Chery prepara bateria de estado sólido de 400 Wh/kg
O essencial
- Chery apresentou bateria de estado sólido Rhinoceros S com densidade energética de 400 Wh/kg e intervalo de funcionamento entre -40 e 100 graus Celsius.
- Linha-piloto dedicada à tecnologia de estado sólido está prevista para entrar em funcionamento em 2027, mas sem data confirmada para comercialização.
- Família Rhinoceros inclui células com eletrólito líquido com taxa de carregamento de pico de 12C e autonomia futura de até 1.500 quilómetros.
Bateria de estado sólido com 400 Wh/kg
A marca chinesa apresentou a evolução da sua tecnologia de baterias Rhinoceros, que inclui células de eletrólito líquido com carregamento de pico de 12C e uma bateria de estado sólido com densidade energética de 400 Wh/kg. A entrada em funcionamento de uma linha-piloto está prevista para 2027, mas ainda não existe uma data confirmada para a chegada desta tecnologia aos automóveis de produção.
A Chery está a acelerar o desenvolvimento das suas tecnologias de armazenamento de energia e revelou novos detalhes sobre a família de baterias Rhinoceros, durante a Conferência Global de Inovação da marca, realizada a 20 de outubro de 2026.
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Entre as principais novidades está a bateria de estado sólido Rhinoceros S, que anuncia uma densidade energética de 400 Wh/kg. A fabricante chinesa prevê colocar em funcionamento uma linha-piloto dedicada a esta tecnologia em 2027, um passo importante no caminho entre o desenvolvimento laboratorial e a eventual utilização em veículos.
O calendário exige, contudo, alguma cautela. A Chery já tinha apontado para a aplicação de baterias de estado sólido em automóveis em 2026, enquanto declarações posteriores da administração indicaram que os testes em veículos deverão começar em 2027. A produção experimental de células, a validação num automóvel e o início das entregas a clientes são etapas distintas, pelo que ainda não existe uma data confirmada para a comercialização.
Bateria de estado sólido resiste a temperaturas extremas
Segundo os dados divulgados pela Chery, a bateria Rhinoceros S apresenta uma densidade energética de 400 Wh/kg e um intervalo de funcionamento entre os -40 e os 100 graus Celsius.
A empresa referiu também ter submetido a tecnologia a um ensaio interno numa câmara térmica a 200 graus Celsius. No entanto, não foram divulgados detalhes suficientes sobre a duração do teste, o estado de carga da bateria ou a configuração da amostra, pelo que não é possível comparar diretamente este resultado com ensaios normalizados de segurança.
A densidade energética de 400 Wh/kg também não representa o limite das ambições da marca. Em 2025, a Chery já tinha apresentado uma via de desenvolvimento com o objetivo de atingir os 600 Wh/kg. As duas soluções recorrem, contudo, a abordagens químicas diferentes, pelo que os valores não devem ser interpretados como simples evoluções da mesma bateria.
No caso da tecnologia de 400 Wh/kg, informações anteriores apontam para um eletrólito à base de sulfureto e um cátodo ternário com elevado teor de níquel. A solução orientada para os 600 Wh/kg utiliza uma abordagem diferente, com eletrólito polimerizado in situ e um cátodo rico em manganês e lítio.
A Chery identifica ainda a estabilidade do contacto entre os materiais, a integração do conjunto de baterias e o sistema de gestão dedicado como alguns dos principais desafios de engenharia. Nas baterias de estado sólido, manter uma interface estável entre o eletrólito e os elétrodos ao longo de numerosos ciclos de carga e descarga continua a ser uma das dificuldades a ultrapassar.
Carregamento até 12C nas baterias convencionais
Carregamento rápido nas baterias convencionais
A família Rhinoceros não se limita à tecnologia de estado sólido. Inclui também células com eletrólito líquido, para as quais a Chery anuncia uma taxa de carregamento de pico de 12C e uma taxa média sustentada superior a 8C.
Estes valores dizem respeito às células de eletrólito líquido e não à bateria de estado sólido Rhinoceros S. A taxa C relaciona a corrente de carga com a capacidade da bateria: em condições ideais, uma taxa de 12C corresponde a uma carga teórica em cerca de cinco minutos. Na prática, atingir esse resultado depende da curva de carregamento, da temperatura, do estado de carga e dos limites térmicos e elétricos do sistema.
Por isso, o valor anunciado não significa necessariamente que um automóvel equipado com estas células consiga carregar de zero a 100% em cinco minutos. Para avaliar o desempenho real, será necessário conhecer a potência de carregamento suportada pelo veículo, a curva de carga e as condições em que os ensaios foram realizados.
A marca está também a desenvolver baterias de iões de sódio para aplicações de armazenamento de energia. Neste caso, anuncia uma vida útil nominal de até 15.000 ciclos em utilizações comerciais, industriais e residenciais.
Autonomia de 1.500 km continua a ser uma meta
Autonomia de 1.500 km como meta futura
No domínio automóvel, a Chery aponta para uma autonomia futura de até 1.500 quilómetros com baterias de estado sólido. Trata-se, para já, de um objetivo de desenvolvimento, e não de um valor confirmado para um modelo de produção.
A autonomia efetiva dependerá de vários fatores, incluindo a capacidade total da bateria, a eficiência do veículo, o peso, a aerodinâmica e as condições de utilização. A marca ainda não identificou um modelo de produção que permita avaliar esta meta em condições reais.
A próxima etapa será, por isso, transformar as especificações anunciadas em resultados demonstráveis, primeiro através de células e conjuntos de baterias e, posteriormente, em veículos sujeitos a testes de validação.
Chery também aposta em energia produzida a partir de amoníaco
A apresentação incluiu ainda um projeto distinto das baterias para automóveis: um sistema estacionário de células de combustível de óxido sólido, conhecido pela sigla SOFC, alimentado a amoníaco.
A solução destina-se à produção de eletricidade e calor, com aplicações potenciais em instalações descentralizadas e infraestruturas de carregamento em locais remotos.
De acordo com os dados apresentados pela empresa, o sistema poderá atingir uma eficiência elétrica de 60% e uma eficiência combinada de eletricidade e calor de 90%. A Chery indica ainda uma potência ajustável entre 30% e 100% e um prazo de implementação de 90 dias.
O amoníaco pode funcionar como transportador de hidrogénio para estes sistemas, mas a eficiência global e o impacto ambiental dependem também da produção, do transporte e do processamento do combustível. A utilização de energia renovável na produção de amoníaco pode reduzir as emissões, mas não garante, por si só, um balanço nulo de carbono ao longo de todo o ciclo de vida.
2027 será um ano decisivo para a tecnologia
A Chery junta-se assim a outros fabricantes chineses que apontam para 2027 como um marco no desenvolvimento e na produção experimental de baterias de estado sólido. Entre eles estão a CATL e a BYD, que também têm planos para avançar com esta tecnologia em pequena escala.
Ainda assim, a produção-piloto não equivale à industrialização em grande volume. Antes de chegar ao mercado, uma nova bateria terá de demonstrar fiabilidade, segurança, durabilidade e viabilidade económica, além de superar os desafios associados à produção em escala.
Com a família Rhinoceros, a Chery procura avançar em várias frentes: carregamento ultrarrápido, maior densidade energética, armazenamento estacionário e novas soluções de produção de energia. Os números anunciados são ambiciosos, mas o verdadeiro teste será perceber até que ponto estas tecnologias conseguem passar dos objetivos de desenvolvimento para aplicações comerciais.
Ficha técnica
- Densidade energética
- 400 Wh/kg
- Intervalo de funcionamento
- -40 a 100 graus Celsius
- Taxa de carregamento pico
- 12C
- Taxa de carregamento sustentada
- Superior a 8C
- Autonomia prevista
- Até 1.500 quilómetros
- Linha-piloto
- Prevista para 2027
- Vida útil baterias sódio
- Até 15.000 ciclos
AutoGear · 692 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).