A polémica em torno dos travões da Ferrari ganhou um novo capítulo após a revelação de que Lewis Hamilton e Charles Leclerc utilizam sistemas distintos no seu monolugar. De acordo com fontes próximas à equipa italiana, o piloto britânico recorre desde o Grande Prémio do Japão a discos da Carbon Industries, mantendo apenas as pinças do fornecedor tradicional Brembo. Esta diferença técnica lança uma nova luz sobre o despiste de Leclerc no Mónaco, provocado por uma falha no sistema de travagem que levou o monegasco a afirmar, via rádio, que não assumiria a responsabilidade pelo incidente.
Hamilton, que durante os seus anos na Mercedes estava habituado a componentes da Carbon Industries, terá exigido a Ferrari a autorização para esta alteração após os testes de pré-temporada no Bahrein, numa tentativa clara de melhorar a sensibilidade e performance nas travagens. Por outro lado, a Ferrari manteve a sua histórica parceria de 50 anos com a Brembo no carro de Leclerc, numa decisão que agora se revela controversa.
Em declarações veladas, Leclerc admitiu que a equipa já dispunha da solução alternativa que Hamilton utiliza, mas preferiu não estreá-la numa pista tão exigente e técnica como Monte Carlo. Essa escolha revelou-se desastrosa, culminando no embate contra as barreiras em Antony Noghes. O piloto monegasco não escondeu a sua frustração, apontando o sistema usado pelo colega de garagem como a chave para resolver a instabilidade que também se manifestou em provas anteriores, como no Canadá.
Confirmando essa tendência, Leclerc anunciou que em Barcelona vai finalmente optar pelos mesmos travões que Hamilton já utiliza, numa tentativa de evitar novos contratempos e recuperar a competitividade perdida. Este episódio deixa a Ferrari numa posição delicada, com a gestão dos componentes de travagem a tornar-se um dos principais focos de atenção para o resto da temporada.
Esta divergência técnica no sistema de travagem levanta questões importantes sobre a estratégia interna da Ferrari e o impacto das escolhas técnicas na performance e segurança dos seus pilotos. A situação promete manter-se sob escrutínio nos Grandes Prémios que se avizinham, com todos os olhos postos na resposta da equipa italiana a este mistério que continua a adensar-se.
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