Russell considera Hamilton e Ferrari ameaças ao título na áustria

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A vitória de Lewis Hamilton em Barcelona provocou uma verdadeira onda de inquietação no seio da Mercedes, com George Russell a admitir abertamente que o seu companheiro de equipa voltou a surgir como uma ameaça real ao título. No Red Bull Ring, palco do Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1, Russell não poupou elogios ao britânico de sete títulos mundiais, enquanto alertava também para o crescente perigo apresentado pela Ferrari, que se mostra cada vez mais competitiva nesta fase do campeonato.

Na última prova em Barcelona, Hamilton cruzou a linha de meta no lugar mais alto do pódio, com um tempo dominante que deixou a concorrência em alerta. Max Verstappen, líder do campeonato e piloto da Red Bull, terminou em segundo, a 4,7 segundos do britânico, enquanto Lando Norris, da McLaren, completou o pódio. George Russell, por sua vez, ficou-se pelo quarto lugar, a 11,2 segundos do vencedor, resultado que permitiu à Mercedes somar pontos importantes, mas que também evidenciou o ressurgimento de Hamilton e a ameaça da Ferrari, que colocou Charles Leclerc e Carlos Sainz logo atrás dos homens da frente. O Grande Prémio da Áustria, no circuito de Spielberg, ganha assim um peso acrescido para a luta pelo campeonato, com os principais rivais a aproximarem-se perigosamente da Red Bull e de Verstappen.

O impacto desta vitória não se faz sentir apenas na tabela classificativa, mas também na dinâmica interna da Mercedes. O próprio Toto Wolff, chefe de equipa, admitiu que poderá considerar ordens de equipa se Hamilton voltar a pressionar os Red Bull durante a corrida austríaca. Com Verstappen ainda a liderar o campeonato com uma vantagem confortável, a verdade é que tanto Hamilton como a Ferrari demonstram estar a ganhar terreno numa fase crucial da temporada. Russell sublinhou a importância deste momento, referindo: “Antes de mais, é bom ver o Lewis regressar ao seu melhor nível, mas isto mostra o quão exigente é a Fórmula 1: os carros, as unidades motrizes, os pneus, tudo é tão complexo que cada detalhe tem de encaixar na perfeição; se algo falha, não consegues tirar o máximo de ti próprio.”

Na conferência de imprensa antes da corrida, Russell abordou ainda as críticas que Hamilton enfrentou nos últimos anos: “As pessoas estavam já a descartá-lo no ano passado ou até no anterior. Em 2024 fomos companheiros de equipa e eu sempre vi a paixão que ele coloca em tudo o que faz. Nas últimas quatro ou cinco corridas provou que não se esquece de guiar de um dia para o outro, mas é preciso que tudo esteja em sintonia.” O britânico não hesitou em apontar Hamilton como um dos principais obstáculos à sua própria luta pelo título: “Neste momento, o Lewis é certamente uma enorme ameaça para nós. O Kimi [Verstappen] está na frente de todos, com uma margem confortável, e tem estado a guiar de forma incrível, mas também a Ferrari está a aproximar-se e o Lewis está a atacar.”

Russell destacou ainda a evolução da Ferrari: “A Ferrari sempre teve um excelente chassis, mas do lado do motor esteve bastante atrás de nós. No entanto, parece que em Barcelona deram um passo em frente também em termos de velocidade de ponta. Estão a trazer bastantes actualizações e isso surpreendeu-nos, porque eles e a McLaren trazem novidades quase corrida sim, corrida não, enquanto nós só trouxemos um pacote. Mas desde os tempos dos karts que estamos habituados a lutar contra mais do que um piloto, por isso esta batalha entusiasma-me.”

Com as atenções agora centradas no circuito austríaco, a expectativa é elevada quanto à continuidade deste equilíbrio de forças. A próxima prova será decisiva para perceber se Hamilton e a Ferrari conseguem manter a pressão sobre Verstappen e a Red Bull, ou se o neerlandês reforça o seu domínio na classificação. Para a Mercedes, cada ponto passa a ser vital, sobretudo numa altura em que a rivalidade interna entre Russell e Hamilton promete elevar a fasquia e obrigar Toto Wolff a gerir cuidadosamente as ambições dos seus pilotos. Já a Ferrari, motivada pelo progresso recente, procura solidificar a sua posição como principal adversária das flechas de prata e dos touros vermelhos, enquanto a McLaren tenta aproveitar qualquer deslize para se aproximar do topo.

A luta pelo título está, assim, ao rubro e o Grande Prémio da Áustria poderá marcar mais um ponto de viragem num campeonato que promete emoção até à última volta. Com Hamilton rejuvenescido, Verstappen sob pressão e a Ferrari a acelerar o passo, a Fórmula 1 prepara-se para mais um fim-de-semana de decisões em Spielberg.

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