Vasseur admite erro estratégico da Ferrari ao tentar superar Mercedes

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A Ferrari saiu de uma posição promissora para um desfecho agridoce no Grande Prémio da Áustria, depois de uma estratégia demasiado agressiva na perseguição à Mercedes ter hipotecado as hipóteses de um pódio duplo. Charles Leclerc, que largou da segunda posição, e Carlos Sainz, de terceiro, terminaram apenas em oitavo e quinto lugares, respectivamente, numa corrida onde as decisões no pitwall da Scuderia se revelaram determinantes.

O Grande Prémio da Áustria, disputado no Red Bull Ring, foi marcado pela ousadia estratégica da Ferrari, que apostou numa táctica de três paragens para ambos os pilotos, contrastando com as equipas rivais que preferiram o tradicional esquema de duas paragens. O resultado traduziu-se em perdas significativas de tempo em pista: Leclerc terminou a 43,8 segundos do vencedor, enquanto Sainz ficou a 32,1 segundos, ambos atrás não só da Mercedes de Lewis Hamilton, mas também dos Red Bull e McLaren. O ritmo de volta rápida — 1:07.456 de Leclerc — não foi suficiente para compensar a perda de tempo adicional nas boxes.

Este resultado tem implicações directas nas contas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1. A Ferrari, que vinha de uma prestação sólida em Barcelona, perde assim terreno para a Mercedes na luta pelo segundo lugar do Mundial de Construtores. Mais grave, vê o fosso para a Red Bull aumentar, enquanto a McLaren se aproxima perigosamente. O erro estratégico surge ainda num contexto de rivalidade acesa entre Ferrari e Mercedes, numa fase crucial do campeonato, e impede a equipa de Maranello de tirar partido da fraca prestação da Red Bull no seu circuito caseiro.

Frédéric Vasseur, director da Ferrari, não escondeu o desagrado com o desfecho da prova. Em declarações após a corrida, Vasseur explicou: “Foi um fim-de-semana difícil, especialmente depois de Barcelona. Não começámos com o pé direito na sexta-feira, tivemos dificuldades nos treinos livres e não conseguimos preparar os long runs em condições representativas. Conseguimos recuperar algum desempenho numa volta em qualificação, com o segundo e terceiro lugar, mas, olhando para trás, estivemos demasiado focados na Mercedes. Fomos demasiado agressivos na estratégia para tentar acompanhar a Mercedes, quando realisticamente essa não era a nossa corrida hoje.” O responsável máximo da Scuderia concluiu: “Vamos aprender com isto, recentrar-nos em nós próprios e virar já atenções para o Grande Prémio da Grã-Bretanha na próxima semana.”

Charles Leclerc, visivelmente desapontado, referiu no final da corrida: “Sentíamos que podíamos lutar pelo pódio, mas a estratégia acabou por nos afastar dessa possibilidade. Temos de analisar tudo cuidadosamente e garantir que voltamos mais fortes.” Por seu lado, Carlos Sainz reconheceu: “O ritmo não foi mau, mas perdemos demasiado tempo com as paragens extra. Temos de ser mais frios nas decisões.”

Olhando para o futuro, a próxima ronda será já em Silverstone, palco do emblemático Grande Prémio da Grã-Bretanha, onde a Ferrari terá de rever processos internos para não repetir os mesmos erros estratégicos. A luta pelo segundo lugar do campeonato está agora mais acesa, com a Mercedes a capitalizar o resultado austríaco e a McLaren a ganhar fôlego para ameaçar ambos os rivais. Para a Ferrari, o foco terá de estar numa abordagem mais pragmática e menos reativa face aos adversários, se quiser manter-se na luta pela frente da tabela. Silverstone será, assim, o teste decisivo para saber se a Scuderia aprendeu verdadeiramente com o desaire austríaco ou se o campeonato 2024 vai começar a fugir-lhes irremediavelmente.

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