Carlos Sainz recupera fé na Williams após campanha decepcionante

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Carlos Sainz, piloto da Williams, não escondeu a sua surpresa perante o desaire da equipa na temporada de 2026, mas garantiu que o plano de ação delineado pelo conjunto de Grove lhe devolveu a confiança no projeto. Após ter deixado a Ferrari para ingressar numa equipa em reconstrução, o espanhol sabia que enfrentaria um desafio difícil, mas o que aconteceu este ano superou as suas expectativas negativas.

A temporada de 2025 tinha sido um ponto alto inesperado, com a Williams a garantir o quinto lugar no campeonato e Sainz a alcançar dois pódios surpreendentes no Azerbaijão e no Qatar. Contudo, 2026 trouxe um revés significativo: o FW48 revelou-se deficitário em downforce e demasiado pesado, deixando a equipa muito atrás da concorrência. “Reconhecemos que, mesmo sem o problema do peso, este carro não está ao nível que poderia ou deveria estar,” confessou Sainz após os primeiros cinco Grandes Prémios, onde ele e Alex Albon somaram apenas sete pontos.

O piloto espanhol foi direto ao ponto ao admitir que a equipa “falhou em muitas áreas” e que o declínio inesperado foi um choque difícil de assimilar. “Testou a minha fé? Com certeza. Passar de lutar por pódios no final do ano passado para estar a dois segundos do ritmo no início desta época é um grande teste de confiança, um choque para o sistema,” acrescentou.

Sainz explicou que a performance de 2025 acabou por levantar expectativas que 2026 não conseguiu cumprir. “No ano passado, fizemos mais do que o esperado. O FW47 era um carro de corrida sólido, com as suas forças e fraquezas, mas conseguimos criar um monolugar capaz de lutar pelos pódios. Na minha primeira época, não esperava isso. Pensava que a equipa lutaria no meio do pelotão, mas não que em algumas corridas estaríamos ao nível da Mercedes ou Ferrari. Isso aumentou as minhas expectativas para 2026, mas veio o ano seguinte e foi quase o oposto.”

A resposta da Williams a esta crise tem sido clara e Sainz destaca a transparência nas discussões internas, lideradas pelo chefe da equipa James Vowles. “Fui o primeiro a dizer a James e à gestão que não esperávamos isto, mas tivemos conversas muito abertas sobre onde as coisas começaram a falhar. Fizemos uma análise profunda com membros-chave da equipa e, quando percebemos onde e como as coisas falharam, percebi rapidamente que isso poderia ser benéfico para a equipa.”

O espanhol comparou a situação da Williams à da McLaren há três anos, quando a equipa britânica passou por uma fase complicada antes de dar um salto significativo. “O caminho para a recuperação de uma equipa nunca é linear. O exemplo mais claro foi a McLaren em 2023, que começou muito mal e terminou a época em alta, com um progresso notável. Esse choque levou a mudanças mentais e de abordagem que eram necessárias, mas que talvez nunca tivessem acontecido sem essa adversidade.”

Graças a este revés, James Vowles e a sua equipa implementaram um conjunto de medidas para corrigir os erros e “eliminá-los do sistema”, o que fez com que Sainz recuperasse a fé no projeto. Para além disso, a Williams prepara uma série de atualizações aerodinâmicas que serão acompanhadas por esforços para reduzir o peso do FW48, numa estratégia pensada para maximizar os recursos da equipa.

Na próxima temporada, a Williams vai saltar do FW48 para o FW50, uma homenagem ao 50.º aniversário da sua estreia na Fórmula 1, em 1977. Sainz e Albon esperam que esta mudança simbólica venha acompanhada por dois passos em frente, contrariando o regresso atrás verificado em 2026. A recuperação da lendária equipa britânica está em marcha, e o desafio agora é transformar a aprendizagem deste ano difícil numa trajetória consistente de sucesso.

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