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Fim dos motores a combustão em 2035 pode ser flexibilizado na Europa

Publicado a 5 de Novembro de 2026, 10h00  ·  Atualizado a 5 de Novembro de 2026, 11h48  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Parlamento Europeu aprova proposta que reduz meta de redução de emissões de CO₂ para 87,5% em 2035.
  • Mecanismo de compensação de até 7,5 pontos percentuais permite alcançar redução global equivalente a 95% com aço de baixo carbono.
  • Pequenos automóveis elétricos com até 4,20 metros contarão como 1,4 veículos no cálculo das emissões médias dos fabricantes.

Flexibilização das metas de emissões de CO₂

O Parlamento Europeu deu mais um passo para rever as regras que preveem o fim da comercialização de automóveis novos com motores de combustão em 2035. A Comissão do Ambiente aprovou uma proposta que reduz a meta de diminuição das emissões de CO₂ para 87,5%, abrindo a porta à continuidade de alguns modelos a gasolina, Diesel e híbridos para lá dessa data.

O futuro dos motores de combustão na Europa poderá ser diferente daquele que estava inicialmente previsto. A Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu aprovou, esta quarta-feira, 4 de Novembro, uma proposta que pretende flexibilizar as regras de emissões aplicáveis aos automóveis novos a partir de 2035, introduzindo maior margem de manobra para os fabricantes e abrindo caminho à continuidade de algumas motorizações térmicas.

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A proposta aprovada prevê que os fabricantes tenham de reduzir em 87,5% as emissões médias de CO₂ da sua frota de automóveis novos em 2035, tendo como referência os valores de 2021. O texto contempla ainda um mecanismo de compensação de até 7,5 pontos percentuais associado à utilização de aço de baixo carbono produzido na União Europeia, permitindo alcançar uma redução global equivalente a 95%.

Esta posição vai mais longe do que a proposta apresentada pela Comissão Europeia em Dezembro de 2025, que apontava para uma redução de 90%, com possibilidade de compensar as emissões restantes através da utilização de aço de baixo carbono e combustíveis alternativos.

A votação na Comissão do Ambiente terminou com 48 votos a favor, 30 contra e duas abstenções, reflectindo a divisão existente em torno do futuro da indústria automóvel europeia.

Os motores a gasolina e Diesel poderão continuar?

Na prática, a alteração poderá permitir que alguns automóveis novos com motores de combustão continuem a ser comercializados depois de 2035. O mesmo poderá acontecer com determinados híbridos convencionais, híbridos plug-in e modelos eléctricos de autonomia estendida.

No entanto, isso não significa um regresso generalizado às motorizações tradicionais. Os fabricantes continuarão sujeitos a metas muito exigentes de emissões médias da sua frota, pelo que a comercialização destes veículos dependerá da capacidade de compensar as emissões através dos mecanismos previstos na regulamentação.

Outra das novidades passa pela criação de incentivos para pequenos automóveis eléctricos produzidos na Europa. Os modelos com um comprimento máximo de 4,20 metros poderão contar como 1,4 veículos no cálculo das emissões médias dos fabricantes. Os modelos eléctricos considerados especialmente eficientes poderão beneficiar igualmente de multiplicadores regulamentares.

A intenção é incentivar a produção europeia de automóveis eléctricos compactos e acessíveis, reforçando simultaneamente a competitividade da indústria automóvel do continente perante os fabricantes chineses.

Também as carrinhas comerciais poderão beneficiar

A proposta não se limita aos automóveis de passageiros. Para os veículos comerciais ligeiros, os eurodeputados defendem igualmente uma revisão das metas de redução de emissões.

Para 2035, a redução prevista passaria de 100% para 80%. Já para 2030, a meta proposta seria de 35%, em vez dos 40% apresentados pela Comissão Europeia e dos 50% actualmente estabelecidos na regulamentação.

O documento prevê ainda que, a partir de 2028, determinados apoios públicos destinados à aquisição de veículos de baixas emissões sejam reservados a modelos fabricados na União Europeia. A definição concreta do que deverá ser considerado um veículo produzido na Europa continuará, contudo, a ser objecto de discussão.

Portugal também será abrangido

Impacto em Portugal e próximas etapas legislativas

Estas alterações terão impacto directo em Portugal, uma vez que as regras europeias de emissões são aplicáveis a todos os Estados-Membros. Caso a proposta avance, os fabricantes que comercializam automóveis no mercado português poderão beneficiar das novas flexibilidades.

Para os consumidores, a principal consequência poderá ser uma maior diversidade de motorizações disponíveis depois de 2035, sem que isso signifique o abandono da transição para a mobilidade eléctrica.

Importa, contudo, sublinhar que a votação de 4 de Novembro ainda não altera a legislação em vigor. A proposta terá de ser submetida ao plenário do Parlamento Europeu, com votação prevista para Dezembro de 2026, seguindo-se as negociações com os governos dos Estados-Membros no Conselho da União Europeia.

Até existir um acordo definitivo e a respectiva aprovação legislativa, mantém-se a meta actualmente estabelecida de redução de 100% das emissões médias de CO₂ dos automóveis novos a partir de 2035.

A discussão demonstra que o futuro da indústria automóvel europeia está longe de ser consensual. Entre a electrificação, a defesa da competitividade industrial e a procura de soluções tecnológicas alternativas, a Europa procura agora encontrar um equilíbrio que permita cumprir os objectivos ambientais sem colocar ainda mais pressão sobre os seus fabricantes.

Uma coisa parece cada vez mais clara: o futuro automóvel europeu poderá não ser exclusivamente eléctrico. Pelo menos, essa é a possibilidade que os eurodeputados querem agora voltar a colocar em cima da mesa.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  780 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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