A Nissan revelou que conseguiu reduzir drasticamente o tempo necessário para desenvolver novos modelos, passando de 55 para apenas 26 meses. A mudança resulta de uma profunda reorganização interna inspirada nos métodos utilizados pelos fabricantes chineses, que apostam em ciclos de desenvolvimento mais curtos, utilização intensiva de inteligência artificial e processos de decisão mais ágeis.
A informação foi avançada por Ivan Espinosa, presidente global da Nissan, durante uma apresentação realizada no Japão. Segundo o responsável, a nova metodologia já foi testada com sucesso na próxima geração do Skyline, cujo lançamento está previsto para o inverno de 2026.

O objetivo da marca japonesa é que cerca de 90% dos seus projetos passem a seguir este modelo de desenvolvimento já durante o atual exercício fiscal.
A decisão surge numa altura em que os construtores chineses continuam a aumentar a pressão sobre os fabricantes tradicionais, sobretudo no segmento dos veículos elétricos. Enquanto muitas marcas chinesas conseguem colocar novos modelos no mercado em menos de três anos, os fabricantes históricos continuam, em muitos casos, a trabalhar com calendários significativamente mais longos.
Curiosamente, parte desta transformação nasceu da própria experiência da Nissan na China. A parceria com a Dongfeng serviu como laboratório para novas abordagens ao desenvolvimento de produto, tendo o sedã elétrico N7 como principal exemplo. Apresentado em abril de 2025, o modelo foi desenvolvido em cerca de dois anos, um prazo bastante inferior aos padrões tradicionais da indústria.

A inteligência artificial desempenha um papel central neste novo processo. Durante a fase de conceção, os sistemas conseguem gerar propostas de design tendo em conta fatores como a eficiência aerodinâmica e o consumo energético. Já na fase de validação, a Nissan afirma que mais de 60% dos testes físicos podem ser substituídos por simulações virtuais, reduzindo custos e acelerando significativamente o desenvolvimento.
A marca utiliza ainda algoritmos para analisar tendências de mercado e otimizar a gestão da cadeia de abastecimento. O objetivo passa por antecipar a procura de componentes, identificar potenciais problemas de fornecimento e acelerar processos internos, tornando toda a estrutura mais flexível e preparada para responder rapidamente às mudanças do mercado.

Apesar dos progressos alcançados, os 26 meses anunciados pela Nissan continuam acima dos prazos que algumas empresas chinesas apontam como possíveis. A CATL, por exemplo, já afirmou que as suas plataformas modulares poderão permitir o desenvolvimento de um novo automóvel em apenas 18 meses, embora esse nível de rapidez ainda esteja longe de ser a norma na indústria automóvel.
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