A jornada de Lando Norris no Grande Prémio da Áustria não poderia ter terminado com um alerta mais contundente: o piloto britânico da McLaren classificou a performance da sua equipa como “muito atrás” dos principais rivais, nomeadamente a Mercedes. Apesar do esforço notório ao longo das 71 voltas no Red Bull Ring, Norris não conseguiu ir além do sétimo lugar, cruzando a linha de meta a mais de trinta segundos do vencedor da prova, George Russell, que pilotava precisamente com o mesmo bloco motriz Mercedes presente no MCL40.
O fim-de-semana austríaco ficou marcado por uma prestação cinzenta da McLaren. Norris garantiu apenas a sexta posição na qualificação de sábado, longe do ritmo imposto por Russell, que conquistou a pole position com uma vantagem de quatro décimos. Na corrida, a diferença para o topo acentuou-se, com Norris a ver-se incapaz de acompanhar o andamento do pelotão da frente. “Estamos muito atrás”, desabafou o britânico perante os jornalistas, rejeitando qualquer comparação directa entre o pacote da McLaren e o da Mercedes. “Há uma razão para ele [Russell] estar na pole com quatro décimos de diferença”, reforçou Norris, sublinhando a lacuna que separa actualmente as duas equipas.
A elevada degradação térmica dos pneus foi outro dos factores que penalizou o desempenho do MCL40, agravando as dificuldades já sentidas na afinação e equilíbrio do monolugar. Norris não poupou críticas à performance do carro de Woking, descrevendo-o como “incrivelmente difícil de conduzir”. O jovem piloto afirmou: “Continuamos a lutar com o equilíbrio e é ainda muito complicado guiar o carro. Acho que provavelmente é uma história semelhante para todos em pista hoje, mas não mudámos nada, continuamos a ter as mesmas dificuldades e precisamos de tempo para as corrigir.” O britânico deixou claro que o trabalho na fábrica será fundamental para inverter a tendência negativa.
No contexto do campeonato, este resultado penaliza a McLaren na luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores, especialmente numa fase em que a Mercedes parece ter reencontrado competitividade e a Ferrari atravessa um momento de indefinição. O próprio Norris ficou surpreendido com o rendimento decepcionante da equipa de Maranello, que chegou à Áustria embalada por uma vitória de Hamilton em Barcelona e com melhorias no motor SF-26 ao abrigo do regulamento ADUO da FIA. “O choque hoje foi a Ferrari ter tantas dificuldades. Sinto-me mal por eles – quando não se tem potência, tem de se arriscar nas curvas, mas com estes pneus não é possível. Foi uma corrida dura para eles, mas para nós não foi uma má prova”, referiu Norris, mostrando alguma solidariedade para com os rivais italianos.
As declarações do piloto britânico sublinham não só a frustração interna, mas também a necessidade urgente de evolução por parte da McLaren. Andrea Stella, chefe de equipa, já admitiu que existe um défice a colmatar face aos principais adversários, prometendo uma resposta técnica nas próximas rondas. O próximo desafio será já em Silverstone, palco do prestigiado Grande Prémio da Grã-Bretanha, onde Norris e a McLaren esperam beneficiar do apoio do público local e das características do circuito para regressar aos lugares cimeiros.
Com o campeonato a entrar numa fase decisiva, a luta entre Mercedes, McLaren e Ferrari promete intensificar-se, com cada ponto a ser disputado ao limite. A prova britânica, além de representar uma oportunidade de redenção para Norris, poderá revelar-se determinante na definição das posições no Mundial. Para já, o piloto da McLaren mantém o foco na evolução do monolugar, consciente de que só um esforço colectivo e soluções técnicas eficazes permitirão à equipa de Woking aproximar-se dos líderes e reentrar na luta pelas vitórias.
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