Leonardo Fornaroli causou sensação ao impressionar fortemente a Haas durante o recente teste em Barcelona, tornando-se assim o principal candidato a ocupar o lugar de Esteban Ocon em 2027. A luta pelo segundo assento da equipa americana está ao rubro, alimentada por desempenhos irregulares de Ocon, a expectativa de novos talentos e o impacto indireto de possíveis mudanças no topo da Fórmula 1, nomeadamente com a possível saída de Max Verstappen da Red Bull.
Actualmente, a Haas atravessa um dos momentos mais decisivos do mercado de pilotos para 2027. Ocon, que se juntou à equipa em 2025, tem visto a sua permanência cada vez mais ameaçada pelos resultados aquém do esperado. Na última temporada, foi consistentemente batido por Ollie Bearman, seu companheiro de equipa, que terminou com 41 pontos contra os 38 do francês. Em 2026, a diferença acentuou-se ainda mais: Bearman já soma 18 pontos, enquanto Ocon apenas três, com médias de qualificação que atestam a superioridade do jovem britânico. A última prestação de Ocon na Áustria foi marcada por queixas relativas à inconsistência de peças, nomeadamente o piso do seu monolugar — um problema confirmado pelo chefe de equipa, Ayao Komatsu, mas que, segundo este, afectou ambos os pilotos em momentos distintos.
No centro deste turbilhão surge Fornaroli. O italiano de 21 anos, campeão em título da Fórmula 2 e actual piloto de reserva da McLaren, foi convidado pela Haas para um teste num VF-25 do ano anterior, onde demonstrou não só rapidez imediata, mesmo sem preparação prévia em simulador, mas também notável capacidade de adaptação e comunicação técnica. Ayao Komatsu não escondeu o entusiasmo: “Claramente, o programa que a McLaren está a desenvolver com o Leo é excelente”, referiu o responsável máximo da Haas, sublinhando a preparação meticulosa e a maturidade do jovem transalpino. Também Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, elogiou Fornaroli pela sua proactividade com engenheiros e pela rapidez demonstrada em todas as oportunidades: “Sempre que entra num carro, seja simulador, TPC ou uma sessão de treinos livres, é rápido”, garantiu Stella.
Fornaroli conta ainda com um acordo de intenção entre as duas equipas, permitindo à Haas garantir os seus serviços por empréstimo, caso decida avançar. O precedente existe: Gabriel Bortoleto, ex-McLaren e colega de Fornaroli, está agora sob controlo total da Audi, mas a Haas já demonstrou abertura para acordos de empréstimo, como se viu com Bearman, actualmente contratado à Ferrari.
A concorrência, contudo, está longe de ser escassa. O reforço da parceria da Haas com a Toyota abriu portas a pilotos japoneses de topo, como Ryo Hirakawa, actual piloto Hypercar e múltiplo campeão mundial de endurance. Apesar dos seus 32 anos e de não correr em monolugares desde 2023, Hirakawa impressionou nos sete treinos livres (FP1) realizados para Haas, Alpine e McLaren, além de diversas sessões de testes. O próprio piloto deixou clara a ambição de conquistar um lugar em Fórmula 1: “Não se trata apenas de sonhar, mas de ser realista. Estou muito grato por esta oportunidade – o objectivo é dar bom feedback à equipa”, afirmou Hirakawa após o último FP1 no Red Bull Ring, onde ficou a 1.4 segundos do tempo de Bearman, lamentando ter tido apenas uma volta para atacar ao máximo.
Rafael Camara, jovem promessa da academia Ferrari actualmente em terceiro lugar da Fórmula 2, também está na órbita da Haas, com a Scuderia a pressionar nos bastidores para que o brasileiro (naturalizado italiano) tenha uma oportunidade. No entanto, falta ainda maturidade competitiva a Camara para assumir de imediato um papel titular, e a Ferrari teria ainda de financiar um eventual teste — algo que, para já, não está em cima da mesa.
Outros nomes surgem como possibilidades remotas mas não desprezáveis: Yuki Tsunoda, que esteve na lista de opções para 2025, e Jack Doohan, actual piloto de reserva e simulador da Haas, permanecem atentos à evolução do mercado e ao desempenho de Ocon nas próximas corridas.
A continuidade de Ocon, ainda que teoricamente possível devido a uma opção contratual para 2027, depende de uma inversão drástica de forma antes da pausa de verão. Apesar de alguns picos positivos — como o quinto lugar na China e um sólido sétimo em Abu Dhabi no ano passado —, a irregularidade tem sido a nota dominante. As dificuldades com a travagem e a tendência para atribuir as falhas exclusivamente ao material têm sido apontadas por responsáveis da equipa, que esperavam mais do francês após o investimento realizado.
Para a Haas, a próxima prova poderá ser decisiva para o futuro imediato da sua formação. Caso Ocon não revele sinais claros de recuperação, tudo indica que Fornaroli parte na pole position para o lugar, com Hirakawa e Camara à espreita. O desfecho deste dossiê poderá ainda ser influenciado por movimentações inesperadas noutros grandes da grelha, como se viu com a transferência de Hamilton para a Ferrari, que abalou o mercado para 2025.
Com o mercado de pilotos ao rubro, a corrida ao segundo assento da Haas promete manter-se como um dos grandes temas até ao final do verão, com implicações directas na luta pelo meio da tabela do Mundial de Construtores e na afirmação de novas estrelas do automobilismo internacional.
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