Zak Brown, CEO da McLaren, reforçou de forma contundente o seu apelo à FIA para a implementação de regras mais rigorosas que limitem as alianças entre equipas de Fórmula 1, defendendo uma maior independência entre os conjuntos que compõem a grelha. Este posicionamento surge na sequência de críticas anteriores, nas quais Brown destacou a influência que a propriedade cruzada entre equipas, como a da Red Bull e da sua equipa satélite, a Racing Point (atualmente conhecida como AlphaTauri), tem no equilíbrio competitivo da modalidade.
No mês passado, o dirigente norte-americano enviou uma carta ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, onde expressou a sua preocupação com casos que, na sua opinião, comprometem a integridade do desporto. Um dos exemplos mais emblemáticos referidos foi o Grande Prémio de Singapura de 2024, onde Daniel Ricciardo, então piloto da equipa irmã da Red Bull, estabeleceu a volta mais rápida, arrebatando o ponto bónus que poderia ter beneficiado Lando Norris, piloto da McLaren, e dificultando a luta pelo título de Max Verstappen naquela época.
Zak Brown enumerou ainda várias outras situações que envolvem a Red Bull e a equipa satélite, sublinhando a necessidade de acabar com estas dinâmicas que, segundo ele, criam desequilíbrios injustos. Já na véspera do Grande Prémio de Mónaco, Brown enviou uma segunda carta aos fãs da McLaren, reafirmando a sua posição e a convicção de que a FIA e os responsáveis pela Fórmula 1 irão encontrar uma solução para este problema.
Na sua mensagem aberta aos adeptos da McLaren, Brown explicou: «Temos um assunto que gostaria de abordar, que certamente já leram. Até há pouco tempo, para algumas equipas sobreviverem no nosso desporto, era necessário recorrer a alianças e comprar tecnologia umas às outras, o que fazia sentido naquela altura. Contudo, agora que o desporto está numa excelente saúde e goza de estabilidade financeira entre as equipas, é tempo de avançar para uma verdadeira independência entre elas.»
O CEO da McLaren prosseguiu: «À exceção dos motores – que nem todos as equipas produzem –, as restantes áreas técnicas, financeiras e de governação devem ser geridas de forma autónoma para garantir total justiça. As alianças nestes domínios têm o potencial de criar conflitos de interesses e distorcer a competição.»
Zak Brown concluiu com uma nota de confiança: «Acredito que os nossos fãs querem ver os 22 pilotos a competir em igualdade de condições, com as mesmas regras a serem aplicadas às 11 equipas. A Liberty Media e a FIA têm feito um trabalho excecional no crescimento da Fórmula 1, cujo futuro é promissor, por isso estou confiante que este tema será agora tratado com a prioridade que merece e resolvido em breve.»
Este reforço da posição da McLaren coloca novamente em cima da mesa o debate sobre a estrutura competitiva da Fórmula 1, onde a independência das equipas é vista como fundamental para preservar a emoção e a justiça do desporto. A resposta da FIA e das outras equipas será decisiva para o rumo que a modalidade irá tomar nos próximos anos.
