Lando Norris critica controlo excessivo das unidades de potência em F1

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Lando Norris expressou o seu desagrado face às actuais regulamentações da Fórmula 1, afirmando que os pilotos têm cada vez menos controlo sobre os seus carros devido às unidades de potência. No Grande Prémio da Bélgica de 2026, realizado no circuito de Spa-Francorchamps, o piloto da McLaren destacou como a gestão da energia elétrica, que representa 50% da potência total dos motores V6 Turbo Híbridos, tem condicionado o desempenho dos pilotos.

Norris qualificou-se em terceiro lugar, numa prova marcada pelas dificuldades das unidades de potência em circuitos como Spa, onde o elevado consumo de energia e a escassa possibilidade de recarga das baterias tornam os motores particularmente instáveis. O piloto explicou que a tecnologia atual provoca picos de potência inesperados ou cortes abruptos, muitas vezes sem relação directa com a condução do piloto. Andrea Stella, director da McLaren, revelou que estas unidades possuem um sistema de autoaprendizagem que reage de forma muito sensível aos comandos, mas que nem sempre é eficaz, causando falhas frequentes.

George Russell já tinha manifestado queixas semelhantes sobre a unidade de potência da Mercedes, que não lhe garante a velocidade necessária em recta, problema que a equipa ainda não conseguiu resolver. Toto Wolff, responsável da Mercedes, confirmou esta dificuldade comum a todas as unidades fornecidas tanto à equipa oficial como aos clientes. Norris revelou que, ao longo da temporada, tem sofrido com estes problemas, destacando que Spa foi a excepção em que sentiu o seu carro a comportar-se correctamente.

“Não tem nada a ver com o piloto, realmente. Às vezes sim, quando estamos um pouco adiantados no momento de carregar no acelerador, mas o piloto conduz e espera que a unidade de potência funcione”, explicou Norris. “Há coisas que estão dentro do nosso controlo, mas há muitas, demasiadas, que estão fora dele. É pena que tantos factores possam ditar o nosso ritmo na qualificação.” O piloto da McLaren lamentou ainda que esta situação o tenha prejudicado durante toda a época: “Honestamente, tem-me custado esta temporada inteira. Este é o primeiro fim-de-semana em que me sinto competitivo em recta. É a primeira vez que estou satisfeito.”

Norris salientou também a inversão de papéis com o seu companheiro de equipa, Oscar Piastri, que ficou em desvantagem na qualificação em Spa, mas reforçou que isso não foi culpa do piloto, mas sim da imprevisibilidade das unidades de potência. “É apenas uma questão das unidades de potência fazerem o que querem”, concluiu, apesar de no início da época ter defendido a necessidade de dar uma oportunidade às novas regras.

Este descontentamento de Lando Norris lança luz sobre as dificuldades técnicas que os pilotos enfrentam com a actual tecnologia híbrida, evidenciando a crescente distância entre o controlo humano e o desempenho mecânico nas corridas. A discussão sobre a fiabilidade e sensibilidade destas unidades promete ser um tema central para as próximas mudanças regulamentares.

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