Como funcionam as burlas com automóveis usados feitas com IA?
Imagem gerada por inteligência artificial
As burlas com automóveis usados subiram de nível: há stands inteiros clonados, com fotografias e vozes geradas por inteligência artificial. Um comprador nos Estados Unidos ficou sem 36 240 dólares num Toyota 4Runner TRD Pro que nunca existiu.
O essencial
- Um comprador nos Estados Unidos pagou 36 240 dólares por um Toyota 4Runner TRD Pro que não existia, segundo o The Drive.
- O esquema clonou o stand Route 519 Motor Company, do Texas, com fotografias geradas por computador, voz alterada e um portal falso de seguimento por GPS.
- Em Portugal, a certidão permanente do registo automóvel custa 10 euros, vale seis meses e mostra o proprietário e os encargos sobre o veículo, segundo o Ministério da Justiça.
Wil Matthews esperava ver um Toyota 4Runner TRD Pro descarregado à porta de casa. O que encontrou foi a entrada vazia: uma das maiores financeiras do país já tinha transferido 36 240 dólares para um stand que não existe, conta o The Drive.
O stand que era uma cópia
Os autores do esquema foram buscar um negócio verdadeiro, o Route 519 Motor Company, de Donna, no Texas, e assinaram o anúncio como Route 519 Motor. Tiraram a última palavra do nome, e foi essa a única diferença. O resto montaram por computador: autocolantes de janela e certificados de licença de vendedor gerados por inteligência artificial, mais fotografias feitas da mesma maneira. A mesma publicação documentou um segundo caso, com o nome do Route 80 Motors, de North Branford, no Connecticut, num anúncio falso de um Ford Mustang de 1966.
O que acabou por convencer a vítima foi poder seguir a viagem. Os burlões mandaram o endereço de um portal de localização por GPS falsificado, onde o 4Runner aparecia a atravessar o país, do Texas até à Califórnia. Seguiu-se uma fotografia do modelo em cima de um camião, com um autocolante da 3DX Carriers LLC e números de transportador que, nos registos oficiais, estão atribuídos a outra empresa, a V&S Group.
Voz alterada e página na Moldávia
As chamadas entravam por uma central VoIP e a voz do suposto condutor da transportadora foi alterada por computador, escreve o The Drive. Nos dados de transparência da Meta, a página do stand falso tinha sido criada por um utilizador na Moldávia, através de uma empresa de fachada registada no Tennessee. O anúncio chegou a ser promovido como publicidade paga.
A regra que falhou aqui é a mesma que o AutoGear pôs em primeiro lugar no guia de verificação de um usado elétrico: ver a viatura e os documentos em pessoa, antes de qualquer transferência. Nenhuma imagem, por mais nítida que seja, faz esse trabalho.
Burlas com automóveis usados em Portugal
Por cá há um documento que resolve boa parte do problema e custa 10 euros. A certidão permanente do registo automóvel pede-se no portal Automóvel Online, do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), vale seis meses e identifica o veículo, o proprietário e os encargos que pesam sobre ele, segundo o Ministério da Justiça. Em papel, ao balcão do IRN ou numa Loja de Cidadão, o mesmo documento custa 17 euros.
Quando o AutoGear fez as contas aos prazos e aos custos de importar um usado para Portugal, a certidão já entrava nessa lista de verificações. A Rede de Centros Europeus do Consumidor junta-lhe os sinais de alerta na compra noutro país da União Europeia: preços invulgarmente baixos, sites recentes ou não verificados e pedidos de sinal antecipado por canais anónimos.
O que fazer antes de pagar
O contacto com o vendedor deve ser feito pelo número que está no site do próprio stand ou nos registos públicos de empresas, nunca pelo que vem no anúncio. O número de identificação do veículo tem de bater certo com o dos documentos. E o titular da conta que recebe o dinheiro tem de ser a empresa que vende, e não um particular ou uma terceira sociedade.
Uma pesquisa inversa das imagens ajuda, porque muitas fotografias são recicladas de outras vendas. Quando as imagens são criadas de raiz, essa pesquisa não devolve nada, e é aí que o esquema descrito pelo The Drive passa despercebido a quem só olha para o anúncio.
O caso foi publicado a 18 de setembro de 2026. Em Portugal, o pedido da certidão faz-se no automovelonline.mj.pt, e o código de acesso enviado pelo IRN permite consultas ilimitadas durante os seis meses de validade, sem custo adicional.
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Perguntas e respostas
Como funcionam as burlas com automóveis usados feitas com IA?
Os autores copiam a identidade de um stand verdadeiro, mudam uma palavra no nome e publicam anúncios com fotografias geradas por computador. Segundo o The Drive, no caso do Toyota 4Runner havia ainda autocolantes de janela e certificados de licença de vendedor gerados por inteligência artificial, uma central VoIP, uma voz alterada por computador e um portal falso de localização por GPS que mostrava o modelo a caminho da casa do comprador.
Quanto custa verificar um automóvel usado em Portugal antes de pagar?
A certidão permanente do registo automóvel custa 10 euros na versão online e 17 euros em papel, ao balcão do IRN ou numa Loja de Cidadão, de acordo com o Ministério da Justiça. Pede-se no portal Automóvel Online, vale seis meses e identifica o veículo, o proprietário e os encargos que existam sobre ele.
Quais são os sinais de alerta num anúncio de automóvel usado?
A Rede de Centros Europeus do Consumidor aponta preços invulgarmente baixos, sites recentes ou não verificados e pedidos de sinal antecipado por canais anónimos. A mesma rede recomenda confirmar as credenciais do vendedor nos registos públicos de empresas e autenticar todos os documentos antes de fechar a compra.
Imagem gerada por inteligência artificial
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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.