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Carro do Ano 2027: os sete finalistas são elétricos e não há marcas chinesas na lista

Publicado a 31 de Outubro de 2026, 09h00  ·  Atualizado a 31 de Outubro de 2026, 10h48  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Pela primeira vez desde 1964, os sete finalistas do Carro do Ano 2027 são exclusivamente elétricos, sem combustão ou híbrido.
  • Os finalistas são: BMW iX3, Cupra Raval, Hyundai Ioniq 3, Kia EV2, Renault Twingo, Volkswagen ID. Polo e Volvo EX60.
  • O vencedor será anunciado a 8 de janeiro no Salão Automóvel de Bruxelas, após testes em Balocco, perto de Milão.
  • Nenhum dos oito candidatos chineses iniciais conseguiu avançar para a fase final da seleção.

A eletrificação conquistou um lugar central na indústria automóvel europeia e a lista de finalistas do Carro do Ano 2027 é um sinal claro dessa transformação. Pela primeira vez desde a criação do prémio, em 1964, os sete modelos que chegam à fase final são exclusivamente elétricos, sem qualquer representante com motor de combustão ou sistema híbrido.

A seleção foi feita por um júri composto por 65 jornalistas de 25 países europeus, que reduziu a lista inicial de 38 candidatos a apenas sete modelos. A decisão coloca frente a frente propostas de diferentes segmentos e posicionamentos, desde pequenos automóveis urbanos até SUV de maiores dimensões.

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Os finalistas são o BMW iX3, o Cupra Raval, o Hyundai Ioniq 3, o Kia EV2, o Renault Twingo, o Volkswagen ID. Polo e o Volvo EX60.

O vencedor será anunciado a 8 de janeiro, no Salão Automóvel de Bruxelas, depois de os sete modelos serem submetidos a testes comparativos na pista de ensaios da Stellantis, em Balocco, perto de Milão, durante novembro.
Uma estreia absoluta para os automóveis elétricos

A presença exclusiva de modelos elétricos representa um marco na história do prémio europeu. Até agora, vários automóveis elétricos tinham conseguido conquistar o título, mas nunca todos os finalistas pertenciam a esta categoria.

O Nissan Leaf foi o primeiro elétrico a vencer, em 2011, seguindo-se o Jaguar I-Pace, em 2019. Mais recentemente, o Mercedes-Benz CLA conquistou o título de 2026, num modelo disponibilizado com diferentes motorizações.

A edição de 2027 distingue-se, por isso, não apenas pela tecnologia dos automóveis selecionados, mas também pela ausência total de propostas com motores de combustão na fase decisiva.

A lista inclui modelos como o Renault Twingo e o Volkswagen ID. Polo, que apostam na mobilidade elétrica num formato compacto, e propostas de maior dimensão, como o BMW iX3 e o Volvo EX60. A diversidade dos finalistas mostra que a eletrificação já abrange diferentes necessidades e segmentos do mercado.
Marcas chinesas ficam pelo caminho

Uma das principais surpresas da seleção é a ausência de fabricantes chineses entre os sete finalistas, apesar da crescente presença destas marcas no mercado europeu.

A lista inicial incluía oito automóveis de fabricantes chineses ou de projetos empresariais com participação chinesa. Entre eles estavam o BYD Dolphin G, o desportivo Denza Z9GT e os modelos B05 e B03X associados à Leapmotor, marca que tem uma parceria com o grupo Stellantis.

A MG também procurava garantir um lugar na fase final com três modelos: IM5, MG4 Urban e MGS6. Nenhum dos candidatos chineses conseguiu avançar.

O resultado chama a atenção num contexto em que as marcas chinesas têm vindo a reforçar a sua presença na Europa, sobretudo através de automóveis elétricos e híbridos. Ainda assim, a ausência nesta fase do concurso não significa necessariamente uma rejeição dos produtos chineses pelo mercado: trata-se de uma seleção feita pelo júri entre os modelos elegíveis para esta edição.

Há, contudo, uma ligação indireta à indústria chinesa entre os finalistas. O Volvo EX60 pertence a uma marca detida pelo grupo chinês Geely, embora o modelo seja produzido na fábrica da Volvo em Torslanda, na Suécia. A Volvo mantém, assim, a sua identidade de fabricante de origem sueca, apesar da estrutura acionista.

Volkswagen, Cupra e Renault podem partir em vantagem?

A lista reúne automóveis com características bastante distintas, o que torna difícil antecipar o vencedor. Historicamente, o prémio tem distinguido frequentemente modelos destinados a um público alargado, embora também existam exceções de segmentos superiores.

Neste contexto, o Volkswagen ID. Polo e o Cupra Raval poderão beneficiar da aposta num formato compacto, enquanto o Renault Twingo se destaca por uma proposta urbana e potencialmente mais acessível. O historial do concurso mostra que o preço e a adequação às necessidades quotidianas podem ter um papel importante na avaliação dos jurados, embora não garantam qualquer resultado.

Do outro lado da lista, BMW e Volvo apresentam propostas de posicionamento superior, enquanto Hyundai e Kia procuram afirmar-se com modelos desenvolvidos especificamente para a mobilidade elétrica.

A decisão final dependerá dos testes e da avaliação do júri, que terá de ponderar os méritos de sete automóveis com abordagens distintas à eletrificação.

O que revela a lista de finalistas?

A presença de sete elétricos na fase final não significa que os motores de combustão tenham desaparecido do mercado europeu. Mostra, isso sim, que os automóveis elétricos assumem uma importância crescente no desenvolvimento de novos modelos e na estratégia dos fabricantes.

A ausência de marcas chinesas também merece atenção, sobretudo numa altura em que estas procuram conquistar quota de mercado na Europa. Ainda assim, a lista de finalistas é apenas um retrato de uma edição do concurso, não uma medida definitiva da competitividade de cada indústria nacional.

O vencedor do Carro do Ano 2027 será conhecido a 8 de janeiro, em Bruxelas. Até lá, os sete finalistas terão de provar que conseguem combinar tecnologia, qualidade, utilização quotidiana e valor numa competição que, pela primeira vez, será disputada exclusivamente por automóveis 100% elétricos.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  743 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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