Volkswagen quer cortar mais 4100 postos de trabalho na Porsche
A fábrica da Porsche em Zuffenhausen, Estugarda, na nova zona de inspecção de qualidade. Imagem de arquivo da marca, sem relação directa com os cortes de pessoal agora noticiados.
O essencial
- A Volkswagen propõe cortar 4100 postos de trabalho na Porsche para cobrir 700 milhões de euros em custos de estrutura.
- A Porsche já tinha acordado o corte de 5000 postos até 2035, somados aos 4000 decididos antes.
- A marca fechou 2025 com margem operacional de 1,1% e 413 milhões de euros de lucro operacional, contra 14,1% em 2024.
Os cortes na Porsche podem aumentar em mais 4100 postos de trabalho, segundo documentos do conselho de supervisão da Volkswagen citados pelo diário alemão Handelsblatt. O objetivo é tapar um buraco de 700 milhões de euros em custos de estrutura.
O essencial
- Os documentos da reestruturação da Volkswagen propõem cortar cerca de 4100 colaboradores na Porsche, para cobrir 700 milhões de euros em custos de estrutura, segundo o Handelsblatt.
- A Porsche já tinha acordado a 27 de julho o corte de mais 5000 postos até 2035, que se somam a 4000 decididos antes.
- A marca fechou 2025 com uma margem operacional de 1,1% e 413 milhões de euros de lucro operacional, contra 14,1% em 2024.
Um buraco de 700 milhões
Um buraco de 700 milhões
Os documentos que descrevem a maior reestruturação de sempre do grupo alemão propõem uma redução de cerca de 4100 colaboradores na marca de Estugarda, avançou o Handelsblatt, citado pela Reuters. O corte serve para cobrir uma falha de 700 milhões de euros nos custos de estrutura.
A Volkswagen e a Porsche não quiseram comentar. Recorde-se que o grupo detém 75,4% da Porsche AG, embora a palavra final caiba à filial.
Os cortes na Porsche já acordados
Os cortes na Porsche já acordados
A 27 de julho, o conselho de administração da Porsche e a comissão geral de trabalhadores fecharam o chamado Future Package, que prevê o corte de mais 5000 postos até 2035, segundo a Porsche. O acordo exclui despedimentos compulsivos, garante o emprego e os locais de trabalho em Zuffenhausen e Weissach até ao final de 2035 e prevê 2,1 mil milhões de euros de investimento nos dois polos.
Somados aos 4000 já decididos antes, os cortes acordados chegam a cerca de um em cada cinco empregos até 2035, escreve a Reuters. Os 4100 agora propostos somam-se a esses acordos, e não os substituem, segundo o Handelsblatt.
A margem caiu para 1,1%
A margem caiu para 1,1%
A marca fechou 2025 com 36,27 mil milhões de euros de faturação, 413 milhões de euros de lucro operacional e uma margem operacional de 1,1%, contra 14,1% em 2024, segundo a Porsche. As entregas caíram 10,1%, para 279 449 unidades.
Pelo caminho ficaram cerca de 3,9 mil milhões de euros de encargos extraordinários: 2,4 mil milhões com a revisão da estratégia de produto e o redimensionamento da empresa, 700 milhões com as atividades de baterias e outros 700 milhões com as tarifas nos Estados Unidos. O recuo na estratégia elétrica já se via noutras frentes, como o AutoGear contou quando a Porsche trocou o grupo Volkswagen pela Xpeng para cumprir as metas de CO2 na Europa.
Dez mil milhões em encargos
A 18 de setembro, a Volkswagen avisou que vai registar cerca de 10 mil milhões de euros de encargos extraordinários, dos quais 6 mil milhões ligados às novas previsões de médio prazo para a Porsche, segundo a Reuters. Na mesma altura cortou a previsão de margem para 2026, que passou de um intervalo de 4% a 5,5% para 1% no máximo.
O grupo justificou a revisão com “uma nova deterioração do ambiente de mercado, sobretudo na China, bem como uma mudança acelerada da procura a favor dos veículos elétricos a bateria”. As ações da Volkswagen fecharam a cair 5,6% e as da Porsche AG 3,3%.
O que falta saber
Do lado do produto, a Porsche mantém o compromisso com uma combinação de motorizações: o novo Cayenne elétrico junta-se aos modelos a combustão e híbridos plug-in da gama, e a marca diz estar a ponderar alargar o portefólio para crescer em segmentos de maior margem. A conta dessa transição é o mesmo problema que a casa-mãe ataca do outro lado, ao simplificar a gama e cortar na complexidade.
Na apresentação dos resultados de 2025, a Porsche apontou para uma margem operacional de 5,5% a 7,5% em 2026, com faturação entre 35 e 36 mil milhões de euros. Os 4100 cortes são, para já, uma proposta: nestas matérias, a casa-mãe recomenda, e é a Porsche que decide.
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Perguntas e respostas
Quantos postos de trabalho quer a Volkswagen cortar na Porsche?
Os documentos da maior reestruturação de sempre do grupo propõem uma redução de cerca de 4100 colaboradores na Porsche, avançou o Handelsblatt, citado pela Reuters. O corte destina-se a cobrir uma falha de 700 milhões de euros em custos de estrutura e soma-se aos acordos já existentes.
Quantos empregos já estavam acordados na Porsche?
A 27 de julho, a administração e a comissão geral de trabalhadores assinaram o Future Package, que prevê o corte de mais 5000 postos até 2035, segundo a Porsche. Com os 4000 decididos antes, os cortes acordados equivalem a cerca de um em cada cinco empregos até 2035, escreve a Reuters.
Porque é que a Porsche teve uma margem de 1,1% em 2025?
A marca faturou 36,27 mil milhões de euros e teve 413 milhões de euros de lucro operacional, depois de cerca de 3,9 mil milhões de euros de encargos extraordinários, segundo a Porsche. Desse total, 2,4 mil milhões vieram da revisão da estratégia de produto e do redimensionamento da empresa, 700 milhões das baterias e 700 milhões das tarifas nos Estados Unidos.
Ficha técnica
- Faturação 2025
- 36,27 mil milhões de euros
- Lucro operacional 2025
- 413 milhões de euros
- Margem operacional 2025
- 1,1%
- Margem operacional 2024
- 14,1%
- Entregas 2025
- 279 449 unidades
- Redução de entregas
- 10,1%
- Encargos extraordinários
- 3,9 mil milhões de euros
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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.