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Falta de chips trava Fiat 500 e ameaça produção do Pandina

Publicado a 6 de Novembro de 2026, 11h00  ·  Atualizado a 6 de Novembro de 2026, 12h55  ·  4 min de leitura

A Stellantis enfrenta novos problemas na indústria italiana devido à escassez de componentes electrónicos. A fábrica de Mirafiori, em Turim, vai completar quatro semanas consecutivas sem produzir o Fiat 500, enquanto o Pandina também poderá sofrer interrupções na produção. O problema deverá prolongar-se durante Novembro e Dezembro.

A indústria automóvel europeia volta a sentir os efeitos da escassez de componentes electrónicos. Desta vez, o problema está a afectar directamente a Stellantis, que enfrenta dificuldades no abastecimento de um componente essencial para a produção de dois dos modelos mais importantes da Fiat: o 500 híbrido e o Pandina.

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A situação está a provocar perturbações significativas nas fábricas italianas do grupo, com consequências particularmente visíveis em Mirafiori, Turim, onde é produzido o Fiat 500. A Stellantis confirmou que a falta de um componente electrónico destinado à unidade de controlo do motor está a condicionar a produção e admite que as dificuldades poderão prolongar-se durante Novembro e Dezembro.

O cenário agravou-se esta semana, com a confirmação de mais uma interrupção na actividade da fábrica de Mirafiori. A produção permanecerá suspensa entre 9 e 13 de Novembro, o que significa quatro semanas consecutivas sem produção regular do Fiat 500.

Importa, contudo, distinguir os motivos das paragens. As primeiras duas semanas, iniciadas em meados de Outubro, estiveram relacionadas com uma procura inferior à esperada pelo modelo. Já as interrupções actuais e a extensão anunciada para a próxima semana resultam, segundo a Stellantis, da falta de componentes electrónicos.

Um pequeno componente está a causar um grande problema

A origem da dificuldade está num componente destinado à centralina do motor N3 GSE, o bloco electrónico responsável pela gestão do funcionamento do propulsor. Trata-se de um elemento essencial para o funcionamento do motor 1.0 FireFly de três cilindros, utilizado nas versões micro-híbridas do Fiat 500 e do Pandina.

A situação é particularmente delicada porque estes dois modelos partilham a mesma arquitectura mecânica. O problema não afecta apenas as linhas de montagem dos automóveis, podendo também ter consequências na cadeia de fornecimento de motores e componentes.

A Stellantis já reconheceu que a escassez deste componente teve impacto nos volumes de produção e nos resultados comerciais da Fiat em Outubro. Em comunicado, o grupo afirmou estar a trabalhar com a máxima prioridade para encontrar soluções alternativas e recuperar progressivamente a normalidade industrial.

A empresa admite, no entanto, que as dificuldades poderão continuar a afectar as unidades de Pomigliano d'Arco e Mirafiori durante os próximos dois meses.

Pandina também está em risco

Se o Fiat 500 está actualmente a sentir de forma mais directa as consequências da falta de componentes, o Pandina poderá ser o próximo modelo a enfrentar perturbações significativas.

Produzido na fábrica de Pomigliano d'Arco, no sul de Itália, o pequeno citadino tem assumido um papel particularmente importante para a Fiat, tendo sido o automóvel mais vendido em Itália durante os primeiros nove meses de 2026.

A sua importância comercial torna a situação ainda mais preocupante para a Stellantis. O Pandina tem sido um dos principais responsáveis pelo desempenho da marca no mercado italiano e qualquer redução prolongada da produção poderá comprometer a capacidade de responder à procura.

A cadeia industrial começa ainda em Termoli, onde são produzidos os motores N3 GSE destinados aos dois modelos. Assim, a falta de componentes electrónicos poderá provocar efeitos em três unidades industriais distintas, incluindo eventuais suspensões temporárias da actividade na fábrica responsável pela produção dos motores.

Sindicatos questionam explicação da Stellantis

A situação está também a gerar tensão entre a administração e os representantes dos trabalhadores. O sindicato italiano FIOM considera que a falta de componentes poderá não explicar totalmente as sucessivas interrupções na fábrica de Mirafiori.

Gianni Mannori, representante sindical, classificou mesmo a justificação da escassez de chips como um possível «álibi», defendendo que a fraca procura pelo Fiat 500 continua a ser um dos principais factores por detrás da paragem industrial.

O debate surge num momento particularmente sensível para a produção automóvel italiana, marcada por preocupações relacionadas com os custos energéticos, a competitividade das fábricas europeias e a necessidade de adaptar as unidades industriais à transição para a mobilidade eléctrica.

Para já, a Stellantis procura alternativas para ultrapassar as dificuldades de abastecimento, mas não garante um regresso imediato à normalidade.

O episódio demonstra novamente a vulnerabilidade da indústria automóvel perante a dependência de determinados componentes electrónicos. Um pequeno elemento de uma centralina pode ser suficiente para interromper a produção de milhares de automóveis e colocar em causa o funcionamento de várias fábricas.

Entre a falta de componentes, a quebra da procura e os desafios da transformação industrial, a Fiat enfrenta agora um período particularmente complicado. E, depois do 500, é o Pandina que pode pagar a factura desta nova crise de abastecimento.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  790 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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