A quarta geração do Nissan Qashqai estava prevista para chegar em 2027 exclusivamente com motores elétricos, mas a marca japonesa estará agora a repensar os seus planos. A fraca procura por elétricos e a situação financeira da Nissan poderão estar na origem da mudança.
O Nissan Qashqai é um dos modelos mais importantes da história recente da marca japonesa. Desde o seu lançamento, em 2007, tornou-se numa referência entre os SUV compactos e ajudou a popularizar o conceito de crossover na Europa. Por isso, a Nissan sabe que não pode cometer erros com a próxima geração.
A quarta geração do Qashqai estava inicialmente prevista para 2027 e deveria representar uma mudança significativa na estratégia da marca, passando a apostar exclusivamente na propulsão elétrica. No entanto, tudo indica que os planos poderão ter mudado.
Segundo informações avançadas pela Reuters, citando fontes próximas do processo, o projeto do próximo Qashqai poderá ter sido suspenso ou estar a ser profundamente revisto, numa decisão relacionada com os elevados investimentos necessários para desenvolver um novo modelo elétrico.
Um modelo demasiado importante para correr riscos
A importância do Qashqai para a Nissan ajuda a explicar esta possível mudança de rumo. Desde 2007, o SUV japonês já ultrapassou 4 milhões de unidades vendidas na Europa, mantendo-se durante muitos anos entre os modelos mais populares do seu segmento. Mas a concorrência tornou-se muito mais forte.
Modelos como o Hyundai Tucson, o Volkswagen Tiguan e uma nova geração de SUV de fabricantes chineses estão a disputar diretamente os mesmos clientes.
Em 2026, o Qashqai estará inclusivamente a registar uma descida nas vendas, com uma quebra de 6,46% face ao período homólogo.
Isto coloca a Nissan perante um dilema: investir milhares de milhões numa nova geração elétrica ou adotar uma solução mais conservadora que permita manter o modelo competitivo durante mais alguns anos?
Qashqai elétrico pode ficar para depois
A estratégia inicialmente definida pela Nissan previa uma transformação completa da gama. A ideia passava por fazer com que Qashqai, Juke e Micra adotassem a propulsão elétrica como caminho principal para a próxima geração. O novo Micra já chegou ao mercado com essa filosofia, enquanto o futuro Juke também deverá seguir o mesmo caminho. O Qashqai seria o passo seguinte.
A quarta geração estava prevista para 2027, com um design inspirado no protótipo Nissan Hyper Urban e continuidade da produção na fábrica de Sunderland, no Reino Unido. Agora, porém, a Nissan estará a reconsiderar essa estratégia.

Os elétricos estão no centro do problema
Um dos principais motivos para a revisão do projeto estará relacionado com a evolução do mercado de automóveis elétricos. Embora a eletrificação continue a avançar na Europa, o crescimento das vendas não tem correspondido às expectativas que muitos fabricantes tinham há alguns anos.
Ao mesmo tempo, os construtores chineses estão a aumentar a pressão sobre as marcas tradicionais, oferecendo veículos elétricos cada vez mais competitivos em preço, tecnologia e autonomia.
Para uma Nissan que atravessa um período financeiro delicado, assumir um investimento muito elevado num Qashqai exclusivamente elétrico poderá representar um risco difícil de justificar.
A localização da produção em Sunderland também não ajuda. A fábrica britânica não beneficia de alguns dos incentivos destinados à produção automóvel dentro da União Europeia, o que poderá aumentar ainda mais a pressão sobre os custos.
A solução pode passar pelos motores de combustão
Perante este cenário, uma das possibilidades em cima da mesa será prolongar a vida da atual fórmula do Qashqai. Em vez de avançar imediatamente para uma nova geração exclusivamente elétrica, a Nissan poderá optar por renovar novamente o modelo atual, mantendo durante mais algum tempo versões com motores de combustão e eletrificação. Não seria uma estratégia inédita.
O Grupo Volkswagen e a Kia, entre outros fabricantes, têm adotado soluções semelhantes, prolongando a carreira comercial de modelos equipados com motores tradicionais enquanto o mercado elétrico amadurece.
Para a Nissan, esta opção permitiria reduzir o investimento necessário e, simultaneamente, manter disponível uma motorização que continua a ter uma procura significativa.
Um erro com consequências muito grandes
A decisão será particularmente importante porque o Qashqai representa uma parcela muito significativa das vendas da Nissan na Europa. Segundo as informações avançadas, o modelo representa cerca de 45% das vendas europeias da marca.
Assim, transformar o Qashqai num automóvel exclusivamente elétrico demasiado cedo poderia afastar uma parte dos atuais clientes.
Por outro lado, adiar a eletrificação também envolve riscos, numa altura em que a indústria automóvel está a acelerar o desenvolvimento de novas plataformas elétricas. A Nissan terá, portanto, de encontrar um equilíbrio entre investir no futuro e proteger as vendas no presente.
E, para já, tudo indica que o próximo Qashqai poderá não ser tão radicalmente diferente como a marca inicialmente tinha planeado.

