Xiaomi YU7 GT tem mais de 1000 CV e vai custar menos de 50 mil euros na Europa

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Há poucos anos, a Xiaomi era conhecida apenas pelos smartphones e dispositivos eletrónicos. Hoje, a gigante chinesa está a transformar-se num dos nomes mais falados da indústria automóvel, e o novo Xiaomi YU7 GT pode ser a prova mais clara disso. Depois do impacto causado pela berlina elétrica SU7, a Xiaomi acaba de revelar a versão mais radical do seu primeiro SUV elétrico, um modelo que combina números de hipercarro, tecnologia de topo e um preço que ameaça diretamente os fabricantes premium europeus.

E os números impressionam. O YU7 GT debita uns impressionantes 1.003 CV graças a um sistema composto por dois motores elétricos, permitindo acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,92 segundos. A velocidade máxima anunciada chega aos 300 km/h, território normalmente reservado a superdesportivos muito mais caros.

Com mais de cinco metros de comprimento, o SUV posiciona-se diretamente contra modelos como o Porsche Macan Electric, futuros SUV elétricos da Porsche e até propostas da Tesla e da Mercedes-AMG. Mas o mais surpreendente talvez nem seja a performance. É a rapidez com que a Xiaomi parece ter aprendido a jogar no segmento premium.

O YU7 GT utiliza uma arquitetura elétrica de 897 volts e uma bateria de 101,7 kWh, permitindo carregamentos ultrarrápidos. Segundo a marca, é possível recuperar até 570 quilómetros de autonomia em apenas 15 minutos de carregamento rápido. A autonomia total anunciada é de 705 quilómetros no ciclo chinês CLTC.

No centro desta nova geração tecnológica está o motor HyperEngine V8s EVO, desenvolvido internamente pela Xiaomi e capaz de atingir 28.000 rpm, um valor extremamente elevado para um motor elétrico. Mas a Xiaomi não quer apenas impressionar na ficha técnica. Quer construir imagem, prestígio e credibilidade automóvel.

O desenvolvimento do YU7 GT contou com o apoio do centro europeu de investigação e desenvolvimento da marca, inaugurado em Munique em 2025 e composto por antigos engenheiros da BMW, Porsche e Mercedes-Benz. A afinação dinâmica do SUV foi realizada no lendário circuito de Nürburgring Nordschleife, onde o modelo registou um tempo recorde para um SUV elétrico de produção: 7 minutos e 34,931 segundos. Com o pacote Track Package, o tempo baixou ainda mais para 7:22.755.

A Xiaomi equipou o YU7 GT com praticamente tudo o que se espera de um SUV de luxo moderno: suspensão pneumática de dupla câmara, amortecedores adaptativos, diferencial traseiro eletrónico e travões carbono-cerâmicos de grandes dimensões.

No interior, o ambiente é igualmente ambicioso. O habitáculo mistura tecnologia e luxo com revestimentos em Alcantara, fibra de carbono e pele Nappa, bancos com função de massagem, sistema de som Dolby Atmos com 25 altifalantes e até cinco ecrãs digitais. O enorme ecrã central de 16,1 polegadas funciona através do sistema HyperOS da Xiaomi. A capacidade da bagageira atinge os 678 litros, reforçando a vertente familiar do modelo apesar das prestações extremas.

Contudo, é no preço que o YU7 GT pode tornar-se verdadeiramente problemático para os fabricantes europeus. Na China, o SUV começa nos 389.900 yuan, o equivalente a menos de 50 mil euros ao câmbio atual. Mesmo considerando impostos e custos de homologação numa eventual chegada à Europa, o posicionamento poderá continuar muito abaixo dos rivais alemães e norte-americanos com desempenho semelhante.

Ao mesmo tempo, a Xiaomi prepara também uma versão YU7 Standard mais acessível, pensada para atacar diretamente o Tesla Model Y. Esta variante terá cerca de 320 CV, autonomia até 643 quilómetros e preços equivalentes a aproximadamente 29.500 euros na China. A estratégia é clara: repetir no setor automóvel a fórmula que tornou a Xiaomi um gigante nos smartphones, oferecer tecnologia avançada, elevadas prestações e preços agressivos.

Para já, ainda não existe uma data oficial para a chegada do YU7 à Europa. Mas a marca já confirmou várias vezes a intenção de expandir rapidamente a sua presença no continente, enquanto o centro técnico de Munique continua a operar a todo o ritmo. E se até há pouco tempo os fabricantes europeus olhavam para os carros chineses como simples alternativas económicas, modelos como o Xiaomi YU7 GT mostram que o cenário mudou completamente.

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