Stellantis aposta nas baterias LFP para baixar o preço dos elétricos
O essencial
- Stellantis aposta em baterias LFP para reduzir custos dos elétricos na Europa, começando em 2026.
- Baterias LFP podem ser 40% mais baratas que NMC, mas têm menor densidade energética.
- FIAT 500e com bateria LFP deverá custar cerca de 20 mil euros em 2027.
- Gigafábrica Stellantis-CATL em Saragoça, Espanha, com capacidade de 50 GWh a iniciar em 2026/2027.
Baterias LFP para reduzir custos
O preço continua a ser um dos maiores obstáculos à popularização dos automóveis elétricos. E a Stellantis acredita ter encontrado uma forma de reduzir essa barreira: apostar em baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), uma tecnologia significativamente mais económica do que as tradicionais baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC).
A mudança foi confirmada por Antonio Filosa, administrador-delegado da Stellantis, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre. O responsável não revelou quais serão os modelos abrangidos, mas garantiu que a utilização de baterias LFP será alargada a «muitos» dos automóveis elétricos comercializados pelo grupo na Europa, com a implementação a começar já no próximo ano.
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O objetivo é claro: reduzir os custos de produção e, sempre que possível, fazer chegar essa poupança ao consumidor através de preços de venda mais competitivos.

Baterias LFP podem custar menos 40%
A principal vantagem da tecnologia LFP está no custo. De acordo com a Agência Internacional de Energia, as células de fosfato de ferro-lítio podem ser cerca de 40% mais baratas do que as células NMC.
A diferença é particularmente relevante quando falamos de baterias com capacidades elevadas, cujo custo representa uma parcela importante do preço final de um automóvel elétrico. Além disso, as baterias LFP dispensam matérias-primas como o cobalto e o níquel, reduzindo a exposição dos fabricantes à evolução dos preços destes materiais.
Mas há compromissos. As baterias LFP apresentam, em geral, uma densidade energética inferior à das NMC. Isto significa que, para conseguir uma autonomia semelhante, poderá ser necessário instalar uma bateria com maior capacidade e, consequentemente, mais pesada.
Ainda assim, para automóveis urbanos e modelos de acesso, nos quais o preço é especialmente importante e nem sempre são necessárias autonomias muito elevadas, a tecnologia pode representar uma solução particularmente interessante.
FIAT 500e poderá custar cerca de 20 mil euros
FIAT 500e aposta nesta tecnologia
Um dos primeiros modelos a beneficiar desta estratégia deverá ser o FIAT 500e. A marca italiana estará a preparar para 2027 uma nova versão equipada com bateria LFP, com o objetivo de reduzir significativamente o preço de entrada na gama.
A meta passa por aproximar o preço dos 20.000 euros em alguns mercados europeus, um valor que colocaria o pequeno elétrico italiano numa posição mais competitiva.
Atualmente, o 500e mais acessível surge no configurador da marca por 27.850 euros, mediante financiamento. Esta versão hatchback utiliza uma bateria de 42 kWh e um motor elétrico com 118 CV Para quem pretenda comprar o automóvel sem recorrer a financiamento, o preço indicado sobe para 29.353 euros.

A diferença entre os valores atuais e a meta anunciada é expressiva. No entanto, ainda não são conhecidos os detalhes técnicos da futura variante LFP, nomeadamente a capacidade da bateria, a potência do motor ou a autonomia. Também não está confirmado se o preço de 20 mil euros será aplicável em Portugal.
Nova plataforma STLA One também promete reduzir custos
A estratégia de redução de custos da Stellantis não passa apenas pelas baterias. O grupo prepara igualmente a introdução da nova arquitetura STLA One, destinada a automóveis dos segmentos B, C e D.
O primeiro modelo associado a esta plataforma deverá ser a próxima geração do Peugeot 208, um elétrico que poderá beneficiar desde o início das vantagens da tecnologia LFP.
Segundo os dados divulgados, a STLA One permitirá reduzir os custos de produção em cerca de 20%, graças a uma menor complexidade técnica e à reutilização de um maior número de componentes. A combinação de uma plataforma mais económica com baterias de menor custo poderá ser determinante para desenvolver elétricos com preços mais próximos dos automóveis com motores de combustão.
A necessidade de encontrar estas poupanças é evidente. No terceiro trimestre, a Stellantis registou um prejuízo operacional de 311 milhões de euros na Europa, num contexto em que os fabricantes continuam pressionados pela concorrência, pelos custos industriais e pela transformação tecnológica do setor.
Espanha vai produzir parte das novas baterias
Produção local e crescimento europeu
A expansão da tecnologia LFP na gama europeia da Stellantis será acompanhada pelo reforço da produção local de baterias. Para isso, o grupo estabeleceu uma parceria com a chinesa CATL, com quem está a construir uma gigafábrica na região de Saragoça, em Espanha.
O investimento previsto ascende a 4,1 mil milhões de euros, estando a unidade projetada para alcançar uma capacidade de produção anual de 50 GWh. O arranque da produção está previsto para o final de 2026 ou início de 2027, de acordo com o calendário divulgado.
A fábrica será propriedade de uma empresa conjunta entre a Stellantis e a CATL e deverá desempenhar um papel importante no abastecimento de baterias LFP aos modelos produzidos na Europa.
A aposta nesta química não é exclusiva da Stellantis. O Grupo Renault já introduziu baterias LFP no Mégane E-Tech e anunciou a sua utilização em versões de acesso dos Renault 4 e Renault 5. Também a Mercedes-Benz e a Volvo recorrem a esta tecnologia em algumas das suas propostas elétricas mais acessíveis.
A tecnologia LFP está a ganhar terreno na Europa
A evolução da quota de mercado confirma que as baterias LFP estão a conquistar espaço. Segundo os dados apresentados, esta química representava apenas 5% das baterias utilizadas nos automóveis elétricos na Europa no final de 2024, tendo aumentado para 13% em 2025.
Na China, o cenário é bastante diferente: as baterias LFP já representam cerca de 81% do mercado, beneficiando de uma cadeia de produção consolidada e de uma utilização alargada por parte dos fabricantes locais.
A Stellantis quer agora acelerar esta transição na Europa. A intenção não é necessariamente substituir todas as baterias NMC, mas utilizar a tecnologia mais adequada a cada modelo e posicionamento comercial.
A estratégia poderá ser especialmente importante nos elétricos mais pequenos, onde cada redução de custos conta para tornar o preço final mais competitivo. Se a promessa se concretizar, o FIAT 500e poderá ser um dos primeiros exemplos de uma nova geração de automóveis elétricos mais acessíveis.
Afinal, a próxima grande batalha dos elétricos poderá não passar apenas por oferecer mais autonomia ou potência, mas sobretudo por conseguir vender tecnologia elétrica a preços que estejam ao alcance de um número muito maior de condutores.
Ficha técnica
- Bateria actual FIAT 500e
- 42 kWh
- Potencia actual FIAT 500e
- 118 CV
- Preco actual FIAT 500e
- 27.850 € (com financiamento)
- Preco actual FIAT 500e sem financiamento
- 29.353 €
- Preco alvo FIAT 500e LFP 2027
- cerca de 20.000 €
- Reducao de custos STLA One
- cerca de 20%
- Capacidade gigafábrica Saragoça
- 50 GWh anuais
- Investimento gigafábrica
- 4,1 mil milhões de euros
AutoGear · 749 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).