Nissan abre as portas da Europa aos automóveis chineses: Chery vai produzir em Sunderland

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A Nissan está prestes a dar um passo histórico na indústria automóvel europeia. A marca japonesa assinou um memorando de entendimento com o grupo chinês Chery para utilizar parte da capacidade produtiva da fábrica de Sunderland, no Reino Unido, num acordo que poderá marcar o início da produção de automóveis chineses em solo europeu.

Depois de ter anunciado recentemente a suspensão de uma das linhas de montagem da unidade britânica devido à quebra de produção, a Nissan encontrou uma solução para rentabilizar a infraestrutura e garantir a sua atividade futura. A estratégia passa por receber a Chery como parceira industrial, permitindo à fabricante chinesa montar veículos nas instalações inglesas a partir do ano fiscal de 2027.

Apesar da parceria, a Nissan fez questão de esclarecer que a fábrica continuará a ser totalmente sua. Os trabalhadores permanecerão vinculados à marca japonesa e a gestão da unidade não sofrerá alterações, funcionando o acordo como uma utilização partilhada da capacidade produtiva disponível.

Embora ainda não existam detalhes sobre os modelos que poderão ser produzidos em Sunderland, tudo indica que as marcas Omoda e Jaecoo, já presentes no mercado britânico através do grupo Chery, poderão desempenhar um papel central nesta operação.

A decisão surge numa altura em que Sunderland atravessa um período de transformação. Atualmente, a fábrica produz modelos como o Qashqai, Juke e o novo Leaf, mas os volumes estão longe dos registados há uma década. Em 2025, a produção ficou perto das 273 mil unidades, bastante abaixo das mais de 500 mil alcançadas nos anos de maior atividade.

A chegada da Chery poderá ajudar a inverter essa tendência e reforçar a importância estratégica daquela que continua a ser a maior fábrica automóvel do Reino Unido. Ao mesmo tempo, a Nissan prepara-se para iniciar uma nova fase de eletrificação, com futuras gerações totalmente elétricas do Qashqai e do Juke previstas para a unidade britânica.

Chery acelera ofensiva europeia

Para a Chery, o acordo representa uma oportunidade de ouro. Produzir na Europa permitirá reduzir custos logísticos, contornar possíveis barreiras comerciais e aproximar-se dos clientes europeus numa altura em que as marcas chinesas estão a ganhar terreno de forma acelerada.

A fabricante já comercializa veículos no Reino Unido através das marcas Chery, Omoda e Jaecoo, mas a produção local poderá aumentar significativamente a sua competitividade num mercado cada vez mais disputado.

Nissan enfrenta reestruturação na Europa

Enquanto prepara esta parceria industrial, a Nissan continua a implementar um amplo plano de reestruturação das suas operações europeias. Em Espanha, a empresa enfrenta forte contestação sindical devido ao despedimento previsto de 211 trabalhadores em vários centros localizados na Catalunha.

Paralelamente, a construtora japonesa prevê eliminar cerca de 900 postos de trabalho em diferentes países europeus, numa reorganização que deverá afetar sobretudo áreas administrativas e logísticas.

Também nos Estados Unidos estão em curso mudanças profundas. A fábrica de Canton, no Mississippi, deverá abandonar os planos de produção de veículos elétricos para se concentrar novamente em modelos equipados com motores de combustão.

Com esta aproximação à Chery, a Nissan procura assegurar o futuro da sua principal unidade industrial europeia, enquanto o grupo chinês dá mais um passo decisivo na sua expansão global. Se o acordo avançar para a fase definitiva, Sunderland poderá tornar-se um dos símbolos da nova era da indústria automóvel, onde fabricantes tradicionais e marcas chinesas passam a partilhar as mesmas linhas de produção.

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