O aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelo conflito no Médio Oriente, está a impulsionar uma mudança acelerada para veículos elétricos na região Ásia-Pacífico, à medida que consumidores e empresas procuram alternativas ao petróleo e ao diesel.
Crise energética pressiona mercados asiáticos
A interrupção quase total das exportações através do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás — está a afetar fortemente a Ásia, destino de mais de 80% desse fluxo energético.
Este choque nos preços está a obrigar governos e consumidores a procurar soluções para reduzir custos, com os veículos elétricos a emergirem como alternativa cada vez mais atrativa.
Procura por elétricos dispara na Austrália e Nova Zelândia
Na Austrália, o impacto já é visível: os pedidos de financiamento para veículos elétricos duplicaram em março, enquanto as consultas por parte de empresas aumentaram 88%.
A procura online também disparou, com pesquisas por veículos elétricos a triplicarem no último mês. Mais de metade dos australianos admite agora considerar a compra de um EV.
Na vizinha Nova Zelândia, os registos semanais de veículos elétricos ultrapassaram as 1.000 unidades, praticamente o dobro face à semana anterior, representando o melhor resultado desde o final de 2023.
Japão começa a mudar, apesar da tradição híbrida
No Japão, onde os veículos elétricos ainda representam menos de 2% das vendas, a tendência começa a inverter-se. O aumento dos custos energéticos está a acelerar a adoção, apesar da forte aposta histórica em modelos híbridos.
O reforço dos incentivos governamentais, que podem atingir cerca de 1,3 milhões de ienes por veículo, e o investimento anunciado por fabricantes como a Tesla em infraestruturas de carregamento, estão a contribuir para esta mudança.
Coreia do Sul segue tendência de crescimento
Também na Coreia do Sul, as matrículas de veículos elétricos mais do que duplicaram em março face ao ano anterior. O aumento dos preços dos combustíveis, aliado à concorrência crescente entre marcas e aos incentivos estatais, está a impulsionar a procura.
Fabricantes chineses ganham vantagem
O aumento da procura internacional representa uma oportunidade significativa para os fabricantes chineses, que já dominam o mercado interno, onde veículos elétricos e híbridos representam mais de metade das vendas.
Marcas como a BYD estão a expandir rapidamente a sua presença global, com as exportações a representarem uma fatia crescente das vendas totais. Em 2026, essa proporção já atingiu cerca de 50% nos primeiros meses do ano.
Consumidores mudam comportamento perante crise
A crise energética está a alterar perceções. Em mercados como a Tailândia, o aumento dos preços dos combustíveis e as dificuldades no abastecimento estão a levar consumidores que nunca tinham considerado elétricos a visitar concessionários e explorar novas opções.
Um ponto de viragem para a mobilidade
A atual conjuntura está a acelerar uma transformação estrutural na mobilidade na Ásia-Pacífico. O aumento dos custos energéticos, combinado com incentivos governamentais e maior oferta de veículos elétricos, está a criar um ambiente favorável à transição.
Num cenário de incerteza geopolítica, os veículos elétricos afirmam-se cada vez mais como uma solução económica e estratégica para consumidores e empresas.
