Mercedes ameaça fechar duas fábricas alemãs se os custos não descerem
Fotografia de imprensa da Mercedes no complexo de Sindelfingen, divulgada num arranque de produção da Classe S. Não retrata a assembleia de trabalhadores nem as fábricas em causa neste aviso.
Duas fábricas da Mercedes na Alemanha podem fechar se não houver acordo para cortar custos, avisou Michael Schiebe, administrador da produção, a 21 de setembro numa assembleia de trabalhadores em Sindelfingen. A marca não identificou as unidades em causa e garante que não há decisão tomada.
O essencial
- Michael Schiebe, administrador da produção da Mercedes, avisou a 21 de setembro em Sindelfingen que uma fábrica de montagem e uma de motores podem fechar na Alemanha.
- A marca não identificou os locais nem deu prazos, e diz que quer manter todas as unidades alemãs.
- A IG Metall contou cerca de 175 000 participantes num dia de ação nacional realizado nessa data, em cerca de 280 locais.
Schiebe disse aos trabalhadores que a Mercedes quer manter todos os locais alemães, mas que terá de encerrar uma fábrica de montagem e uma de motores e componentes no país se as medidas necessárias não forem acordadas. Um porta-voz da empresa confirmou as declarações à agência dpa, citada pela Radio Bremen.
Para já, nada está decidido. A marca não apontou nomes, não deu prazos e não disse quanto quer poupar.
Que fábricas da Mercedes estão em risco

A marca alemã monta automóveis em três unidades no país: Sindelfingen, Rastatt e Bremen. Em Bremen, de onde sai o GLC, a fábrica trabalha no máximo da capacidade e sustenta cerca de 30 000 postos de trabalho em Bremen e arredores, segundo a Radio Bremen. Nos motores e componentes, as fontes consultadas pelo AutoGear identificam Untertürkheim, com as unidades de Mettingen e Hedelfingen, e Kamenz, onde se montam as baterias.
Um dia de protestos em toda a Alemanha
No mesmo dia, a IG Metall levou à rua um dia de ação nacional contra os cortes de postos de trabalho na indústria automóvel. O sindicato contou cerca de 175 000 participantes em cerca de 280 ações, segundo a IG Metall, com trabalhadores da Volkswagen, da Mercedes-Benz, da Audi e de dezenas de fornecedores. Em Bremen juntaram-se cerca de 3000 pessoas, segundo a Radio Bremen.
“Despedir trabalhadores não salva a economia”, disse Christiane Benner, presidente da IG Metall. O sindicato pede o fim dos encerramentos e das reduções de pessoal, investimento em produtos, tecnologia e locais de produção, e a manutenção da semana de 35 horas.
Porque é que produzir na Alemanha ficou caro

A Mercedes calcula que produzir na Hungria fica 70% mais barato do que na Alemanha, contas retomadas pelo Carscoops, que cita o Eurostat para os custos do trabalho na indústria: 49,50 euros por hora de um lado, 15,60 euros do outro. A fábrica de Kecskemét duplicou a capacidade para 400 000 unidades por ano e é hoje a maior da marca na Europa. A gestão quer travar os custos de trabalho, e as propostas em cima da mesa passam por rever pagamentos especiais e por os trabalhadores darem mais pelo mesmo dinheiro, o que está na origem dos protestos.
O que isto muda para quem compra cá

Nenhuma das fontes consultadas liga o aviso a preços ou a prazos de entrega em Portugal, e o AutoGear não encontrou qualquer comunicado do importador sobre mudanças na rede do nosso país. O que está em jogo são as fábricas de onde saem os modelos vendidos cá. A produção do novo GLA elétrico já arrancou em Rastatt, com motores e eixos vindos de Untertürkheim e baterias montadas em Kamenz, segundo a electrive, que nota que a marca põe a versão elétrica na estrada antes da híbrida e da versão a combustão.
O GLA parte de 48 599 euros na Alemanha, com autonomia até 657 km consoante a configuração, e carrega até 320 kW. Os preços portugueses ainda não foram anunciados.
O novo GLA chega aos concessionários em novembro, segundo a electrive. A Mercedes não disse quando decide o que fazer às fábricas alemãs.
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Perguntas e respostas
Que fábricas da Mercedes podem fechar na Alemanha?
A Mercedes não identificou nenhuma. Michael Schiebe, administrador da produção, disse apenas que terá de fechar uma fábrica de montagem e uma de motores e componentes se não houver acordo sobre a redução de custos. A marca monta automóveis em Sindelfingen, Rastatt e Bremen.
Quantos trabalhadores participaram nos protestos de 21 de setembro?
A IG Metall contou cerca de 175 000 participantes em cerca de 280 ações em toda a Alemanha, com trabalhadores da Volkswagen, da Mercedes-Benz, da Audi e de dezenas de fornecedores. Em Bremen juntaram-se cerca de 3000 pessoas, segundo a Radio Bremen.
O aviso da Mercedes afeta os preços em Portugal?
Nenhuma das fontes consultadas estabelece essa ligação. A Mercedes não anunciou alterações de preços, de prazos de entrega ou da rede de concessionários em Portugal. O novo GLA elétrico, produzido em Rastatt, chega aos concessionários em novembro e ainda não tem preço português.
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Ficha técnica
- Autonomia
- até 657 km
- Potencia de carga
- até 320 kW
- Preco
- a partir de 48 599 euros na Alemanha
- Custo de trabalho Alemanha
- 49,50 euros por hora
- Custo de trabalho Hungria
- 15,60 euros por hora
- Capacidade fábrica Kecskemét
- 400 000 unidades por ano
AutoGear · 3174 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.