Quando se fala em veículos elétricos, existe uma preocupação comum que continua a assombrar muitos compradores: o envelhecimento da bateria. À medida que os anos passam, a capacidade diminui, a autonomia encolhe e o valor do automóvel acaba por sofrer as consequências. A Ferrari decidiu enfrentar esse problema de frente com o novo Luce. Em vez de tratar a bateria como um componente permanente e inseparável do veículo, a marca italiana desenvolveu uma solução que poderá prolongar significativamente a vida útil do seu primeiro SUV elétrico.

Um Ferrari pensado para durar décadas
No centro desta estratégia está uma bateria de 122 kWh alimentada por uma arquitetura elétrica de 800 volts. No entanto, mais importante do que a capacidade é a forma como o sistema foi concebido. Ao contrário de muitos elétricos atuais, cuja bateria faz parte integrante da estrutura do automóvel, o Luce utiliza uma configuração modular que permite remover e substituir os componentes internos sem necessidade de alterar o restante veículo. A ideia é simples: quando a bateria começar a perder desempenho, será possível substituir apenas os módulos necessários ou até instalar uma tecnologia mais avançada que venha a surgir nos próximos anos. Segundo responsáveis da Ferrari, o espaço destinado à bateria foi desenvolvido para acompanhar a evolução tecnológica ao longo do tempo, permitindo que futuras gerações de células possam ser integradas sem grandes alterações ao automóvel.
Preparado para acompanhar a evolução da tecnologia
Esta abordagem poderá revelar-se particularmente importante numa indústria que continua a evoluir rapidamente. Se atualmente predominam determinadas químicas e formatos de células, nada garante que dentro de uma década as soluções mais eficientes sejam as mesmas. Ao criar uma plataforma flexível, a Ferrari pretende evitar que o Luce fique tecnologicamente ultrapassado apenas por causa da bateria.

Engenharia ao estilo de Maranello
A bateria é composta por 15 módulos independentes, cada um equipado com um sistema próprio de refrigeração. Além de controlar a temperatura das células, estes elementos contribuem também para a rigidez estrutural do veículo. A marca optou por células de grande dimensão, concebidas para oferecer um equilíbrio entre desempenho e capacidade energética. O resultado é uma densidade energética próxima dos 305 Wh/kg, um valor que coloca o sistema entre os mais avançados atualmente disponíveis. Fiel à sua tradição, a Ferrari garante ainda que todo o processo de montagem é realizado em Maranello, seguindo os mesmos padrões de controlo de qualidade aplicados aos seus modelos de combustão. Com esta solução, o Luce não pretende ser apenas mais um elétrico de luxo. A Ferrari quer que o seu primeiro SUV elétrico continue atual dentro de muitos anos, numa altura em que a evolução das baterias acontece a um ritmo cada vez mais acelerado.
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