A McLaren atravessa uma fase delicada no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, com Oscar Piastri a admitir que o MCL40 não apresenta pontos fortes claros face à concorrência directa da Ferrari e Mercedes. O jovem piloto australiano reconheceu, após o Grande Prémio de Espanha em Barcelona, que a equipa de Woking está actualmente a operar com um défice de performance generalizado, o que obriga a McLaren a capitalizar sobre eventuais problemas ou erros das equipas que se encontram à sua frente.
No final da corrida catalã, Lando Norris assegurou um lugar no pódio, beneficiando da desistência tardia de Kimi Antonelli, enquanto Piastri terminou apenas em quinto, a mais de 35 segundos do seu colega de equipa e atrás de Max Verstappen. Este resultado veio sublinhar as dificuldades sentidas sobretudo em contextos de baixa velocidade, um problema que já se tornara evidente nas rondas anteriores em Montreal e no icónico traçado de Monte Carlo. Segundo Andrea Stella, director de equipa da McLaren, apesar da competitividade demonstrada nalguns momentos, a performance do MCL40 em sectores de baixa e média velocidade está aquém do desejável.
A classificação de Barcelona deixou a McLaren numa posição desconfortável: Norris no terceiro lugar, Piastri em quinto, com tempos de volta consistentes mas incapazes de ameaçar a supremacia de Ferrari e Mercedes. O ritmo de corrida foi suficiente para evitar ameaças dos perseguidores, mas claramente insuficiente para lutar pelas vitórias ou sequer incomodar Verstappen, que terminou à frente sem grande oposição. A diferença para o topo da tabela começa a pesar, tanto mais que as rivais directas continuam a trazer evoluções técnicas significativas a cada fim-de-semana.
Oscar Piastri, ao analisar a época até ao momento, foi peremptório na sua avaliação: “Está a ser uma época muito irregular – e, infelizmente, mais em baixo do que em cima. Houve corridas em que conseguimos aproveitar as situações à nossa volta e maximizar resultados, mas também houve várias ocasiões em que falhámos, seja por erros dos pilotos, seja por problemas de fiabilidade”, afirmou o australiano à imprensa após o Grande Prémio de Espanha. Piastri acrescentou ainda: “Sabemos que nos falta performance e o Canadá, tal como Mónaco, expôs bem as nossas fragilidades. Não temos pontos fortes claros, mas também não somos particularmente maus em nenhum aspecto. Isso tem o seu lado positivo, mas também limita o nosso potencial. Para apanhar a Mercedes e ver se a Ferrari mantém o ritmo, precisamos de trazer novidades para o carro, torná-lo mais rápido, e fazê-lo mais depressa do que os outros, porque neste ponto da época todos estão a trazer melhorias a um ritmo elevado.”
Sobre a sua prestação em Barcelona, Piastri revelou que o trabalho de análise posterior permitiu esclarecer as dificuldades sentidas: “A nível pessoal, percebi bem – depois de muito trabalho de casa – porque é que a corrida em Barcelona foi tão complicada para mim. Agora temos um bom plano para não repetir esses problemas.” O piloto australiano alertou, porém, para as dificuldades que se avizinham na próxima ronda: “A Ferrari deu um passo em frente em Barcelona, a Mercedes continua a ser a referência, e ouvi pelos bastidores que a Red Bull também traz novidades importantes. Não temos ilusões de que vamos ser subitamente incríveis na Áustria. O objetivo é estar perto e aproveitar qualquer drama das outras equipas, mas lutar por resultados só pelo nosso ritmo será complicado. Gostava de ser surpreendido pela positiva, claro.”
Andrea Stella, por sua vez, reiterou a necessidade de acelerar o desenvolvimento técnico do MCL40 para evitar que a McLaren perca ainda mais terreno na luta pelo campeonato de construtores. O responsável deixou claro que a equipa está focada em colmatar as falhas identificadas, mas reconhece que a pressão é cada vez maior, sobretudo com a aproximação da segunda metade da temporada e a ameaça real de entregar os títulos a Ferrari e Mercedes.
Segue-se o Grande Prémio da Áustria, onde a McLaren espera, pelo menos, manter-se próxima do grupo da frente e aproveitar qualquer contratempo dos rivais. No entanto, a expectativa geral é de que, sem uma evolução significativa e rápida do MCL40, a equipa terá de continuar a confiar mais nos erros alheios do que na sua própria velocidade para somar pódios ou lutar por vitórias. O campeonato entra agora numa fase decisiva, com a pressão sobre a McLaren a aumentar, e com a necessidade imperiosa de inverter esta tendência descendente se quiser evitar entregar prematuramente os troféus aos adversários directos.
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