Verstappen exige mudança nas regras após polémica com bandeira amarela

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George Russell conquistou a pole position do Grande Prémio da Áustria após uma qualificação marcada pela polémica em torno das bandeiras amarelas. O piloto da Mercedes assegurou o primeiro lugar da grelha apesar de ter passado pelo local do acidente de Max Verstappen sob bandeira amarela simples, levantando questões sobre a justiça e a segurança das regras actuais da Fórmula 1.

No Red Bull Ring, Russell garantiu a pole com um tempo de 1:04.672, batendo os rivais por escassos décimos. No entanto, o momento decisivo ocorreu quando Verstappen, ao volante do seu Red Bull RB22, perdeu o controlo na curva 9 e provocou uma bandeira amarela simples, que só 22 segundos depois foi elevada a dupla amarela. Russell passou pelo incidente durante a fase de bandeira amarela simples, levantando ligeiramente o pé do acelerador e perdendo apenas 0,08 segundos nesse sector — margem que os comissários consideraram suficiente para cumprir o regulamento. A decisão permitiu-lhe concluir a volta e manter a pole, acabando depois por vencer a prova austríaca.

O episódio reacendeu o debate sobre a eficácia das regras relativas às bandeiras amarelas na qualificação. Carlos Sainz, da Ferrari, não escondeu a sua preocupação, afirmando: “A forma como o George lidou com a situação foi perfeita, de acordo com o regulamento, e mereceu a pole porque jogou com as regras na perfeição. Mas nunca deveria ter sido permitido terminar essa volta numa situação tão perigosa.” O espanhol foi mais longe, defendendo que qualquer piloto que provoque uma bandeira amarela ou vermelha durante a qualificação deveria ser penalizado com três lugares na grelha: “Assim pelo menos seria penalizado e desincentivado.”

Confrontado com esta proposta, Verstappen concordou parcialmente, mas sublinhou que a sua principal preocupação reside na possibilidade de pilotos completarem voltas rápidas em condições de bandeira amarela. “Quando alguém faz de forma deliberada, deveria ser penalizado de forma ainda mais severa”, afirmou o neerlandês após a qualificação. “É um tema sobre o qual temos falado há muito tempo. Noutras categorias, quando se provoca uma dupla amarela ou vermelha, perde-se a volta. Mas isso não resolve a questão de outros pilotos poderem concluir a volta. Agora, pode-se interpretar muito bem o regulamento, terminar a volta e mantê-la. Acho que, antes de mais, nunca deveria ter sido uma bandeira amarela simples — devia ser logo dupla ou até vermelha. O piloto optimiza a volta em função disso. Provavelmente teria feito o mesmo, mas nunca deveria ser possível terminar a volta nestas condições. Esse é o meu principal problema.”

Verstappen também destacou que os pilotos estão a explorar os limites das regras: “Já discuti isto muitas vezes. Os pilotos chegam muito perto do limite permitido. Ainda não conseguimos controlar bem estas situações. Com bandeira simples, quanto é que se tem mesmo de abrandar? Alguns abrandam mais do que outros. É um tema muito complicado.” A análise dos dados mostra que Russell perdeu apenas 0,08 segundos ao passar pelo sector sob bandeira amarela, o que levanta dúvidas sobre a eficácia do critério do “levantar suficiente”.

Este incidente tem implicações directas na luta pelo campeonato. Russell, ao vencer a corrida, soma pontos importantes para a Mercedes, enquanto Verstappen, penalizado pelo acidente, vê a sua vantagem no campeonato ameaçada. Sainz e outros pilotos pressionam agora a FIA por uma revisão urgente das regras de qualificação, de forma a garantir maior equidade e segurança.

O foco vira-se já para a próxima ronda do Mundial, onde se espera que a discussão em torno das bandeiras amarelas continue a marcar a actualidade do paddock. As equipas e pilotos aguardam por eventuais esclarecimentos da FIA, numa altura em que cada ponto pode ser decisivo na luta pelo título. O debate sobre justiça e segurança em pista está mais vivo do que nunca, e a pressão para uma alteração regulamentar deverá aumentar nas próximas semanas.

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