McLaren excluída da nova unidade motriz Mercedes no GP da grã-bretanha

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O ambiente em Silverstone aqueceu ainda antes da corrida, com a confirmação de que a McLaren será a única das equipas cliente da Mercedes a alinhar no Grande Prémio da Grã-Bretanha sem a mais recente especificação da unidade motriz alemã. Num fim-de-semana em que Alpine, Williams e a própria Mercedes oficial já montaram a nova evolução nas suas máquinas, a ausência deste “upgrade” na McLaren pode revelar-se decisiva na luta pelas posições cimeiras e na consolidação da equipa de Woking como principal rival da Red Bull e da Ferrari em 2024.

No rescaldo da única sessão de treinos livres e antes da qualificação, ficou claro que Pierre Gasly e Franco Colapinto, pilotos da Alpine, já estão a utilizar motores Mercedes renovados, incluindo novo motor de combustão interna e turbo. Carlos Sainz, da Williams, também optou por uma mudança total de unidade motriz, depois dos problemas registados na Áustria. Curiosamente, Alex Albon mantém ainda a unidade utilizada em Spielberg, alinhando assim com equipamento inferior aos colegas de fornecimento. Isto deixa a McLaren isolada, sem acesso imediato a esta atualização, tanto com Lando Norris como com Oscar Piastri.

Zak Brown, CEO da McLaren, abordou o tema na conferência de imprensa da FIA à sexta-feira, esclarecendo que o atraso se prende apenas com a gestão do ciclo de vida dos motores actuais: “Precisamos de receber o novo motor Mercedes. Somos os únicos sem a nova especificação, que estará a chegar para nós brevemente”, afirmou o dirigente, reforçando: “Obviamente, gostaríamos de já o ter. Sempre que sabemos que existe uma atualização de desempenho a caminho, queremos tê-la o mais cedo possível. Mas não diria que é uma frustração. É o que é. Mantemos o foco no nosso trabalho e continuamos a dar tudo. Em breve estará nos nossos carros.”

A situação recorda as dificuldades do início da época, quando a McLaren, pela primeira vez como cliente integral, sentiu na pele o impacto das diferenças face à equipa oficial, sobretudo no acesso à informação técnica e numa curva de aprendizagem distinta da Mercedes. No entanto, Brown fez questão de sublinhar que o cenário actual é puramente logístico: “Temos de rodar os nossos motores e ainda temos vida útil nas unidades actuais, por isso temos de esperar até ser necessária uma troca. A Williams recebeu a atualização porque o Carlos teve um problema e precisou de mudar de motor. Não me recordo exactamente do caso da Alpine, mas penso que também receberam dois, portanto é apenas uma questão de sequência de utilização.”

Do ponto de vista estatístico, a Alpine lidera em quilometragem entre os clientes da Mercedes, fruto também dos abandonos sofridos pela McLaren ao longo do ano. A Williams surge mais abaixo nesta lista, justificando também o atraso de Albon em receber a nova especificação. Caso a McLaren acumule mais quilómetros em Silverstone, é expectável que Norris e Piastri já possam alinhar com a nova unidade motriz na próxima ronda, em Spa-Francorchamps.

A importância desta atualização acentua-se tendo em conta as características do circuito belga, altamente sensível à potência do motor. Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, já tinha explicado na Áustria que a instalação de um novo motor traz sempre um pequeno ganho de performance, já que a potência disponível tende a degradar-se ao longo do tempo de vida da unidade. Andrea Stella, responsável máximo da McLaren, acrescentou que cerca de 30% do défice da equipa para a Mercedes se regista nas rectas, apontando a resistência aerodinâmica (“drag”) como uma das principais causas – um tema que está a ser investigado internamente.

Com a próxima paragem marcada para Spa, onde a potência é determinante, a expectativa é de que a McLaren alinhe finalmente com a mais recente evolução da Mercedes, podendo assim lutar em igualdade de circunstâncias com os restantes clientes e, potencialmente, reforçar a sua posição no campeonato. Uma decisão de gestão que pode fazer a diferença na fase crucial da temporada e que coloca ainda mais pressão nos adversários directos. Com a Red Bull e a Ferrari a manterem-se na frente, cada pormenor técnico pode ser decisivo para o desfecho do Mundial de Fórmula 1 de 2024.

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