Enquanto vários mercados europeus assistem a uma autêntica invasão de automóveis chineses, França continua a ser uma das poucas exceções. Num momento em que marcas como BYD, MG, Jaecoo ou Leapmotor ganham cada vez mais terreno em países como Itália, Espanha ou Reino Unido, o mercado francês parece manter-se surpreendentemente imune a esta tendência.
Os números mais recentes mostram que os construtores chineses já representam cerca de 10% das vendas de automóveis novos na Europa. Ainda assim, em França, nenhum modelo chinês consegue sequer entrar no Top 20 dos automóveis mais vendidos, algo cada vez mais raro no panorama europeu.
Basta olhar para os países vizinhos para perceber o contraste. Em Itália, o BYD Atto 2 alcançou recentemente o terceiro lugar do ranking de vendas, ficando apenas atrás do Fiat Panda e do Dacia Sandero. O Leapmotor T03 também tem conseguido resultados expressivos, enquanto em Espanha a MG continua a somar sucessos, com o ZS a surgir frequentemente entre os modelos mais vendidos.
No Reino Unido, a situação é ainda mais surpreendente. A recém-chegada Jaecoo já conseguiu colocar o SUV “7” entre os automóveis mais vendidos do país, um feito notável para uma marca praticamente desconhecida na Europa há apenas alguns anos.
Mas então, porque é que França continua a resistir?
A resposta parece estar, em grande parte, nas políticas implementadas pelo Governo francês. Para além das tarifas adicionais impostas pela União Europeia aos veículos elétricos produzidos na China, França adotou uma abordagem ainda mais protecionista ao limitar os incentivos à compra em função da origem dos veículos.
Os critérios de atribuição do bónus ecológico e do programa de leasing social favorecem claramente modelos produzidos na Europa, dificultando significativamente a vida aos fabricantes chineses.
A isto junta-se outro fator importante: a forte preferência nacional dos consumidores franceses. Modelos como o Renault 5 E-Tech, o Renault Scénic E-Tech ou o Peugeot E-3008 continuam a beneficiar de uma imagem muito sólida no mercado interno, especialmente no segmento dos elétricos.
Mesmo assim, os fabricantes chineses não desistem. O BYD Atto 2 é atualmente o automóvel chinês mais vendido em França, embora ainda apareça bastante longe dos líderes do mercado, ocupando apenas a 22.ª posição nas tabelas de vendas.
Algumas marcas têm procurado contornar a ausência de incentivos através de fortes campanhas promocionais. A MG, por exemplo, reduziu significativamente os preços do MG4 para tentar manter a competitividade. Contudo, nem todos os fabricantes dispõem da capacidade financeira necessária para suportar este tipo de estratégia durante muito tempo.
A situação levanta uma questão interessante para os próximos anos: estará França a conseguir travar a ofensiva chinesa graças às suas políticas de apoio à indústria nacional ou trata-se apenas de um atraso inevitável perante uma tendência que já se instalou no resto da Europa?
Para já, a realidade mostra que o mercado francês continua a ser uma rara exceção num continente onde os automóveis chineses ganham cada vez mais espaço. Mas, tendo em conta a velocidade a que estas marcas estão a crescer, a grande dúvida é saber durante quanto tempo essa resistência conseguirá manter-se.
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