Que motor vai ter o protótipo a hidrogénio de Le Mans?
A traseira do H24EVO, numa imagem oficial da MissionH24
A Toyota vai fornecer um V6 a hidrogénio líquido de 3,5 litros ao H24EVO, o protótipo do ACO para o hidrogénio em Le Mans, num acordo anunciado a 26 de setembro, em Fuji. O motor substitui a pilha de combustível e, com o sistema híbrido, deverá chegar aos 650 kW (cerca de 884 cv), segundo a MissionH24.
O essencial
- A Toyota vai fornecer ao H24EVO um V6 de 3,5 litros a hidrogénio líquido, num acordo anunciado a 26 de setembro, em Fuji.
- Com o sistema híbrido, o conjunto deverá chegar aos 650 kW (cerca de 884 cv), segundo a MissionH24.
- O motor de combustão substitui a pilha de combustível usada nos protótipos anteriores do programa do ACO.
O acordo foi anunciado ao público e aos jornalistas a 26 de setembro, no circuito de Fuji, no Japão, durante a prova do Mundial de Resistência (WEC), segundo a MissionH24. A MissionH24 é o projeto que o Automobile Club de l'Ouest (ACO), organizador das 24 Horas de Le Mans, lançou em 2018 com a H24Project.
A mudança é de fundo. Os protótipos anteriores do programa, o LMPH2G e o H24, andavam com hidrogénio gasoso e uma pilha de combustível. O H24EVO muda as duas coisas: leva depósitos de hidrogénio líquido e troca a pilha por um motor de combustão, como escreveu a Sportscar365.
Como é o V6 a hidrogénio

O motor é um V6 de 3,5 litros que a Toyota Racing desenvolveu para a competição. Ligado ao sistema híbrido do protótipo, deverá dar no máximo 650 kW (cerca de 884 cv), segundo a MissionH24. É o valor anunciado pelos promotores, e não uma medição em pista.
Com essa potência, a referência passa a ser o andamento dos protótipos da European Le Mans Series (ELMS), um degrau acima do nível LMGT3 que os antecessores tinham como alvo, de acordo com a MissionH24. A Toyota já ajudava o projeto na refrigeração e na aerodinâmica. Agora entra com o motor, e a integração com o chassis e a caixa de velocidades já começou, segundo a Sportscar365.
Pilha de combustível ou combustão
As duas soluções gastam o mesmo combustível de maneiras diferentes. Na pilha de combustível, o hidrogénio reage com o oxigénio do ar e produz eletricidade, que alimenta motores elétricos. No motor de combustão, o hidrogénio queima-se nos cilindros, como a gasolina num motor convencional.
A MissionH24 justifica a escolha com a eficiência. Bassel Aslan, diretor técnico do projeto, diz que o motor tira mais partido do hidrogénio líquido que vai a bordo e aumenta a autonomia do protótipo, o que pesa numa prova de resistência. Do lado da Toyota, a razão é também de princípio. “É um marco importante para a Toyota Racing, porque a nossa missão é explorar continuamente as possibilidades do desenvolvimento do motor de combustão”, disse Kazuki Nakajima, vice-presidente da Toyota Racing, citado pela Sportscar365.
O que já rodou em Le Mans
A aposta não começa agora. A Toyota corre com hidrogénio desde 2021 no campeonato japonês Super Taikyu, com o GR Corolla H2 Concept da Rookie Racing, primeiro com hidrogénio gasoso e, desde 2023, com hidrogénio líquido, segundo a Toyota Europa. O AutoGear já tinha acompanhado a aposta da marca no hidrogénio noutra disciplina, quando noticiou que a Toyota leva a Hilux a hidrogénio ao Dakar 2027.
Em junho, a marca japonesa levou o TR LH2 Racing Prototype ao Circuito de la Sarthe, com 13,626 km. Usa o mesmo chassis do TR010 Hybrid, o Hypercar da Toyota nas 24 Horas, e deu as primeiras voltas de demonstração a 11 de junho, com Kazuki Nakajima ao volante, e tinha uma segunda sessão marcada para dia 13, segundo a Toyota Europa. Foi com o que aprendeu no Super Taikyu que a Toyota desenvolveu este protótipo, de acordo com a Sportscar365.
O que falta decidir para 2030

Segundo a Sportscar365, o WEC deverá ter uma classe para automóveis a hidrogénio a partir de 2030. Para já, é uma previsão, e o H24EVO serve para preparar esse caminho. “O hidrogénio é uma das soluções para descarbonizar a mobilidade”, disse Pierre Fillon, presidente do ACO e copresidente da MissionH24.
Jean-Michel Bouresche, diretor-executivo da H24Project e também copresidente da MissionH24, falou num “sinal forte para todos os intervenientes do setor do hidrogénio”. Nesse setor a Toyota também trabalha fora das pistas, e o AutoGear já contou como a marca e a IVECO apostam nos camiões a hidrogénio, com mais de 900 km de autonomia.
Segundo a Sportscar365, o plano é mostrar ao público a nova versão do H24EVO em Le Mans, em 2028.
Leia também
- Toyota leva Hilux a hidrogénio ao Dakar 2027
- Mais de 900 km de autonomia: IVECO e Toyota apostam tudo nos camiões a hidrogénio
Perguntas e respostas
Que motor vai a Toyota dar ao H24EVO, o protótipo a hidrogénio de Le Mans?
Um V6 de 3,5 litros a hidrogénio líquido, desenvolvido pela Toyota Racing para a competição. Ligado ao sistema híbrido do H24EVO, deverá dar até 650 kW (cerca de 884 cv), segundo a MissionH24.
Porque é que o H24EVO troca a pilha de combustível por um motor de combustão?
Segundo Bassel Aslan, diretor técnico da MissionH24, o motor tira mais partido do hidrogénio líquido e aumenta a autonomia do protótipo. Kazuki Nakajima, vice-presidente da Toyota Racing, diz que a missão da equipa é explorar as possibilidades do motor de combustão.
Quando vai haver uma classe de hidrogénio no WEC?
Segundo a Sportscar365, o WEC deverá ter uma classe para automóveis a hidrogénio a partir de 2030, mas para já é uma previsão. A nova versão do H24EVO deverá ser mostrada ao público em Le Mans em 2028.
"À procura do próximo carro? Espreita as oportunidades disponíveis na Carmine.pt"
Ficha técnica
- Motor
- V6 a hidrogénio líquido
- Cilindrada
- 3,5 litros
- Potencia
- 650 kW (cerca de 884 cv)
- Combustivel
- Hidrogénio líquido
- Sistema
- Híbrido
AutoGear · 3257 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.