Fernando Alonso mantém-se imbatível e confiante mesmo num Aston Martin que ainda não acompanha o seu talento, numa temporada de Fórmula 1 marcada por desafios técnicos e competitivos para a equipa britânica. Aos 44 anos, o bicampeão do mundo reafirma que não tem nada a provar no “circo” da F1 e que a sua velocidade está intacta, mesmo quando o carro não permite lutar pelo topo.
Na antevisão ao Grande Prémio do Canadá, Alonso foi direto e categórico quando questionado sobre como mede o seu desempenho num carro pouco competitivo: “Não meço nada. Sou o melhor. Não preciso de provar nada. Não preciso de sentir nada para acreditar que estou ao nível certo”, afirmou o piloto da Aston Martin, deixando claro que a sua confiança não vacila perante as dificuldades.
Para o espanhol, o verdadeiro termómetro da sua forma está fora da Fórmula 1, onde continua a testar-se em diferentes categorias e carros. “Se for a um kartódromo e não for o mais rápido, fico preocupado. Se for num carro GT e não for o mais rápido, fico preocupado. Mas enquanto faço isso, continuo a ser o mais rápido, por isso, quando chegar ao fim de semana de Fórmula 1, é só uma questão de tempo até ter um carro melhor”, explicou Alonso, destacando que a sua motivação passa por estar sempre competitivo, independentemente do desafio.
Esta abordagem mantém vivo o espírito competitivo do piloto, que encara a atual fase da Aston Martin como um período de espera e preparação. “Estou à espera da oportunidade, e entretanto tento ajudar a equipa e não perder a vontade competitiva necessária na Fórmula 1. Experimento diferentes séries e carros para continuar a sentir-me competitivo”, sublinhou o espanhol, mostrando uma postura madura e determinada.
Do lado da Aston Martin, o responsável máximo na pista, Mike Krack, reconhece as dificuldades enfrentadas pela equipa e a necessidade de proteger os pilotos da pressão constante e da frustração de estar longe dos lugares cimeiros. “Os pilotos são os que mais precisam de ser protegidos porque lhes fazemos a mesma pergunta todas as semanas. É difícil para eles repetirem sempre a mesma resposta. Temos de os proteger dessa frustração, porque estar atrás é duro”, admitiu Krack.
A realidade é que a equipa terá de “aguentar” as primeiras corridas da temporada europeia sem grandes melhorias, já que as atualizações significativas para o AMR26 só chegarão no verão. “Vamos ter uma frequência alta de corridas nesta fase europeia e temos de manter a calma. Tivemos uma reunião esta manhã e o espírito está bom porque somos honestos sobre a situação e discutimos tudo abertamente”, garantiu Krack, evidenciando um ambiente de transparência e foco no progresso.
Enquanto Alonso continua a mostrar a sua classe e a sua vontade inabalável, a Aston Martin luta para subir na tabela, numa temporada que promete ser uma prova de resistência e paciência para todos os envolvidos. A verdade é que o espanhol já provou que o seu talento não depende do carro, e o tempo será o aliado para que a equipa britânica volte a estar à altura das ambições do seu piloto de topo.




