Fernando Alonso terminou o Grande Prémio da Áustria em Spielberg como o último dos pilotos classificados, numa desoladora 18.ª posição, agravada por uma penalização de cinco segundos por excesso de velocidade na via das boxes. Este resultado sublinha o momento difícil que a Aston Martin atravessa, numa fase em que a equipa aguarda ansiosamente pelas evoluções prometidas para o AMR26, previstas para chegar durante o verão.
No Red Bull Ring, Alonso cruzou a meta a mais de uma volta do vencedor, numa corrida em que nunca foi capaz de lutar pelos pontos. O piloto espanhol registou tempos mais lentos por volta face aos rivais diretos e, na qualificação, a diferença para a pole position foi superior a um segundo. A Aston Martin ficou, inclusive, atrás da Cadillac em ambas as últimas sessões de qualificação, demonstrando que a distância para o pelotão da frente permanece significativa. A penalização sofrida por Alonso, derivada de excesso de velocidade na via das boxes, apenas veio penalizar ainda mais uma corrida já de si complicada.
A luta pelo campeonato de construtores parece, para já, um objetivo distante para a formação britânica, que perdeu terreno para adversários como Williams e Haas. O foco está totalmente virado para o desenvolvimento do novo monolugar, numa tentativa de inverter o ciclo de resultados negativos. Internamente, a equipa reconhece que a recolha de dados e compreensão do actual pacote técnico são fundamentais para preparar as evoluções que poderão surgir num futuro próximo.
No final da corrida, Alonso foi questionado sobre a razão para a penalização nas boxes, tendo esclarecido: “Não, não foi um erro com o dedo”, descartando a hipótese de ter pressionado acidentalmente o limitador de velocidade. O piloto espanhol avançou depois com a sua teoria relativamente ao problema: “Disseram-me na segunda paragem para circular a cerca de 75 km/h manualmente na via das boxes. Isto já aconteceu antes em treinos, há uns fins-de-semana. O sensor da roda dianteira, por vezes, aquece demasiado e dá uma leitura errada da velocidade. Portanto, presumo que tenha sido isso outra vez.”
Alonso aproveitou ainda para reflectir sobre o momento da equipa e a utilidade de terminar a corrida, mesmo sem pontos: “Terminámos as últimas corridas, tirando Barcelona, onde tivemos um problema com a bateria. Procurámos recolher dados para a equipa, toda a gestão de energia e o andamento atrás de diferentes carros no início da prova. Quando somos dobrados, temos a oportunidade de perceber durante algumas curvas as fraquezas do nosso carro. É um feedback útil. Provavelmente é isso que podemos fazer de momento, tentar colher informação para que, quando o novo carro chegar, estejamos mais preparados.”
Durante a qualificação, apesar da diferença para a frente, Alonso demonstrou algum optimismo na rádio de equipa: “Foi uma boa volta. Não é o que queremos, mas não está assim tão longe. Estamos a aproximar-nos.” No rescaldo do Grande Prémio, reforçou a ideia de evolução passo a passo: “Acho que continuamos a perceber cada vez mais coisas. Até a energia extra que se ganha quando estamos a menos de um segundo do carro da frente. Tudo isso são aprendizagens importantes, porque não temos assim tanta informação – não terminámos muitas corridas nem lutámos verdadeiramente com outros. Por isso, cada volta que damos, ficamos um pouco mais preparados para a segunda metade do campeonato, quando o carro for competitivo.”
Com este resultado, a Aston Martin mantém-se na luta pelo meio da tabela, mas vê a concorrência aproximar-se perigosamente. O próximo desafio será o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, onde se espera que a equipa possa trazer pequenas melhorias e, acima de tudo, continuar o processo de recolha de dados para atacar a segunda fase da temporada com argumentos mais sólidos. A pressão recai agora sobre a capacidade técnica da Aston Martin para responder aos problemas electrónicos e de fiabilidade, ao mesmo tempo que se prepara para introduzir o novo pacote aerodinâmico. Para Alonso, cada corrida é, para já, um laboratório móvel, na esperança de que a paciência e o trabalho árduo se traduzam em resultados concretos no final do verão.
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