Mercedes viveu um momento de tensão e adrenalina pura no Grande Prémio do Canadá, onde a batalha feroz entre Kimi Antonelli e George Russell agitou as emoções dentro e fora das boxes. Toto Wolff, o diretor da equipa, não escondeu o “problema de luxo” que esta rivalidade interna lhe proporcionou, numa luta acesa que dominou as primeiras 30 voltas da corrida e quase se transformou num desastre.
Antonelli e Russell protagonizaram um duelo de alta voltagem, disputando cada centímetro da pista com uma intensidade que deixou Wolff em alerta máximo, temendo uma colisão entre os dois Mercedes. “Estávamos à beira de intervir várias vezes, por receio de um acidente entre eles”, confessou o chefe de equipa, descrevendo a tensão que pairava no ar. Contudo, o drama teve um desfecho inesperado: a falha na unidade de potência do W17 de Russell pôs fim à luta, permitindo a Antonelli conquistar a sua quarta vitória consecutiva e alargar a vantagem para 43 pontos sobre o colega de equipa.
Apesar da vitória, Wolff definiu o resultado como “agridoce”. “Por um lado, estamos extremamente felizes e Antonelli mereceu a vitória, mas por outro lado, sentimos pena do George, que liderava a corrida”, explicou à Sky Sports F1. O dirigente da Mercedes também admitiu que, apesar do risco evidente, desfrutaram de ver os dois pilotos a batalhar sem poupar esforços. “Assistimos a uma luta incrível, por vezes a centímetros de um choque. Quase que queríamos intervir para evitar que perdessem tempo para o Verstappen atrás, mas depois viam-se voltas rápidas outra vez.”
Wolff destacou ainda que a equipa não favoreceu nenhum dos pilotos durante a corrida: ambos tiveram acesso aos mesmos recursos, desde o modo de motor até à gestão da bateria, garantindo condições iguais para que a batalha fosse justa. “Nunca alterámos a estratégia do motor. O que defendia tinha as ferramentas necessárias, o que atacava também. Não houve qualquer diferença entre eles.” Esta igualdade de condições reforça o que Wolff apelida de “problema de luxo”, um cenário desejado para a equipa, que espera que esta disputa interna possa prolongar-se ao longo da temporada.
No entanto, o chefe da Mercedes deixou claro que a prioridade é sempre a defesa dos interesses da equipa. “Se estivéssemos mais pressionados atrás, se houvesse risco de perder posições, interviríamos imediatamente para evitar perder tempo com estas batalhas internas.”
Este episódio em Montreal deixa a Mercedes num patamar elevado, com dois pilotos a lutar de forma intensa pelo topo, mas também com a necessidade de gerir cuidadosamente a competitividade para evitar riscos desnecessários. A temporada promete continuar a ser um palco de emoções fortes, com Antonelli e Russell a protagonizarem uma das rivalidades mais eletrizantes do ano.




