Lance Stroll aponta Adrian Newey como a chave para a revolução da Aston Martin na Fórmula 1, numa altura em que a equipa luta para encontrar ritmo e fiabilidade na nova temporada. O piloto canadiano, confiante, não hesita em destacar o lendário engenheiro britânico como “a pessoa certa para o trabalho” de conceber o seu carro ideal, numa fase crítica antes do Grande Prémio do Canadá, que se aproxima com grandes expectativas.
O início da temporada de 2026 tem sido um pesadelo para a Aston Martin, que não conseguiu somar pontos nas primeiras quatro corridas — Austrália, China, Japão e Miami. Os problemas foram sobretudo causados por vibrações severas no novo motor Honda, uma parceria técnica estreada esta época. Fernando Alonso, companheiro de equipa de Stroll, reconheceu melhorias significativas após a introdução das ‘contramedidas’ da Honda, que permitiram à equipa alcançar a sua primeira dobradinha a terminar a corrida, ainda que longe dos lugares pontuáveis, com Alonso em 15.º e Stroll em 17.º.
Por detrás das câmaras, Adrian Newey, com 67 anos e o currículo mais impressionante da Fórmula 1 — mais de 200 vitórias e 26 títulos de pilotos e construtores — prepara-se para passar a liderança da equipa a Jonathan Wheatley, antigo diretor desportivo da Red Bull. A mudança permitirá a Newey focar-se exclusivamente na engenharia e desenvolvimento do monolugar, um papel para o qual é reconhecidamente o mestre. “As minhas funções como team principal têm sido um pouco distrativas do meu verdadeiro trabalho”, admitiu Newey no início da temporada.
Em entrevista ao site oficial da Aston Martin, Lance Stroll revelou as características do seu carro de sonho e explicou por que motivo Newey é o homem ideal para o desenhar. “Gosto de muito ‘grip’ mecânico nas curvas lentas e boa aderência aerodinâmica nas rápidas. Prefiro carros mais leves, com excelente capacidade de resposta e mudanças rápidas de direção, mas também quero estabilidade na traseira em zonas de travagem forte e curvas com entradas combinadas. Gosto de um carro que ‘segue o nariz’”, explicou o piloto. E acrescentou: “Se tivesse de escolher exemplos, muitos dos carros desenhados por Adrian Newey durante a era de títulos de Sebastian Vettel foram praticamente perfeitos. Temos, portanto, a pessoa certa para o trabalho.”
Honda, por seu lado, divulgou avanços importantes no desenvolvimento do seu motor antes do GP do Canadá. Shinatro Orihara, diretor geral e engenheiro-chefe da marca japonesa, confirmou que a prioridade agora é melhorar a ‘driveability’ e a gestão energética do motor, elementos fundamentais para dar mais confiança aos pilotos e melhorar os tempos por volta. “Em Miami, confirmámos melhorias nas vibrações da bateria e na fiabilidade geral da unidade de potência. Também foi uma oportunidade crucial para aprender sobre a gestão energética sob as novas regras de 2026, que vamos continuar a explorar em Montreal,” afirmou Orihara. O Japão vê o GP do Canadá, corrida caseira de Stroll, como um momento estratégico para dar um salto qualitativo.
Este ano, a Aston Martin enfrenta também o desafio extra de produzir o seu próprio caixa de velocidades — um componente vital e particularmente exigente no circuito de Montreal, conhecido pelas fortes travagens. Alonso foi claro ao identificar a caixa como um dos principais pontos a melhorar: “Honestamente, a caixa foi mais problemática do que o motor durante todo o fim de semana em Miami. O controlo nas mudanças, tanto para subir como para descer velocidades, não foi o esperado. É a prioridade número um para o Canadá, especialmente com as zonas de travagem intensa. Precisamos de melhorar o comportamento da caixa.” Ainda não se sabe se a equipa já efetuou as alterações necessárias para esta corrida.
Com todos estes elementos em jogo, o Grande Prémio do Canadá representa um teste crucial para a Aston Martin, que procura finalmente traduzir a sua aliada técnica em resultados concretos. A presença de Adrian Newey, focado no desenvolvimento do carro ideal e a confiança renovada após os avanços da Honda, são sinais promissores para a equipa britânica. Resta saber se em Montreal, a casa de Stroll, a maré irá finalmente virar. A Fórmula 1 portuguesa e internacional estará certamente atenta.




