Formula E escolhe Brands Hatch em vez de Silverstone para corrida de 2026

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A confirmação de Brands Hatch como o novo palco do Grande Prémio do Reino Unido de Fórmula E marca uma mudança histórica e promete revolucionar a forma como a disciplina eléctrica é vista em solo britânico. Após várias temporadas a encerrar em Londres, no circuito apertado e peculiar do ExCeL, a decisão de abandonar a capital para abraçar o mítico traçado de Kent representa uma aposta clara na espectacularidade e competitividade dos novos monolugares Gen4, que entrarão em acção a partir do final de 2026.

O anúncio da escolha de Brands Hatch foi selado recentemente, num acordo que se estende até, pelo menos, 2030 e que garante à pista britânica quatro edições do evento. Depois de discussões que remontam a 2016, quando a Fórmula E teve de abandonar Battersea Park por pressão dos residentes locais, a alternativa de Silverstone chegou a estar em cima da mesa. No entanto, foi Brands Hatch quem levou a melhor, oferecendo condições ímpares para a estreia dos Gen4 e apostando num projecto de reaproximação entre a disciplina eléctrica e os adeptos do automobilismo tradicional. O circuito, que já acolheu provas de Fórmula 1, DTM e A1 GP, prepara-se agora para regressar ao mapa internacional. O CEO da Motorsport Vision, Jonathan Palmer, destacou o potencial desta fusão: “O que mais me entusiasma é o facto de a Fórmula E ter criado, ao longo de 13 anos, uma base de fãs muito própria, fascinada pela tecnologia de ponta. Agora, vamos juntar essa base a centenas de milhares de adeptos tradicionais que frequentam Brands Hatch e estão curiosos para ver o que estes Gen4 conseguem fazer no circuito Grand Prix que tão bem conhecem e adoram”, afirmou Palmer, sublinhando a importância do projecto para ambas as partes.

Em termos de campeonato, esta mudança poderá ser decisiva para a consolidação da Fórmula E no Reino Unido, um mercado estratégico e tradicionalmente ligado ao desporto motorizado. O formato do novo calendário europeu inclui, além de Brands Hatch, circuitos históricos como Zandvoort, Mónaco e Jarama, estabelecendo um paralelismo com as temporadas douradas da Fórmula 1. Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, explicou o raciocínio por detrás da escolha: “Um dos nossos princípios é a proximidade a grandes centros urbanos. Alguns vão certamente dizer que não é Londres, mas a verdade é que Brands Hatch fica a apenas 30 ou 40 minutos da cidade. É um verdadeiro anfiteatro, onde se pode ver praticamente todo o traçado, e oferece um desafio técnico muito semelhante ao de Jarama”, referiu Dodds, confiante de que o evento irá atrair multidões e proporcionar momentos memoráveis.

A organização está empenhada em seguir o exemplo de sucesso do recente E-Prix de Madrid, em Jarama, onde a afluência e o ambiente vibrante deram um novo fôlego à etapa espanhola. A aposta passa por transformar Brands Hatch num evento de referência, promovendo intensamente a corrida ao longo dos próximos meses de modo a atingir números de público semelhantes aos 50 mil registados noutras ocasiões emblemáticas do circuito. A expectativa é que a introdução dos Gen4, com velocidades superiores e maior capacidade de regeneração, traga um espectáculo inédito ao público britânico.

No que diz respeito ao traçado, a Fórmula E planeia utilizar uma configuração própria, baseada no circuito Grand Prix, mas com adaptações subtis para potenciar o desempenho dos novos monolugares. Oli McCrudden, vice-presidente de cidades-anfitriãs da Fórmula E, revelou que estão a ser estudadas três melhorias específicas: “Estamos a analisar dados dos Gen4 quase diariamente, a fazer simulações e a definir parâmetros de gestão de energia e tempos de volta. O objectivo é criar zonas de travagem e regeneração mais amplas, com recurso a escapatórias adicionais em áreas como Pilgrims Drop, Hawthorns, Westfield e Dingle Dell, sem comprometer o carácter icónico do traçado”, explicou McCrudden.

A chegada da Fórmula E a Brands Hatch obriga à redefinição das estratégias das equipas e pilotos, que terão de se adaptar a um circuito mais rápido e exigente fisicamente, em claro contraste com os traçados urbanos fechados típicos da disciplina. A expectativa é que esta evolução contribua para aumentar a competitividade e atrair um público mais vasto, consolidando a disciplina eléctrica como parte integrante do calendário motorizado britânico. A próxima etapa será precisamente o Grande Prémio de Londres, no ExCeL, que servirá de despedida antes da transferência para Kent. Com o campeonato a entrar numa nova era, as rivalidades prometem intensificar-se e o interesse mediático aumentar, antecipando uma luta ainda mais cerrada pelos lugares cimeiros e pelo título mundial.

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