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Jeep vai produzir dois novos modelos elétricos na China mas os EUA ficam de fora

Publicado a 20 de Outubro de 2026, 12h00  ·  Atualizado a 20 de Outubro de 2026, 13h07  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Jeep vai produzir dois modelos elétricos na China através da Dongfeng, com lançamento a partir de 2027.
  • Os veículos serão comercializados na Europa, China, Ásia, Canadá e México, mas não nos EUA.
  • Os modelos utilizarão plataformas da Dongfeng e sistemas de assistência à condução com tecnologia da empresa chinesa Momenta.

A marca norte-americana vai recorrer à Dongfeng para fabricar dois futuros modelos elétricos, com lançamento previsto a partir de 2027. Os automóveis destinam-se a vários mercados internacionais, incluindo a Europa, mas não serão vendidos nos Estados Unidos, devido às restrições impostas aos veículos e às tecnologias chinesas.

A Jeep prepara-se para dar um passo que pode parecer contraditório com o atual clima político nos Estados Unidos: produzir dois dos seus futuros modelos elétricos na China. A partir de 2027, a marca pertencente à Stellantis deverá recorrer às fábricas da Dongfeng para desenvolver uma nova ofensiva de produtos destinados aos mercados internacionais.

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A decisão surge numa altura em que Washington mantém uma posição particularmente restritiva em relação à indústria automóvel chinesa, através de tarifas aduaneiras e limitações às tecnologias provenientes daquele país. Ainda assim, a Stellantis pretende aproveitar a capacidade industrial e os recursos tecnológicos dos seus parceiros chineses para acelerar o desenvolvimento de novos veículos.

Segundo as informações divulgadas, os dois modelos serão totalmente elétricos e utilizarão plataformas da Dongfeng. Os sistemas de assistência à condução deverão recorrer a tecnologia desenvolvida pela empresa chinesa Momenta.
Europa está na mira, mas os Estados Unidos ficam de fora

Europa está na mira, mas EUA ficam de fora

Os futuros modelos Jeep deverão ser comercializados em vários mercados, incluindo a China, outros países asiáticos e a Europa. O Canadá e o México também estarão entre os mercados considerados, embora a estratégia de comercialização dependa das condições de cada país.

O mercado norte-americano ficará, para já, excluído. A decisão está relacionada com as restrições impostas pelos Estados Unidos aos automóveis produzidos na China e à utilização de determinadas tecnologias chinesas nos veículos comercializados no país.

A situação ilustra o equilíbrio delicado que os fabricantes globais procuram encontrar: por um lado, têm de responder às exigências políticas e comerciais dos mercados onde operam; por outro, procuram reduzir custos e aproveitar as vantagens industriais de regiões onde a produção automóvel dispõe de grande capacidade.

Para a Dongfeng, o acordo representa uma oportunidade para manter as suas fábricas ocupadas e aumentar a produção destinada à exportação, num mercado chinês cada vez mais competitivo.
Será este o regresso do Jeep Renegade?

Será este o regresso do Renegade?

Embora ainda não tenham sido divulgados os nomes ou as características dos dois modelos, uma das possibilidades apontadas é o regresso do Jeep Renegade, ou de um sucessor desenvolvido para ocupar o mesmo espaço na gama.

O SUV foi lançado em 2014 e tornou-se um dos modelos importantes da marca na Europa. A sua eventual substituição enquadrar-se-ia nos planos da Jeep para renovar a oferta e reforçar a eletrificação.

A marca já indicou que pretende lançar seis novos modelos até 2030. No entanto, não existe confirmação de que o sucessor do Renegade seja um dos dois veículos a produzir pela Dongfeng.

A parceria poderá, ainda assim, permitir à Jeep acelerar o lançamento de novos produtos, recorrendo a plataformas já desenvolvidas e a tecnologias disponíveis na China, em vez de suportar isoladamente todos os custos de engenharia.
A Peugeot também poderá beneficiar da parceria

A estratégia não deverá limitar-se à Jeep. A Stellantis poderá recorrer igualmente à capacidade industrial da Dongfeng para apoiar a produção de modelos de outras marcas do grupo, incluindo a Peugeot.

O contexto europeu ajuda a explicar esta possibilidade. A indústria automóvel enfrenta dificuldades na gestão dos custos dos veículos elétricos, desde o desenvolvimento das plataformas até ao fornecimento de baterias, ao mesmo tempo que algumas fábricas têm capacidade disponível.

A produção na China poderá oferecer uma alternativa para determinados modelos, permitindo à Stellantis aproveitar instalações existentes e beneficiar de uma cadeia de fornecimento já estruturada para veículos elétricos.

Esta abordagem levanta, contudo, questões sobre o futuro da produção europeia e o impacto que uma maior transferência de atividade para a China poderá ter no emprego industrial.
A Jeep já produziu automóveis na China

A Jeep já produziu automóveis na China

Apesar de ser uma das marcas mais associadas à tradição automóvel norte-americana, a Jeep não está a entrar num território desconhecido.

A marca já teve operações de produção na China, incluindo uma parceria para fabricar modelos Cherokee em Pequim, iniciada na década de 1980. Mais tarde, outras colaborações permitiram produzir veículos Jeep no país, antes de uma quebra nas vendas contribuir para o fim da parceria com a GAC.

O acordo com a Dongfeng representa, assim, uma nova etapa numa relação industrial que tem antecedentes, mas que ganha agora importância num contexto de forte concorrência entre fabricantes chineses e ocidentais.

A grande diferença está no destino dos automóveis: desta vez, dois modelos elétricos desenvolvidos com tecnologia chinesa deverão chegar a vários mercados internacionais, incluindo a Europa, mas não ao país de origem da própria Jeep.

Para a Stellantis, o objetivo será aproveitar a capacidade e a experiência tecnológica da China para renovar a gama e melhorar a competitividade. Resta saber quais serão os modelos escolhidos e se esta estratégia permitirá à Jeep conquistar novos clientes sem comprometer a identidade que tornou a marca conhecida em todo o mundo.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  674 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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