Porque é que o carregamento rápido abranda depois dos 80%?
Na imagem, um Hyundai IONIQ 6 a carregar num posto rápido da rede IONITY, numa fotografia oficial da Hyundai
O carregamento rápido de um elétrico abranda depois dos 80% porque, segundo o clube alemão ADAC, quanto mais cheia está a bateria, menos potência aguenta sem se danificar. Em viagem, o ADAC aconselha a começar com a bateria baixa e a desligar a ficha nos 80%.
O essencial
- Segundo o ADAC, a partir dos 80% a gestão da bateria só permite correntes de carregamento muito baixas.
- A Hyundai anunciou para o IONIQ 5, no lançamento em 2021, um carregamento de 10 a 80% em 18 minutos num posto de 350 kW.
- Na rede Mobi.E, o operador do posto pode cobrar por kWh, por minuto, por sessão ou por uma combinação destas.
Quem faz a primeira viagem longa de elétrico repara depressa no padrão: o posto rápido entrega muita potência com a bateria vazia e cada vez menos à medida que ela enche. É a curva de carregamento, e ajuda a perceber porque é que os tempos anunciados pela Hyundai e pela Renault param nos 80%.
Porque abranda o carregamento rápido
A potência que entra na bateria é decidida pelo sistema de gestão da bateria do próprio automóvel, que a ajusta ao estado de carga e à temperatura das células. Segundo o ADAC, quanto mais cheia está a bateria, menos potência consegue receber sem se danificar. O clube alemão acrescenta que a gestão da bateria também corta a potência quando as células ameaçam aquecer demasiado ou ainda estão frias.
A partir dos 80%, escreve o ADAC, a gestão da bateria só deixa passar correntes de carregamento muito baixas. O tempo que falta até encher passa a ser desproporcionado, nas palavras do clube.
O que as marcas anunciam

A Hyundai anuncia para o IONIQ 5 um carregamento de 10 a 80% em 18 minutos num posto de 350 kW, segundo o dossier de imprensa do lançamento, de 2021. A marca manteve os 18 minutos quando passou para a bateria de 77,4 kWh, de acordo com o comunicado de 2022.
A Renault usa outra janela no Scenic E-Tech, cuja atualização o AutoGear já noticiou. No comunicado de 1 de setembro de 2026, a versão com bateria NMC de 89 kWh carrega de 15 a 80% em 28 minutos, com um pico de 150 kW. A nova bateria LFP de 67 kWh faz o mesmo intervalo em 24 minutos, com um pico de 165 kW.
A curva depende de onde começa

No teste publicado a 18 de março de 2026, o ADAC carregou os automóveis de 10 a 80% num posto Alpitronic de 300 kW, depois de os pré-condicionar durante a noite a 20 ºC. O Volkswagen ID.3 medido ainda recebia 100 kW quando passava pelos 50%. Ligado ao posto já com metade da bateria, começou com apenas cerca de 60 kW.
Na prática, compensa chegar ao posto com a bateria baixa. Num conselho publicado em 2025, o ADAC recomenda ainda ativar o condicionamento da bateria alguns minutos antes de chegar ao posto, pela navegação ou à mão, nos modelos que o permitem.
A espera num posto que cobra ao minuto

Na rede Mobi.E, a tarifa do operador do posto pode ser por kWh, por minuto, por sessão ou uma combinação destas, segundo a Mobi.E. Como o AutoGear explicou no guia sobre quem cobra o quê num posto público, a conta final soma várias parcelas, e é a parcela ao minuto que torna cara a espera.
As contas fazem-se com os números do ADAC. A 100 kW, um minuto de posto mete cerca de 1,7 kWh na bateria; a 60 kW, mete 1 kWh. À mesma tarifa por minuto, cada kWh dessa parcela sai cerca de 67% mais caro no segundo caso. Acima dos 80%, com as correntes muito baixas de que fala o ADAC, cada minuto rende ainda menos energia.
Vale a pena carregar até aos 100%?
Para poupar tempo, não. A recomendação do ADAC é começar a carregar com a bateria baixa e terminar nos 80%, porque a partir daí o carregamento demora desproporcionadamente. Ir até ao fim só compensa quando essa energia faz falta para chegar ao posto seguinte ou ao destino.
Nem a Hyundai nem a Renault publicam, nestes três comunicados, o tempo de 80 a 100% em corrente contínua. É esse o número que o condutor só fica a conhecer no ecrã do posto.
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Perguntas e respostas
Porque é que o carregamento rápido abranda depois dos 80% e quando se deve parar?
Segundo o ADAC, quanto mais cheia está a bateria, menos potência consegue receber sem se danificar, e a partir dos 80% a gestão da bateria só permite correntes muito baixas. Em viagem, o clube alemão aconselha a começar com a bateria baixa e a terminar nos 80%.
Carregar num posto que cobra ao minuto fica mais caro acima dos 80%?
Na parcela ao minuto, sim. Na rede Mobi.E o operador pode cobrar por kWh, por minuto, por sessão ou por uma combinação destas, e acima dos 80% cada minuto mete menos energia na bateria. Com os números do ADAC, um minuto a 60 kW rende 1 kWh, contra cerca de 1,7 kWh a 100 kW.
Quanto tempo demora a carregar um elétrico de 10 a 80%?
Depende do modelo e do posto. Nos comunicados de 2021 e 2022, a Hyundai anunciou 18 minutos de 10 a 80% para o IONIQ 5 num posto de 350 kW, e a Renault anuncia 28 minutos de 15 a 80% para o Scenic E-Tech com bateria de 89 kWh.
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Ficha técnica
- Bateria
- 77,4 kWh (Hyundai IONIQ 5)
- Bateria
- 89 kWh NMC (Renault Scenic E-Tech)
- Bateria
- 67 kWh LFP (Renault Scenic E-Tech)
- Tempo de carregamento
- 10 a 80% em 18 minutos a 350 kW (Hyundai IONIQ 5)
- Tempo de carregamento
- 15 a 80% em 28 minutos a 150 kW (Renault Scenic E-Tech NMC)
- Tempo de carregamento
- 15 a 80% em 24 minutos a 165 kW (Renault Scenic E-Tech LFP)
AutoGear · 3259 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.