Norris confessa dificuldade em lidar com críticas nas redes sociais

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Lando Norris, campeão mundial em título, surpreendeu ao admitir as dificuldades que enfrentou ao lidar com a fama e a pressão nas redes sociais após a sua ascensão meteórica na Fórmula 1. Num painel realizado em Cannes, no evento Axios x The Race Cannes Lions, o piloto da McLaren abriu o jogo sobre o impacto da atenção mediática ao longo do seu percurso no desporto-rainha do automobilismo.

Na conversa com Sara Fischer, correspondente de media da Axios, Norris revelou que a exposição e as críticas que vieram com o estrelato, especialmente após a sua entrada na Fórmula 1 em 2019, foram difíceis de gerir. O britânico terminou a última época como campeão do mundo, mas nem sempre foi fácil lidar com os olhares e opiniões de milhões de adeptos, sobretudo nos períodos menos positivos em pista. “Sou alguém que se importa muito com a perspectiva que as pessoas têm de mim. Sempre que via algo que não era positivo, isso afectava-me bastante”, confessou Norris, referindo-se à pressão acrescida das redes sociais. “Tive de lidar com isso durante alguns anos e não lidei muito bem.”

A situação piorou, segundo Norris, durante as fases mais complicadas da sua carreira, nomeadamente no início da época de 2025, quando sentiu que estava “a receber muitas críticas de muita gente” e era acusado de “desiludir a McLaren”. Para o jovem piloto, parte da pressão advém do forte desejo de não desiludir quem o apoia: “Quero dar o meu melhor por todos os que me apoiam. Nunca quero desiludir os meus fãs e apoiantes. Por isso, há pressão de todos os lados.”

O britânico descreveu ainda o ambiente da Fórmula 1 como “um grande círculo”, onde o sucesso em pista se traduz directamente em mais fãs, mais apoiantes e novos parceiros para a equipa. “Quanto melhor conseguir fazer, mais fãs, mais apoiantes e mais parceiros conseguimos trazer para bordo. Mas é um trabalho difícil”, sublinhou Norris.

Louise McEwen, directora de marketing da McLaren, destacou durante o mesmo painel que a abordagem integrada da equipa na construção de parcerias é aquilo que a diferencia: “Acho que é isso que torna a McLaren verdadeiramente única na forma como construímos as nossas parcerias. Não lhes chamamos patrocínios, porque, no fundo, significam muito mais do que isso.” McEwen frisou ainda que, em Woking, o lado empresarial está totalmente alinhado com o objectivo desportivo: “Temos de ser tão competitivos fora de pista como somos em pista.”

A conquista do campeonato do mundo trouxe uma nova confiança a Norris, que assume ter mudado o seu estado de espírito: “Sinto que saí do outro lado claramente muito mais confiante, por causa da forma como correu o ano passado. Agora, independentemente da situação em que esteja, posso pensar: ‘Bem, já o fiz no ano passado e saí por cima’.” Essa confiança, explica o piloto, ajudou-o a lidar com as exigências de lutar consistentemente no topo da Fórmula 1: “Sinto pressão de tudo”, admitiu Norris.

No que toca ao futuro da McLaren, a aproximação à grande alteração regulamentar de 2026 está a ser feita com cautela. Norris revelou que a equipa optou por sacrificar algum tempo de preparação para os novos regulamentos, preferindo dedicar-se totalmente à luta pelo campeonato de 2025: “Algumas equipas que estavam fora da luta no ano passado puderam concentrar-se muito mais nesta temporada. Nós tivemos uma grande luta e temos orgulho em dizer que somos campeões do mundo. Mas sabíamos que isso tornaria o início desta época um pouco mais difícil, porque estamos uns meses atrás dos outros.”

Louise McEwen destacou ainda o crescimento exponencial da Fórmula 1, salientando que metade da audiência da McLaren é composta por novos adeptos. “50% da minha audiência é completamente nova. Estou a comunicar com uma demografia totalmente diferente”, revelou. O desafio, segundo McEwen, passa por cativar fãs que consomem o desporto de forma diferente e que, na sua maioria, nunca irão a um circuito: “Apenas 1% chega a ir a uma pista ao longo da vida.”

Com a próxima ronda do campeonato já no horizonte, a McLaren terá de continuar a equilibrar a luta pelo presente com a preparação para o futuro, tentando não perder terreno face aos rivais. Norris, mais confiante, aponta para uma época de afirmação e para manter o estatuto de campeão, mas o caminho será tudo menos fácil. O campeonato aquece, e a pressão – tal como Norris admitiu – está em todo o lado.

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