Hamilton e Heclerc apoiam Ferrari luce apesar das críticas

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Lewis Hamilton e Charles Leclerc mostraram-se surpreendentemente entusiasmados com o Ferrari Luce, o primeiro carro de produção totalmente elétrico da histórica marca italiana, que tem provocado uma verdadeira onda de críticas e polémica desde o seu lançamento. Apesar das reações negativas nas redes sociais e da queda acentuada das ações da Ferrari na bolsa, os dois pilotos, cada um à sua maneira, destacaram qualidades que muitos têm ignorado.

O design do Luce tem sido alvo de um coro de críticas ferozes, com figuras influentes do mundo automóvel a expressarem reservas contundentes. Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, chegou a afirmar que a marca arrisca “destruir uma lenda”, sugerindo mesmo a retirada do icónico Cavallino Rampante do carro. Flavio Briatore, conselheiro da Alpine, ironizou dizendo que “os chineses definitivamente não vão copiar este modelo”, numa clara alfinetada à estética do veículo.

Contudo, Hamilton não se deixou influenciar por estas opiniões e valorizou o trabalho dos engenheiros da Ferrari. O heptacampeão do mundo afirmou que “se nota claramente que é muito Ferrari” no que toca à atenção ao detalhe. Destacou ainda a entrega de potência e o comportamento dinâmico do Luce. Para Hamilton, um dos pontos fortes do monolugar está no baixo centro de gravidade, resultado da disposição das baterias, que permite que o carro “continue a manter o contacto com o solo” nas curvas, sem o habitual inclinar lateral que se vê em outros veículos elétricos.

“Em termos de atenção ao detalhe, nota-se claramente que é muito Ferrari”, afirmou Lewis Hamilton. “A entrega de potência é incrível. Sentes-te centrado o tempo todo, mesmo quando estás a fazer curvas. O centro de gravidade é muito baixo, o que é muito agradável. Na maioria dos carros, o carro inclina muito. Este não inclina. Quando íamos a passar pelas curvas, a forma como continua a manter o contacto com o solo – para mim, essa é a melhor parte da tecnologia.”

Charles Leclerc, conhecido pela sua ligação aos Ferrari de motor de combustão, revelou ter sido surpreendido por algumas características do Luce. O piloto monegasco destacou o regresso aos botões físicos, numa clara rejeição da dependência excessiva dos ecrãs tácteis, e elogiou o som elétrico do carro, que classificou como “bastante fixe” e importante para manter a ligação entre o condutor e o automóvel.

“Adoro que voltou a ter mais botões físicos para que possas realmente conduzir, olhar para a estrada e sentir. Há o som que é, na verdade – gostei desse som elétrico. É bastante fixe. E ajuda-te a manter a ligação com o carro”, descreveu Leclerc.

Do lado da Ferrari, o presidente John Elkann reforçou o empenho dos engenheiros em manter a essência emocional da marca, garantindo que “o condutor pode verdadeiramente vibrar e sentir o que é” conduzir o Luce. Piero Ferrari, filho do fundador Enzo Ferrari, não hesitou em desafiar os críticos a experimentar o carro antes de emitirem qualquer juízo. “Uma vez que o tiverem conduzido, provavelmente vão mudar de ideias”, declarou.

Este posicionamento dos dois pilotos de F1, aliados às palavras de Elkann e Piero Ferrari, mostra que a Ferrari quer assegurar que o Luce não é apenas mais um elétrico no mercado, mas sim uma extensão da sua identidade e paixão pela condução. Frente à polémica e às críticas, o Luce promete ser um marco para a marca italiana no desafio da mobilidade elétrica, mantendo a emoção que os fãs esperam.