A Suzuki está a enfrentar um dos períodos mais difíceis desde que entrou no mercado indiano. A marca japonesa continua a ser uma das principais referências do país através da Maruti Suzuki, mas a sua quota de mercado caiu para cerca de 39%, o valor mais baixo desde que conquistou uma posição dominante na Índia.
A situação representa uma mudança significativa num mercado que a Suzuki conhece há mais de quatro décadas. A marca chegou à Índia no início dos anos 80 e estabeleceu uma parceria com o governo indiano e com a Maruti. A operação revelou-se um enorme sucesso e permitiu à fabricante japonesa tornar-se líder do mercado durante muitos anos.

A Maruti Suzuki chegou a controlar mais de 70% do mercado automóvel indiano, graças sobretudo a uma estratégia assente em modelos simples, económicos e acessíveis. No entanto, o crescimento da economia indiana está a alterar rapidamente o perfil dos consumidores e a própria Suzuki admite que precisa de adaptar a sua oferta.
A economia da Índia cresceu cerca de 18 vezes desde a entrada da Suzuki no país e o aumento dos rendimentos está a refletir-se também nas preferências dos consumidores. Os compradores indianos estão agora mais interessados em equipamentos que anteriormente tinham pouca procura, como tetos de abrir, grandes ecrãs táteis, sistemas tecnológicos mais avançados e níveis superiores de conforto.
É precisamente neste ponto que a Suzuki começa a sentir maiores dificuldades. A marca construiu a sua posição no mercado indiano através de veículos acessíveis e de uma política rigorosa de controlo dos custos, mas essa fórmula já não responde da mesma forma às expectativas de uma parte crescente dos consumidores.
Ao mesmo tempo, a Suzuki enfrenta uma concorrência cada vez mais forte de fabricantes indianos como a Tata e a Mahindra. Estas marcas têm vindo a melhorar a oferta e a apresentar modelos com mais equipamento e tecnologia, aproveitando a evolução das exigências do mercado.

O próprio presidente da Suzuki considera que a situação atual na Índia é a mais difícil enfrentada pela empresa nos últimos 40 anos.
Para tentar recuperar terreno, a fabricante japonesa prepara uma forte renovação da gama. O plano inclui sete novos modelos, sobretudo SUV e veículos posicionados em segmentos superiores, numa tentativa de acompanhar a evolução do poder de compra dos consumidores indianos.
A eletrificação também terá um papel importante nesta estratégia. Entre as novidades está o eVitara, o primeiro modelo totalmente elétrico da Suzuki destinado ao mercado indiano.
A mudança de posicionamento não é exclusiva da Suzuki. Outros fabricantes estão igualmente a reforçar a oferta de modelos mais sofisticados na Índia. A Renault, por exemplo, introduziu recentemente uma motorização híbrida no mercado local, enquanto equipamentos como grandes ecrãs táteis e tetos de abrir começam a tornar-se cada vez mais comuns em segmentos que anteriormente privilegiavam sobretudo o preço.
O desafio para a Suzuki será encontrar o equilíbrio entre aumentar o nível de equipamento dos seus automóveis e manter os preços competitivos que ajudaram a construir a enorme popularidade da Maruti Suzuki.
Os dados da JATO Dynamics citados pela Reuters mostram bem a dimensão do problema. Menos de 3% do volume de negócios da Maruti Suzuki é atualmente proveniente de automóveis com preços superiores a 15.500 dólares, enquanto essa proporção ultrapassa os 21% no restante mercado automóvel indiano.
A Suzuki terá, por isso, de conquistar consumidores que estão dispostos a gastar mais sem afastar a enorme base de clientes que continua a procurar modelos acessíveis.
E a tarefa poderá tornar-se ainda mais complicada com a chegada de novos concorrentes. A Toyota é um dos fabricantes que está a reforçar a sua presença no mercado indiano, aumentando a pressão sobre a Maruti Suzuki num momento em que o mercado está a mudar rapidamente.
A Suzuki continua a ter uma posição muito forte na Índia, mas o mercado que ajudou a construir já não é o mesmo. Os consumidores têm mais poder de compra, querem mais tecnologia e estão dispostos a pagar por isso. Agora, a fabricante japonesa terá de provar que consegue acompanhar essa transformação sem perder a vantagem que a tornou líder durante décadas.
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