A guerra no Médio Oriente está a obrigar a Fórmula 1 a uma revisão profunda do calendário para 2026, com a confirmação de que será impossível recuperar as provas do Bahrain e da Arábia Saudita. Stefano Domenicali, presidente da Fórmula 1, falou com frontalidade sobre a situação, admitindo que o calendário original, com 24 Grandes Prémios, terá de ser substancialmente alterado devido às circunstâncias geopolíticas que atravessam a região.
Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Domenicali explicou que “a decisão será tomada nos próximos meses, no momento oportuno”, mas já é claro que “recuperar ambas as provas será impossível”. O dirigente italiano sublinhou ainda que reenquadrar sequer uma delas no calendário não será tarefa fácil, devido à escassez de datas livres entre os Grandes Prémios já agendados, nomeadamente no intervalo entre Baku e Singapura, onde apenas existe um fim de semana disponível, a 4 de outubro.
Domenicali revelou que a organização da Fórmula 1 já preparou um plano de emergência, que poderá incluir a exclusão definitiva das provas no Médio Oriente caso o conflito se prolongue. “Se as duas corridas no final do ano não puderem ser disputadas porque a guerra não terminou, temos alternativas. Posso confirmar que o campeonato não vai terminar em Las Vegas”, afirmou o líder da F1.
Recordando os tempos difíceis da pandemia de Covid-19, Domenicali frisou a necessidade de pragmatismo: “É como naquela altura, temos de ser o mais práticos possível. Sabíamos que não seria possível realizar o GP do Bahrain e da Arábia Saudita naquela altura. Somos uma empresa que promove entretenimento, um desporto que traz alegria e entusiasmo. Temos de ir a locais onde se respira verdadeiramente essa atmosfera. Esperamos, pela Fórmula 1 mas sobretudo pelo mundo, que a situação melhore rapidamente.”
O dirigente referiu ainda que os promotores do Qatar e de Abu Dhabi continuam a vender bilhetes com sucesso, mas alertou para as dificuldades logísticas e financeiras que o adiamento ou cancelamento das provas implica. “Chegará o momento em que teremos de tomar decisões, porque não é como um jogo de futebol, onde há só duas equipas, 22 jogadores e substituições fáceis. Para nós, existem complicações logísticas e custos elevados.”
Com este cenário, o Mundial de 2026 vê-se numa encruzilhada inédita, onde a incerteza política e social poderá ditar um calendário mais curto e adaptado, longe do plano inicial que previa 24 Grandes Prémios. A Fórmula 1 mantém-se no entanto empenhada em garantir um espetáculo de excelência, procurando soluções para mitigar o impacto das atuais adversidades.
