Gordon Murray acaba de criar o sucessor espiritual do McLaren F1: V12, caixa manual e lugar central

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Gordon Murray acaba de criar o sucessor espiritual do McLaren F1: V12, caixa manual e lugar central Se há alguém que sabe como criar um supercarro capaz de ficar para a história, esse alguém é Gordon Murray. O engenheiro responsável pelo lendário McLaren F1 está agora de volta com uma máquina que parece saída diretamente dos seus melhores anos: o novo Gordon Murray S1.

Apresentado durante o evento The Quail, na Monterey Car Week, o S1 é a versão mais civilizada do radical S1 LM e assume-se como o sucessor espiritual do McLaren F1. Só serão construídas 64 unidades em todo o mundo, todas feitas à medida dos respetivos proprietários.

E a receita é daquelas que já quase não existem. Temos um V12 Cosworth atmosférico de 4,2 litros, capaz de atingir umas impressionantes 12.100 rpm, com até 681 cv, associado a uma caixa manual de seis velocidades. E, como se isto não fosse suficiente, o condutor continua sentado exatamente onde Gordon Murray acha que deve estar: no centro do carro.

Ou seja, três lugares, motor colocado em posição central, tração traseira e uma caixa manual. Se isto não é uma espécie de McLaren F1 moderno, não sei o que será.

O motor V12 desenvolve cerca de 369 lb-ft de binário, com uma resposta pensada não apenas para andar depressa numa pista, mas sobretudo para tornar cada quilómetro especial. Há pistões leves revestidos a carboneto de silício, válvulas e bielas em titânio e lubrificação por cárter seco.

A sexta velocidade foi ainda alongada para tornar as viagens mais confortáveis, porque o S1 não foi criado para ser apenas uma máquina de circuito. É um carro para conduzir, viajar e desfrutar. E aqui está uma das grandes diferenças para o S1 LM.

A enorme asa traseira fixa e os restantes elementos aerodinâmicos mais agressivos desapareceram. No seu lugar surge uma carroçaria muito mais limpa, com aerodinâmica traseira ativa integrada. O objetivo não é transformar o S1 num carro de competição matriculado, mas encontrar um equilíbrio entre estabilidade, travagem e conforto.

A suspensão também foi revista. A altura ao solo aumentou e o amortecimento ficou mais suave, mantendo, ainda assim, a precisão que já conhecemos de outros modelos da Gordon Murray Automotive.

E mesmo com toda esta preocupação com o conforto, a marca garante que o objetivo de peso continua abaixo do GMA T.50.

Por fora, praticamente tudo é novo. A carroçaria apresenta linhas mais limpas, novas óticas, jantes leves e retrovisores montados nos pilares A, acompanhados por pequenas câmaras para melhorar a visibilidade traseira.

Mas há um detalhe que merece destaque: abrir a tampa do motor é quase como abrir uma montra. O V12 fica exposto, acompanhado por um sistema de escape em Inconel polido e por um escudo térmico banhado a ouro de 24 quilates. Porque se estamos a falar de um carro deste nível, aparentemente o ouro também faz parte da lista de equipamento.

Por dentro, o S1 continua fiel à filosofia de Murray, mas acrescenta aquilo que faltava aos seus antecessores quando o objetivo é fazer muitos quilómetros.

O habitáculo mantém os três lugares e o condutor ao centro, mas recebe mais couro, materiais personalizados, isolamento acústico adicional, novos sistemas de informação e entretenimento e um sistema de som leve.

As portas diédricas também foram redesenhadas e passam a utilizar vidro rebatível, tornando o acesso ao interior muito mais simples do que no S1 LM.

Tudo isto transforma o S1 numa espécie de contradição sobre rodas: é um supercarro extremamente leve e focado, mas foi pensado para ser conduzido durante horas sem transformar o proprietário num passageiro cansado.

Gordon Murray resume precisamente essa filosofia ao imaginar uma viagem entre Los Angeles e Monterey, aproveitando cada mudança de velocidade, cada curva e, claro, cada nota daquele V12 a subir de rotação.

E há outra coisa que torna este S1 especial: a produção fica limitada a apenas 64 exemplares. O preço ainda não foi divulgado, mas, conhecendo a exclusividade dos anteriores projetos de Gordon Murray, não será certamente uma surpresa encontrarmos um valor milionário.

No fundo, o S1 parece ser aquilo que muitos fãs esperavam há anos: um McLaren F1 moderno sem o logótipo da McLaren, mas com a mesma filosofia de Gordon Murray.

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