Numa altura em que a indústria automóvel parece obcecada por ecrãs, assistências eletrónicas e sistemas cada vez mais complexos, surge em Itália um projeto que segue, precisamente, o caminho contrário. Chama-se Brado Carbon Buggy e é a primeira criação de uma nova marca instalada no famoso Motor Valley italiano. O objetivo não passa por bater recordes de potência ou rivalizar com supercarros milionários. A missão é bem mais simples: devolver ao condutor uma experiência de condução pura, analógica e sem filtros. Inspirado nos míticos buggies que marcaram gerações, o Carbon Buggy combina uma imagem irreverente com soluções técnicas normalmente reservadas a automóveis muito mais exclusivos.

Construído em carbono
Com apenas 3,3 metros de comprimento, o pequeno buggy italiano aposta numa estrutura monocasco integralmente construída em fibra de carbono, complementada por diversos componentes em titânio. A utilização destes materiais permite manter o peso sob controlo e garantir elevados níveis de rigidez, factores essenciais para uma condução divertida e directa.
Por trás do projecto está Matias Mussetta, especialista em materiais compósitos com passagem por empresas como a Dallara, Lamborghini e Ferrari. Já o desenho ficou a cargo de Juan Manuel Diaz, designer conhecido pelo trabalho desenvolvido em modelos como o Alfa Romeo 8C Competizione. O resultado é um veículo compacto, minimalista e com uma forte personalidade visual.

Apenas o essencial
A filosofia do Carbon Buggy fica ainda mais evidente quando se olha para a mecânica. Em vez de motores electrificados ou sistemas complexos, a Brado optou por motores boxer atmosféricos arrefecidos a ar, uma solução que faz lembrar alguns dos automóveis mais emblemáticos do passado. A gama inclui uma versão equipada com um bloco 1.8 de 85 cv e uma variante mais potente com motor 2.0 capaz de desenvolver 110 CV. Os números podem parecer modestos à luz dos padrões actuais, mas fazem todo o sentido quando associados ao baixo peso do conjunto e ao conceito do projecto. A transmissão é assegurada por uma caixa manual tradicional e a electrónica foi reduzida ao mínimo indispensável. Não existem modos de condução, programas específicos ou sistemas complexos de gestão dinâmica. Aqui, a ligação entre o condutor e a máquina continua a fazer-se à moda antiga.

Cada unidade será única
Como acontece com muitos projetos artesanais, a personalização terá um papel fundamental. Os clientes poderão escolher entre versões de dois ou quatro lugares, diferentes acabamentos exteriores e até variantes em carbono colorido com a trama visível. No interior, a Brado promete materiais inspirados no universo náutico, acabamentos produzidos manualmente e detalhes clássicos como os famosos volantes Nardi. Mais do que um automóvel, o Carbon Buggy pretende afirmar-se como um objecto para entusiastas que valorizam sensações de condução acima de números de potência ou listas intermináveis de equipamento. Num mercado dominado pela eletrificação e pela digitalização, a Brado decidiu recuperar uma receita antiga. E talvez seja precisamente por isso que este pequeno buggy italiano já esteja a despertar a curiosidade dos verdadeiros apaixonados por automóveis.
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