo. O sete vezes campeão do mundo, que tem vivido um arranque irregular ao serviço dos italianos, mostra-se confiante de que a Scuderia pode transformar o seu potencial em vitórias numa das pistas menos dependentes da potência pura do motor.
Desde que trocou o volante da Mercedes pelo vermelho da Ferrari, Hamilton tem enfrentado dificuldades, sobretudo devido a uma clara desvantagem em velocidade nas retas, onde a equipa italiana não consegue acompanhar o ritmo das Flechas de Prata. O britânico tem sido claro: “Sou capaz de os acompanhar nas curvas, mas perco muito nas retas.” Esta limitação tem condicionado o desempenho e colocado um travão às ambições de vitória.
No entanto, o recente GP do Canadá trouxe sinais animadores. Hamilton realizou a sua melhor prova desde que se juntou à Ferrari, partindo do quinto lugar e terminando no segundo, apenas atrás do piloto da Mercedes, Kimi Antonelli. No final, conseguiu ainda ultrapassar Max Verstappen, garantindo um pódio importante para a equipa de Maranello. Apesar do resultado positivo, o piloto britânico manteve a crítica ao défice de potência, sublinhando que a Ferrari continua a perder demasiado nas retas.
Agora, com a Fórmula 1 a dirigir-se para Mónaco, Hamilton vê uma oportunidade única para a Ferrari. O traçado monolítico do circuito urbano é reconhecido por ser dos menos dependentes da potência do motor, privilegiando a performance do carro, a aderência mecânica e a confiança do piloto. “É o único circuito onde a potência não é rei”, afirmou após o GP do Canadá. “Acredito que o nosso carro pode ser muito forte aí.”
O piloto revelou ainda que vai intensificar o trabalho com os engenheiros para garantir que a Ferrari chega a Monte Carlo com uma estratégia e afinação perfeitas, desde as sessões de treinos livres iniciais. “Vou focar-me em manter a energia e a dedicação que tive no Canadá. Quero estudar tudo ao detalhe com os engenheiros para posicionar o carro da melhor forma possível desde o início,” prometeu.
Apesar do otimismo, Hamilton não esconde que a Mercedes continua com uma vantagem significativa em termos de motor, um fator que pesa na luta pela vitória. “Se retirarmos a diferença de potência, estaríamos na luta com eles,” admitiu. “Mas infelizmente, não é assim que está hoje. Preciso de mais potência porque consigo acompanhar nas curvas, mas não posso carregar mais no acelerador. Eles distanciam-se nas retas e mesmo quando consigo ultrapassar, eles voltam a escapar-se.”
A disparidade é tanta que, segundo o britânico, mesmo quando está colado a menos de um segundo, a Mercedes consegue “fugir” graças à força do motor. Contudo, Hamilton mantém a esperança de que as próximas alterações regulamentares possam ajudar a Ferrari a reduzir esta lacuna e a lutar com mais afinco na frente.
“Monaco vai ser divertido,” concluiu, deixando em aberto a possibilidade de um triunfo histórico para a Scuderia no circuito mais emblemático do calendário. Com Hamilton a comandar a investida, a corrida poderá marcar o início de uma nova era de desafios entre Ferrari e Mercedes, prometendo emoções fortes para os adeptos do desporto motorizado.




