Carlos Sainz revelou que o arranque desapontante da Williams na temporada de Fórmula 1 de 2026 chegou a colocar em causa a sua confiança no projeto da equipa. Apesar de ter somado pontos em três das cinco primeiras provas, com três nonos lugares consecutivos no Grande Prémio da China, Miami e Canadá, a performance do FW48 tem estado muito aquém das expectativas geradas após o excelente desempenho da equipa em 2025, ano em que o espanhol se estreou no plantel.
Com o FW48 a ser, até agora, o nono carro mais rápido da temporada e claramente atrás do Alpine — a outra equipa cliente da Mercedes que ocupa a quinta posição no campeonato de construtores, lugar onde a Williams terminou em 2025 —, a realidade é que o novo monolugar não tem correspondido ao potencial que a equipa imaginava. Questionado sobre se o carro deste ano, que nem sequer realizou o primeiro teste oficial de pré-temporada e carrega um peso excessivo, poderia alguma vez atingir o nível teórico esperado, Sainz foi incisivo: “Penso que reconhecemos que, fundamentalmente, mesmo sem o problema do peso, este carro não é bom o suficiente para aquilo que poderia ou deveria ter sido.”
O piloto espanhol não poupou críticas e admitiu que a Williams “falhou em muitas, muitas áreas” esta época, não só no que diz respeito à massa do monolugar, mas também na entrega de desempenho do carro. A sua ambição realista passa agora por ver a equipa regressar à dianteira do pelotão intermédio até ao final do ano.
Sainz, que já tinha referido várias vezes que a Williams está a passar por uma “fase de dificuldades”, não hesitou quando questionado se a sua fé no projeto da equipa tinha sido testada. “Testada? Com certeza. Quando passas de conquistar pódios no final do ano passado para estar a dois segundos e meio do ritmo no início desta temporada, dois segundos é um grande teste de fé, ou um grande choque para o sistema,” afirmou o piloto, sublinhando ainda que foi o primeiro a alertar o diretor da equipa, James Vowles, e a gestão para o inesperado desempenho.
Apesar dos contratempos, Sainz conseguiu extrair um lado positivo da situação e revelou que esta “fase difícil” obrigou a uma análise profunda com elementos-chave da equipa. “Quando todos percebemos onde e como as coisas começaram a correr mal, rapidamente percebi que esta dificuldade poderia ter feito bem à equipa,” explicou. “Se não tivéssemos passado por este embate, acho que haveria aspetos na equipa que nunca teriam sido alterados. Graças a este choque, James e a sua equipa tomaram medidas muito fortes para corrigir e eliminar esses problemas, e para tentar garantir que não voltem a acontecer.”
Esta abordagem renovada ajudou a recuperar a sua confiança no projeto, apesar de reconhecer que a Williams “superou as expectativas” com o carro de 2025, que lhe permitiu conquistar dois pódios, o que, por sua vez, elevou as suas expetativas para a temporada atual. Contudo, o principal problema da equipa continua a ser o excesso de peso do monolugar, um desafio que, na sua opinião, “vai demorar mais tempo do que gostaria a resolver”, sobretudo devido às limitações impostas pelo teto orçamental da Fórmula 1, que obriga a equipa a definir prioridades claras para maximizar o desempenho.
“Tenho de ser paciente. Sei que tivemos um embate grande no início da época e estamos a tentar ultrapassá-lo. Por isso, paciência e fazer os passos certos nos momentos certos. Entretanto, vou focar-me na minha performance, que tem sido bastante boa este ano, e é isso,” concluiu Carlos Sainz, que permanece firme no seu compromisso com a Williams e no desejo de ver a equipa recuperar terreno na luta no meio do pelotão.
