Tata enterra o seu novo carro de 5.500 dólares em 20 toneladas de cascalho. E não, não é uma piada
O essencial
- O Tata Aeris custa 5.500 dólares e passa a estar disponível para encomenda na Índia com primeiras entregas a 11 de outubro.
- A Tata submeteu o Aeris a um teste extremo: despejou 20 toneladas de cascalho sobre o tejadilho para provar a resistência estrutural.
- O Aeris tem 3,995 metros de comprimento, oferece cinco lugares e uma bagageira de 419 litros, disponível com motores a gasolina ou GNC.
- O interior inclui ecrã de infotainment de 10,25 polegadas, câmara de 360 graus, carregamento sem fios e seis airbags de série.
Se queria provar que o novo Tata Aeris é resistente, a marca indiana podia ter escolhido um teste normal. Preferiu enterrá-lo vivo.
Há campanhas de lançamento que apostam em modelos bonitos, estradas panorâmicas e música épica. E depois há a Tata, que aparentemente olhou para o novo Aeris, pensou «vamos mostrar que isto aguenta tudo» e decidiu despejar 20 toneladas de cascalho em cima do carro. Sim, leu bem. Vinte toneladas.
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O resultado? O tejadilho ficou amassado, os vidros partiram-se, mas o habitáculo permaneceu intacto, as portas continuaram a abrir e, depois de ser desenterrado, o pequeno sedã voltou a pegar e saiu pelo próprio pé. Tudo isto num carro que custa apenas 5,29 lakh de rúpias na Índia, qualquer coisa como 5.500 dólares.

Pequeno por fora, teimoso por natureza
Pequeno sedã indiano com dimensões compactas
O Tata Aeris pode ter um nome novo, mas não nasceu propriamente ontem. É, na realidade, uma evolução profunda do Tata Tigor, um modelo lançado originalmente em 2017 e que entretanto recebeu várias atualizações.
Com 3,995 metros de comprimento, o Aeris continua a jogar no campeonato dos pequenos sedãs urbanos. A fórmula é simples: dimensões compactas, cinco lugares, uma bagageira razoável e um preço que faria muitos automóveis ocidentais parecerem produtos de luxo.
Visualmente, a Tata deu-lhe uma aparência mais moderna. A frente recebeu novos faróis, uma grelha em preto brilhante e um para-choques redesenhado, enquanto o perfil continua praticamente igual ao do Tigor.
Há também novas jantes de 14 ou 15 polegadas e alguns detalhes em plástico junto às cavas das rodas.

Na traseira, as alterações são mais evidentes, com novos grupos óticos mais estreitos e uma solução que dá a impressão de existir uma faixa luminosa a atravessar toda a largura do carro.
Não é exatamente um Ferrari. Mas também não pretende ser.
Interior modernizado por cinco mil dólares
Por dentro, a história fica mais interessante
O interior mantém a arquitetura conhecida, mas recebeu uma boa dose de modernização. O painel de instrumentos foi redesenhado, as saídas de ventilação são novas e a Tata recorreu a materiais com conteúdo reciclado. Nas versões automáticas há ainda um seletor rotativo e patilhas atrás do volante.
E depois começamos a entrar numa zona que torna o preço do Aeris particularmente curioso.

Nas versões mais equipadas encontramos um ecrã de infotainment de 10,25 polegadas, painel de instrumentos digital, carregamento sem fios para dois smartphones, câmara de 360 graus, sensores de estacionamento traseiros, câmara de bordo, bancos dianteiros ventilados e saídas de ar para os passageiros traseiros. Há ainda seis airbags de série em toda a gama.
Ou seja: por pouco mais de cinco mil dólares, a Tata não se limitou a colocar quatro rodas e um volante.
A bagageira oferece 419 litros, enquanto o habitáculo pode transportar cinco ocupantes.
Dois motores, nenhum deles elétrico
Dois motores atmosféricos de 1,2 litros
Debaixo do capô não há grandes surpresas. O Aeris utiliza uma evolução da arquitetura Tata XAlpha e está disponível com dois motores de 1,2 litros atmosféricos.
A versão a gasolina produz 85 cv, enquanto a variante alimentada a GNC fica pelos 75 CV.
A potência chega às rodas dianteiras através de uma caixa manual de cinco velocidades ou de uma transmissão automática também de cinco relações.
Não é um carro pensado para fazer desaparecer pneus num semáforo.

É um carro pensado para levar alguém de casa para o trabalho, atravessar o trânsito de uma cidade indiana e, idealmente, fazê-lo gastando pouco dinheiro. E, aparentemente, sobreviver a uma avalanche de cascalho.
Enterrado sob 20 toneladas de cascalho
A Tata decidiu literalmente enterrá-lo
É aqui que o lançamento do Aeris passa de uma apresentação automóvel normal para uma espécie de episódio de MythBusters.
Para demonstrar a resistência estrutural do carro e, em particular, as credenciais de segurança da versão a GNC, a Tata submeteu o Aeris a uma série de testes.
E finalmente… 20 toneladas de pedras e detritos despejadas sobre o tejadilho.
O objetivo era simples: mostrar que, mesmo perante uma situação extrema, o habitáculo consegue manter a sua integridade. O Aeris ficou completamente soterrado.
Quando finalmente retiraram o material, o resultado não era propriamente bonito. O tejadilho estava deformado e os vidros tinham partido.
Mas havia um detalhe bastante mais importante: o habitáculo permaneceu intacto, as portas abriram e o motor voltou a funcionar. O carro saiu dali pelos seus próprios meios.
Convém, naturalmente, colocar um asterisco nesta história: as 20 toneladas de material não caíram de uma só vez sobre o automóvel. O cascalho foi acumulado progressivamente.
Ainda assim, é difícil imaginar uma forma mais literal de dizer ao cliente: «isto aguenta».
E quanto custa?
O Aeris já está disponível para encomenda na Índia, com as primeiras entregas previstas para 11 de outubro. A versão de entrada Smart, equipada com caixa manual, custa 5,29 lakh de rúpias, cerca de 5.500 dólares.
No outro extremo da gama surge a versão Accomplished, equipada com motor a GNC e caixa automática, com um preço de 9,74 lakh de rúpias, aproximadamente 10.200 dólares.
Isto coloca o Aeris entre os automóveis de três volumes mais baratos disponíveis naquele mercado, ficando abaixo de rivais como o Hyundai Aura, Honda Amaze e Suzuki Dzire. E é precisamente aqui que o pequeno Tata começa a fazer sentido.
Não pretende ser o carro mais rápido, mais luxuoso ou mais sofisticado do planeta. Pretende ser barato, prático, equipado e resistente.
Tão resistente, aparentemente, que a Tata achou boa ideia enterrá-lo debaixo de 20 toneladas de pedras para provar isso.
Há maneiras mais discretas de apresentar um carro novo. Mas, convenhamos, nenhuma delas daria um título tão bom.
Ficha técnica
- Comprimento
- 3,995 metros
- Cilindrada
- 1,2 litros
- Potencia
- 85 cv (gasolina) ou 75 cv (GNC)
- Transmissao
- Manual de cinco velocidades ou automática de cinco relações
- Ocupantes
- Cinco
- Bagageira
- 419 litros
- Airbags
- Seis de série
- Preco
- 5.500 dólares (versão Smart) a 10.200 dólares (versão Accomplished)
AutoGear · 500 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.