O maior camião de minas do mundo pesa 810 toneladas e consome 1.300 litros de gasóleo à hora
O essencial
- O BelAZ 75710 é um camião de minas construído na Bielorrússia que pode transportar até 450 toneladas numa única viagem.
- O camião pesa 810 toneladas quando totalmente carregado e mede 20,6 metros de comprimento.
- Está equipado com dois motores V16 de 2.300 CV cada, totalizando 4.600 CV de potência.
- Consome aproximadamente 1.300 litros de gasóleo por hora em funcionamento.
Há camiões grandes e depois há o BelAZ 75710. Construído na Bielorrússia para operar em explorações mineiras a céu aberto, este gigante leva praticamente todos os parâmetros de um veículo pesado para outra dimensão. Pode transportar até 450 toneladas de material numa única viagem, pesa 810 toneladas quando está totalmente carregado e precisa de dois motores diesel para se movimentar.
Fabricado pela BelAZ na cidade de Žodzina, a cerca de 50 quilómetros de Minsk, o 75710 foi desenvolvido para transportar enormes quantidades de rocha, minério e outros materiais em ambientes particularmente exigentes. Seja sob temperaturas extremas, em zonas desérticas ou em regiões próximas do Ártico, a sua missão é assegurar o transporte de cargas que exigiriam vários camiões convencionais.
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Mais de 20 metros de comprimento e oito pneus gigantes
As dimensões do BelAZ 75710 ajudam a perceber a escala deste veículo. Mede 20,6 metros de comprimento, 9,87 metros de largura e 8,16 metros de altura. A distância entre eixos é de oito metros, enquanto a capacidade de carga atinge as 450 toneladas.
O peso em vazio ronda as 360 toneladas, o que significa que, com a carga máxima, o conjunto chega às 810 toneladas. A distribuição do peso também varia consoante esteja carregado ou não: em vazio é repartida a 50% por cada eixo, passando para 60% à frente e 40% atrás quando transporta a carga máxima.
Para suportar tamanha massa, utiliza oito pneus radiais sem câmara, com a dimensão 59/80R63. Cada um mede aproximadamente 4,03 metros de diâmetro e 1,5 metros de largura, pesa mais de cinco toneladas e foi concebido para suportar cargas superiores a 104 toneladas. A pressão de funcionamento é surpreendentemente baixa para um veículo desta dimensão: cerca de 0,6 bar.
A manobrabilidade também exigiu soluções específicas. Apesar do tamanho, o BelAZ 75710 apresenta um raio de viragem interior de 19,8 metros e um diâmetro exterior de viragem de 45 metros.
Dois motores V16 e 4.600 CV de potência
Dois motores V16 e 4.600 CV
A força necessária para movimentar este colosso vem de dois motores MTU DD 16V4000. Cada um é um V16 a gasóleo, com 65 litros de cilindrada, turbocompressor e intercooler, capaz de desenvolver 2.300 CV às 1.900 rpm.
Somados, os dois motores disponibilizam 4.600 CV e um binário máximo de 9.313 Nm às 1.500 rpm. A potência é transmitida através de um sistema eletromecânico, que combina geradores, motores elétricos de tração e redutores integrados nas rodas.
Esta solução permite gerir a força necessária para deslocar centenas de toneladas, mesmo em terrenos difíceis. A velocidade máxima anunciada é de 64 km/h, mas a capacidade de vencer inclinações é igualmente importante: com carga total, o camião consegue subir rampas contínuas de 14% e ultrapassar inclinações de até 18% em troços curtos.
Consome 1.300 litros de gasóleo por hora
Consome 1.300 litros de gasóleo à hora
Se os números da potência e do peso impressionam, os do consumo não ficam atrás. O BelAZ 75710 dispõe de dois depósitos de combustível com uma capacidade conjunta de 5.600 litros. Em funcionamento, o consumo aproximado dos dois motores pode atingir os 1.300 litros de gasóleo por hora.
Para ter uma ideia do custo, considerando um preço hipotético de 1,90 euros por litro, encher os dois depósitos representaria uma despesa de 10.640 euros. É um valor que ilustra bem a escala económica de uma máquina concebida para trabalhar continuamente em operações mineiras de grande dimensão.
Também os restantes sistemas exigem quantidades consideráveis de fluidos. O circuito de refrigeração tem uma capacidade de 890 litros, enquanto cada motor dispõe de um sistema de lubrificação próprio, com 269 litros de óleo. Já o sistema hidráulico necessita de aproximadamente 1.800 litros de fluido.
Travar 810 toneladas também exige tecnologia especial
Mover um veículo com estas dimensões é apenas metade do desafio. Quando transporta a carga máxima, o BelAZ 75710 pode atingir 810 toneladas, pelo que a travagem e o controlo da temperatura dos componentes são fundamentais.
O sistema recorre a discos duplos refrigerados a óleo, com três pinças por disco. Os discos estão montados nos eixos dos motores elétricos, com circuitos hidráulicos independentes para os eixos dianteiro e traseiro.
A suspensão também foi dimensionada para suportar cargas extremas. O camião utiliza soluções independentes nos dois eixos, com cilindros hidropneumáticos que combinam óleo e azoto para absorver as irregularidades do terreno e manter a estabilidade.
O BelAZ 75710 não foi concebido para circular em autoestradas nem para transportar mercadorias entre cidades. É uma máquina especializada, feita à medida das grandes minas a céu aberto, onde a capacidade de transportar centenas de toneladas em cada viagem pode fazer a diferença na produtividade de toda a operação. E, nesse contexto, os seus 4.600 cv e o consumo de 1.300 litros por hora são apenas parte do preço de movimentar um verdadeiro colosso.
Ficha técnica
- Modelo
- BelAZ 75710
- Origem
- Bielorrússia
- Comprimento
- 20,6 metros
- Largura
- 9,87 metros
- Altura
- 8,16 metros
- Capacidade de carga
- 450 toneladas
- Peso em vazio
- 360 toneladas
- Peso carregado
- 810 toneladas
- Motor
- Dois MTU DD 16V4000, V16 a gasóleo
- Cilindrada
- 65 litros cada
- Potencia
- 4.600 CV (2 × 2.300 CV)
- Binario
- 9.313 Nm às 1.500 rpm
- Consumo
- 1.300 litros/hora
- Velocidade maxima
- 64 km/h
- Capacidade depósitos
- 5.600 litros
- Pneus
- 8 pneus radiais 59/80R63
AutoGear · 753 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).