China está a mudar de vez: 9 dos 10 carros mais vendidos em julho são elétricos

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O ranking chinês de julho deixa pouco espaço para dúvidas: os veículos de energia nova dominaram completamente o mercado. O Toyota Corolla Cross foi o único modelo a gasolina a entrar no top 10, enquanto a Tesla ficou atrás de duas marcas chinesas.

Se ainda havia dúvidas sobre a velocidade com que o mercado automóvel chinês está a mudar, os números de julho ajudam a dissipá-las. Dos 10 automóveis de passageiros mais vendidos na China, apenas um utiliza exclusivamente um motor de combustão interna. Os outros nove são modelos de energia nova, sobretudo elétricos.

E há outra conclusão interessante: a Tesla já não consegue colocar um modelo no topo da tabela. Geely lidera, Tesla fica em terceiro. O primeiro lugar pertenceu ao Geely Xingyuan, com 32.306 unidades vendidas em julho. O pequeno elétrico chinês continua assim a demonstrar uma enorme força no seu mercado doméstico e mantém a liderança que já tinha conquistado anteriormente.

Logo atrás aparece outro modelo chinês, o Leapmotor A10, com 26.424 unidades. A Tesla fecha o pódio com o Model Y, que registou 25.158 unidades vendidas.

Ou seja, os dois primeiros lugares pertencem a fabricantes chineses e o SUV elétrico da Tesla já teve de se contentar com a terceira posição. Xiaomi também já está no topo O quarto lugar é ocupado pelo Xiaomi SU7, com 21.044 unidades.

A Xiaomi, que há poucos anos nem sequer fabricava automóveis, já consegue colocar um dos seus modelos entre os cinco mais vendidos da China. Logo atrás surge o Fang Chengbao Ti 7, com 20.320 unidades, disponível com motorizações elétricas e híbridas plug-in. O BYD Yuan Up foi sexto, com 20.275 unidades, seguido pelo Changan Qiyuan Q05, com 18.871.

Na oitava posição aparece o Li Auto i6, com 15.420 unidades, enquanto o Sea Lion 06, da BYD, fecha o grupo dos elétricos e híbridos, com 15.395 unidades. E então aparece o único sobrevivente da velha escola. A Toyota salva a honra dos motores a combustão O Corolla Cross terminou o mês na décima posição, com 14.510 unidades vendidas.

É o único automóvel equipado exclusivamente com motor de combustão interna a conseguir entrar no top 10. É um dado particularmente revelador.

Não significa que os motores a gasolina tenham desaparecido da China — continuam a representar uma parte importante do mercado —, mas mostra claramente para onde está a caminhar a procura. E essa direção é cada vez mais elétrica.

Há ainda um detalhe curioso no ranking. O Tesla Model Y é o modelo mais caro entre os dez primeiros.

Na China, o preço de tabela situa-se entre 263.500 e 313.500 yuans, o equivalente a aproximadamente 32.000 a 38.000 euros, dependendo da versão e da taxa de câmbio. Mesmo assim, conseguiu vender mais de 25 mil unidades num único mês. O ranking de julho acaba por ser quase uma fotografia do atual mercado chinês. Geely, Leapmotor, Xiaomi, BYD, Changan, Li Auto e Fang Chengbao ocupam praticamente toda a tabela. A única marca ocidental é a Tesla. E a única representante dos motores de combustão é a Toyota. Mais importante ainda: dos 10 modelos mais vendidos, nove utilizam algum tipo de eletrificação.

Para os fabricantes europeus e japoneses que ainda estão a tentar perceber a velocidade desta transformação, estes números deveriam servir como um sério aviso. A China não está simplesmente a aumentar a oferta de carros elétricos. Os consumidores chineses já estão a escolhê-los em massa.

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