FIA remove limite de mandatos para presidente antes do GP da áustria

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A decisão que está a agitar os bastidores do automobilismo internacional: a FIA aboliu oficialmente o limite de mandatos para o cargo de presidente, abrindo caminho para que o atual líder, Mohammed Ben Sulayem, possa permanecer no comando por tempo indeterminado. O anúncio foi feito esta semana, após a Assembleia Geral da FIA em Macau, num momento em que todas as atenções se viram para o Grande Prémio da Áustria, a próxima etapa do Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

Até agora, os estatutos da FIA estipulavam que o presidente só poderia cumprir três mandatos de quatro anos cada, totalizando doze anos no cargo. Foi precisamente esse limite que obrigou Jean Todt a abandonar a liderança em 2021, dando lugar a Mohammed Ben Sulayem. O dirigente dos Emirados Árabes Unidos foi novamente eleito em 2025, de forma inédita sem qualquer oposição, garantindo assim a continuidade até pelo menos 2029. Com a alteração agora aprovada, Ben Sulayem poderá recandidatar-se indefinidamente, eliminando qualquer restrição temporal ao exercício do cargo mais alto do órgão regulador do desporto motorizado mundial.

Esta mudança no regulamento da FIA pode ter um impacto profundo na governança do automobilismo, num contexto em que a estabilidade e a continuidade de liderança são frequentemente debatidas. Com o fim do limite de mandatos, abre-se a porta a uma era de maior longevidade na presidência, algo que pode fortalecer a visão estratégica da organização, mas também levanta questões sobre a renovação e a necessidade de novas ideias. A medida surge numa altura em que a FIA enfrenta desafios significativos, nomeadamente a implementação do novo regulamento técnico da Fórmula 1 para 2026, as discussões sobre sustentabilidade e a crescente pressão dos intervenientes comerciais e das equipas.

Em declarações prestadas após a reunião, Mohammed Ben Sulayem não escondeu a satisfação com a decisão: “Acreditei sempre que a liderança deve ser julgada pelo seu desempenho e não por limites arbitrários. Com esta alteração, a FIA pode continuar a trabalhar de forma consistente nos seus objectivos a longo prazo”, afirmou o presidente, sublinhando que a continuidade pode ser benéfica para projetos estruturantes e para a defesa dos interesses do desporto automóvel a nível global. Por sua vez, alguns membros de equipas presentes em Macau expressaram preocupação, sob anonimato, com o potencial risco de concentração de poder, embora reconheçam que uma liderança forte pode ser uma mais-valia em tempos de mudança.

A abolição do limite de mandatos insere-se numa tendência recente de revisão dos regulamentos internos das principais federações desportivas internacionais, procurando equilibrar a necessidade de experiência com a exigência de renovação. A decisão será certamente tema de debate ao longo das próximas semanas, em particular à medida que se aproxima o Grande Prémio da Áustria, onde as atenções estarão centradas tanto nas pistas como nos corredores do poder.

O calendário da Fórmula 1 prossegue já este fim de semana no Red Bull Ring, onde as equipas vão tentar capitalizar as lições da última ronda e adaptar-se às exigências únicas do circuito austríaco. No plano institucional, a decisão da FIA pode influenciar negociações futuras entre a organização, as equipas e a Liberty Media, proprietária dos direitos comerciais da F1, sobretudo no que diz respeito à estabilidade e previsibilidade das regras e à relação de forças nos bastidores. Do ponto de vista do campeonato, a liderança de Ben Sulayem ganha agora novo fôlego e poderá marcar uma era de maior continuidade, com impacto directo na forma como a FIA gere crises, implementa regulamentos e responde às exigências de sustentabilidade e segurança.

As próximas provas do Mundial, com destaque para o Grande Prémio da Áustria e posteriormente o GP de Silverstone, vão ocorrer sob este novo quadro institucional. Resta agora perceber como pilotos, equipas e restantes stakeholders vão reagir à notícia e de que forma este novo paradigma de liderança poderá influenciar o futuro do desporto automóvel. A verdade é que, ao abolir o limite de mandatos, a FIA aposta claramente na estabilidade, mas coloca-se também sob o escrutínio atento dos adeptos e da comunidade internacional do automobilismo.

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