Escort Mk1 RS da Boreham, um lobo com pele de clássico de 1968
Na imagem, o Ford Escort Mk1 RS da Boreham Motorworks, o automóvel para que foi feito o motor TEN-K, numa fotografia oficial da marca
O Boreham TEN-K chega aos 330 cv sem turbo porque roda até às 10 000 rpm, num motor completo de apenas 85 kg, segundo a Boreham Motorworks. A empresa britânica apresentou-o em novembro de 2025 para o Ford Escort Mk1 RS, que vai construir em 150 unidades com licença da Ford.
O essencial
- O Boreham TEN-K tem 2,1 litros e debita 330 cv às 10 000 rpm, sem turbo, segundo a marca.
- O motor completo pesa 85 kg, com bloco impresso em 3D, cambota em billet e cárter seco.
- O Ford Escort Mk1 RS que o usa terá 150 unidades e um peso-alvo de 895 kg.
A Boreham Motorworks decidiu não pôr turbo no motor do seu Ford Escort Mk1 RS. Os 330 cv do TEN-K vêm da rotação alta e de peças leves o suficiente para a aguentar.
Porque é que rodar alto dá potência

A potência de um motor é o binário multiplicado pela rotação. Sem um turbo a empurrar mais ar para dentro dos cilindros, um atmosférico com a mesma cilindrada ganha potência sobretudo se fizer mais ciclos por minuto. O TEN-K segue esse caminho, com quatro cilindros em linha, 2,1 litros e 330 cv às 10 000 rpm, de acordo com a Boreham Motorworks, que o apresentou a 12 de novembro de 2025.
A 10 000 rpm, as forças nas peças que sobem e descem crescem muito, e por isso cada grama conta. No comunicado de apresentação, a marca fala numa cambota em billet, maquinada a partir de um bloco maciço. A ficha do Escort Mk1 RS acrescenta componentes em billet, bielas forjadas, um volante do motor de massa única e baixa inércia e uma embraiagem de disco duplo.
Como o ar entra no Boreham TEN-K

A cabeça tem 16 válvulas e condutas com uma geometria inspirada na Fórmula 1, segundo a Boreham. As árvores de cames são acionadas por correia, cada cilindro tem o seu corpo de borboleta e a caixa de ar é em fibra de carbono, ligada a uma admissão de baixas perdas.
Segundo a CarBuzz, a borboleta individual faz o motor responder logo ao acelerador. Este é eletrónico (fly-by-wire) e pode ser calibrado para respostas diferentes. “Procuramos uma experiência de condução muito visceral, algo memorável, o que significa desempenho instantâneo”, disse Laine Martin, responsável pelos motores da Boreham, citado pela CarBuzz.
Um bloco impresso em 3D

O bloco é uma peça fundida de paredes finas, impressa em 3D, segundo a marca. A CarBuzz explica que as paredes finas dos cilindros tiram peso e ajudam o arrefecimento. A lubrificação por cárter seco poupa mais uns quilos e deixa montar o motor mais baixo no chassis.
O AutoGear pôs lado a lado a ficha do modelo e os comunicados da marca de novembro de 2025 e de junho de 2026, e os 330 cv, as 10 000 rpm e os 85 kg batem certo nos três. Só a cilindrada muda, porque o comunicado de junho fala em 2,152 litros. A CarBuzz dá 325 hp, a unidade americana, que correspondem aos mesmos 330 cv.
Veja o motor apresentado no vídeo publicado pela Boreham Motorworks.
De 300 para 330 cv
O AutoGear foi ainda ao primeiro comunicado, o que revelou o projeto, e aí a Boreham falava em 300 cv às 10 000 rpm e num peso-alvo de 800 kg para o Escort. Depois de seis meses de ensaios no banco de potência, a marca diz que os resultados ficaram acima dos objetivos. Hoje anuncia 330 cv e um peso-alvo de 895 kg.
O motor saiu da equipa de Laine Martin, que tratou da calibração e dos sistemas de controlo de motores da Ford, e de Simon Goodliff, antigo engenheiro-chefe da Ford. A potência passa por uma caixa manual de cinco velocidades com a primeira em dog-leg. Como alternativa, a marca tem um Twin-Cam de 185 cv às 8500 rpm.
A história do Escort nos ralis
O nome vem do aeródromo de Boreham, perto de Chelmsford, onde a Ford instalou o departamento de competição em 1963, por decisão de Walter Hayes. Segundo a página de história da Boreham Motorworks, foi ali que nasceu o Escort Twin Cam, em 1967, e que se construíram 25 unidades em 1968 para os ralis e as corridas.
Em 1970, os Escort acabaram o rali Londres-México em 1.º, 3.º, 5.º, 6.º e 8.º, resultado que deu nome ao Escort Mexico, a que se seguiu o RS1600. Segundo o comunicado de junho de 2026, as linhas do novo modelo inspiram-se nos Escort da Alan Mann Racing de 1967 e 1968.
Quantos vão ser construídos
A Boreham limita o Escort Mk1 RS a 150 unidades em todo o mundo, com volante à esquerda ou à direita, e dá-lhe dois anos de garantia. A marca não diz nada sobre a venda em Portugal.
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Perguntas e respostas
Como consegue o Ford Escort Mk1 RS da Boreham 330 cv sem turbo num motor de 85 kg?
O motor TEN-K roda até às 10 000 rpm, segundo a Boreham Motorworks, e para isso usa peças leves, como a cambota em billet e as bielas forjadas. Tem ainda 16 válvulas e um corpo de borboleta por cilindro, e o conjunto pesa 85 kg.
Quanto pesa o motor Boreham TEN-K?
O motor completo pesa 85 kg, segundo a Boreham Motorworks. O bloco é impresso em 3D com paredes finas e a lubrificação é por cárter seco, o que também deixa montá-lo mais baixo.
Quantos Ford Escort Mk1 RS vai a Boreham construir?
A Boreham Motorworks limita o Escort Mk1 RS a 150 unidades em todo o mundo, com volante à esquerda ou à direita. O modelo tem licença da Ford e dois anos de garantia.
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Ficha técnica
- Motor
- Quatro cilindros em linha atmosférico
- Cilindrada
- 2,1 litros
- Potencia
- 330 cv às 10 000 rpm
- Peso do motor
- 85 kg
- Transmissao
- Caixa manual de cinco velocidades com primeira em dog-leg
- Embraiagem
- Disco duplo
- Peso-alvo do Escort
- 895 kg
- Producao
- 150 unidades
- Garantia
- Dois anos
AutoGear · 3279 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.